17.1.08

Ciclo genéticos Dino Bikers

Texto: Itana Mangieri

 

 

A saudade aflora sentimentos. Não só os sentimentos doloridos de ausência, mas aqueles de admiração e orgulho.
Digo isso por estar longe e acompanhando os bastidores organizacionais e operacionais de alguns eventos ciclísticos desta mágica Bahia.
Alguns fatos realçam a necessidade de escrever e demonstrar o que sentimos e é assim que vou demonstrar a admiração que tenho por alguns, geneticamente experientes, Dino-Bikers: Pavese, Valci e Buga.
Outro dia voltei à Salvador e durante um pedal com o Jabuti-Mor, fomos ao hospital visitar Pavese (tomei um susto quando soube que ele estava no hospital). Tranqüilizei-me após vê-lo bem e forte aos mimos recebidos por sua filha e seu “azedume” por querer voltar logo pra casa, pois aquela hospedagem já o estava deixando ranzinza (rsrs). Foi a visita hospitalar mais divertida que já realizei … com fotos, poses e piadas. Passados alguns meses, exatamente agora em Dezembro de 2007, recebi um telefonema de Pavese para as felicitações de final de ano. Dentre tantos telefonemas que recebi, confesso ser este um dos que mais me emocionou. E mais contente agora, fiquei em saber que Pavese já está pedalando até Sergipe.
“Professor” Pavese: - Isso não é uma simples aula. É um show de saúde e perseverança !
Sobre o outro Professor (Valci), nem posso falar muito, pois pode gerar ciúmes em George. Mas … tôdo mundo sabe que sou fanzoca dele. Quem não conhece José Mindlin, aconselho a ler algo sobre sua paixão por livros e compreenderão a similaridade entre os dois. Almas gêmeas ! Pedalando pra lá e pra cá, ele chega lá. Na maioria das vezes com Ró, sua fiel escudeira ao lado. Cultura, eventos sociais, fotografias, sebos, shopping, teatro, exposições, inaugurações, festas religiosas, batizados (até de bonecas), carros de som, audiências públicas, confraternizações … lá, chega ele de bike. Até em trilha esse jabuti já se meteu. Se perdeu e, Dimitri, o Garoto Enxaqueca, voltou para resgatá-lo. Sentiu-se mal devido ao calor e mesmo assim não desistiu. Continuou pedalando, fotografando e falando. Esse Jabuti me remete ao personagem infantil o Grilo Falante, lembram ? … rsrs.
Esse é um exemplo de paixão ciclo-literária-cultural. E se o dia é de chuva ou de compromissos profissionais, ele concentra-se diante de um livro ou de um computador para exercitar a comunicação e integração entre os ciclo-sócio-amigos. Acho que as únicas coisas que o fazem se distrair da bike e dos livros são as músicas de Chico Buarque, regadas à uma maniçoba e, de sobremesa, jaca ! João, Carlos, José, Antônio … todo mundo conhece um, mas Valci (?) … se não o conhecem, ao mínimo já ouviram falar dele no meio ciclístico baiano e … agora também no Norte !
Já Bugarin, carinhosamente apelidado de “Buga”, é o “redondo que desce macio” … rsrsrs. É o gorducho “testemunha ocular” da história do ciclismo da Bahia. Pedalando ou não, ele aparece nos eventos para fotografar e publicar em seu “Mural do Bugarin”. É o site mais democrático que eu conheço. Lá é publicado de tudo … do popular ao técnico e do básico ao sofisticado. O Mural do Buga é uma referência. Minha aula de edição do Mural com Buga foi inusitada: com seu cachorro, Quiron, latindo, mordendo minha orelha, dando patadas em minha cabeça pela janela para chamar a atenção, tentando comer minha máquina fotográfica e, juntos, saboreando um delicioso bolo de limão !
Ôôôô … tarde gostosa !
Esses dias, Buga foi realizar um check-up, pois estava vendo tudo dobrado. Nos falamos pelo telefone e recomendei à ele olhar para notas de R$ 50,00 e R$ 100,00 … rsrs.
Esses Dino-Bikers, cicloativistas natos e incentivadores dos pedais são meus exemplos e me orgulho do privilégio de conhecê-los !

criado por dimitrivianna    01:10:47 — Arquivado em: Artigos

10.12.07

Bicicletário em Salvador

O primeiro passo foi dado para a implantação de bicicletários em Salvador com o apoio da gestão pública municipal. Neste último dia 04 de Dezembro foi inaugurado em Salvador o primeiro bicicletário na Câmara dos Vereadores. O evento iniciou-se com uma pedalada, composta por líderes e grupos ciclísticos juntamente com o vereador Reginaldo Oliveira, onde foram recebidos pelo vereador Valdenor Cardoso e as honras municipais.
Se fizeram presentes Gilson Cunha, Lázaro, Gil Rasta, Agostinho Guerreiro e Valci Barreto, dentre outros – cicloativistas e incentivadores sociais da bicicleta como meio de transporte, lazer, turismo e esporte.

 

A matéria a seguir foi publicada no site www.vermelho.org.br:

O passeio foi iniciado com uma concentração na Sereia de Itapoan e teve três paradas no percurso: Jardim dos Namorados, Rodoviária de Salvador e 7 Portas. Na chegada, em frente à Câmara Municipal, o vereador Oliveira e os ciclistas foram recebidos pelo presidente da Casa, vereador Valdenor Cardoso.

“A sociedade precisa compreender melhor os benefícios do uso da bicicleta e o poder público deve garantir ciclovias, ciclofaixas, bicicletários e novos espaços para quem pedala. Para as obras do metrô, na Avenida Bonocô, foram assegurados espaços específicos para os ônibus. Vamos lutar para que os ciclistas tenham o seu espaço também. Essas pedaladas são importantes para alcançarmos esses objetivos”, explica Oliveira.

O uso da bicicleta já é bastante comum nas grandes cidades do mundo e pode contribuir para um mundo melhor. Pode ser incorporada ao trânsito como meio de transporte, não polui e não degrada o meio ambiente, ajudando no combate ao aquecimento global.

Segundo a Associação Bike Brasil, 10 bicicletas estacionadas equivalem a um automóvel, cinco bicicletas em movimento eliminam um automóvel no trânsito e cinco mil bicicletas na rua significam menos 6,5 toneladas de poluição na atmosfera.

criado por dimitrivianna    23:04:24 — Arquivado em: Notícias

21.11.07

Dino Bikers em Serra Grande . Bahia

Entre matas, montanhas, trilhas com vista para o mar, subidas de arrepiar, descidas com gritos, … foi assim a última viagem dos DINOSBIKERS ao sul da Bahia, na região de Serra Grande.

Quero agradecer a presença destes monstros do Mountain Bike da Bahia no meu Sitio. Homems e Mulheres alucinados e XTR no PEDAL.
Mais do que um grupo de ciclistas coroas e loucos por Bike, os DINOS são alucinados por aventura, adrenalina e às vezes até insanos na vontade de pedalar.
O que vale mesmo é ter vocês como meus amigos. Somos irmãos unidos por um simples desejo de curtir, respeitando a natureza.
Sinto-me orgulhoso de ser Presidente VITALÍCIO dos DINOS BIKERS. Um grupo de tanta gente boa, feliz e de paz. Um grupo de amigos de verdade !

Viva a Bicicleta de Montanha. Viva os DINOS BIKERS - os Fuzileiros da Bike … quanto pior, mióóó !

Link de muitas outras fotos no endereço abaixo:

http://picasaweb.google.com.br/dimitrivianna/DinosBikersEmSerraGrande

Até a próxima !

Dimitri Vianna

criado por dimitrivianna    20:17:20 — Arquivado em: Notícias, Trilhas/Viagens/Passeios

29.10.07

MINHAS BICICLETAS

Matéria: Valci Barreto
Editor Meu Zine e Bike Book
Consultor e colaborador do Mural de Bugarin
Coordenador do Grupo Jabutis Vagarosos
Profissão: Advogado, "carimbador maluco" e cicloativista

Nascido em Jaguaquara, cidade do Vale do Jequiriça, famosa pelo São João, Colégio Taylor Egídio, friozinho gostoso, produção de hortifruti, notadamente tomate, as primeiras bicicletas que vi foram as do tipo barra-forte, barra circular e algumas européias, trazidas certamente pelos colonizadores italianos, cujos descendentes compõem boa parte da sua população. Foram também as primeiras que montei. Meu pai tinha uma verde, toda equipada com descanso, dois espelhos grandes sobre o guidom, bagageiro e descanso. Foi nela que aprendi a montar, no início da ladeira do bairro da Casaca, mesmo hoje bastente pobre.

Ainda hoje, são os tipos de bicicletas que gosto: barra forte ou circular, com bagageiro, cestinha ou mesmo “cestão”. Nos centros das cidades, a minha preferida é qualquer uma que tenha quadro baixo, tipo “bicicleta de mulher”, porque são mais leves e fáceis para delas descer e empurrar, o que é muito necessário em locais de pedestres e obstáculos urbanos.

Sem ser atleta, pertenço ao mundo dos passeios de bicicletas, sem ser intelectual, acadêmico, considero-me do mundo dos livros dos livros, das leituras desprentensiosas, fazendo vivendo ambos por puro prazer. Ando de bicicleta, em grupo ou em passeios solitários, mesmo fora e para fora de Salvador.

Sempre me causou curiosidade , jamais levando a sério, o preconceito que envolve uma série de objetos, atitudes, comportamentos. Vou me ocupar aqui apenas de alguns relacionados a bicicletas, como as sem marcha, as do tipo barra circular ou barra forte, com cestinha e bagageiro.

No meio dos amantes de passeios ciclísticos de Salvador, uma crônica , “Minha Bike Tem Cestinha”, da nossa editora Itana Mangieri, tornou-se clássica. Era um grito bem humorado, da nossa cicloativista, muito querida por todos nós, contra os que debochavam da sua bike, munida sempre daquele equipamento, tão comuns em regiões que cultuam, de verdade, a magrela, a exemplo da Holanda.

Tive e tenho que estar “brigando”, em favor das “minhas bicicletas”: quase sempre com cestinha, bagageiro e descanso.

E vou continuar na minha luta. A final, não vejo outra forma para comprar e levar livros, jornais, frutas, remédios, pequenos objetos, que compro ou transporto para entregar a alguem pelo caminho, notadamente livros e revistinhas usadas para crianças.

George Argolo, apesar de vir da simplicadade da querida cidade de Santo Amaro da Purificação, tornou-se um cicloativista, muito “metido a besta”: só quer andar em bicicletas com muitas marchas, peso de algodão voando, sem cestinha, descanso e jamais de bagageiro. Espelhos, somente se for daqueles "fashions", quase invisíveis, de marcas conhecidas não só pelas qualidades mas também pelos preços elevados. Sendo um dos mais atuantes cicloativistas, filantropo em seus/nossos passeios, sempre levando algum presente, livro, leite para entidades carentes, têm tido dificuldade em colocar tudo em uma mochila, também "de marca", com prejuízos para sua coluna, ainda resistente, em função da sua juventude e vigor, e principalmente para os livros e revistas , que não se machucariam se bem acondicionados em cestinhas ou bagageiro.

Como muitos, para atender à imposição da imposta pelos inimigos das cestas, espelhos, bagageiros e descanos das magrelas, prefere fazer sofrer livros, revistas dentro das mochilas.

Mas o prejuízo maior, para quem pensa como George, (o George de depois da Estrada Real) é para as entidades beneficiárias, pois ele sempre leva menos do que gostaria. Diz: levo o resto de carro. Mas aí, pelo menos para o caso, não vejo graça. Carro é carro, bicicleta é bicicleta. Não tem que “misturar” .

Não quero depender de carro para transportar um livro, uma revista, um remédio, ir tomar um sorvete em nossos Jabutis e Biciclotecas, nem machucá-lo em mochilas, também muito úteis em tais passeios. Por isto, minha bike tem cestinha, vai ter cestão e até carrocinha uma delas já tem.

Que as outras existam, mas para as corridas do Dimitri, as viagens de George, Alex/Alessia, pelas montanhas mineiras. Para as ruas de Salvador, meus passeios pela Linha Verde, fico com as minhas, de qualquer marca, bem baratinhas, de cestinha, cestão, descanso e bagageiro, desde que quem rodem, não quebrem pelos caminhos.

Já estou comprando a minha barra circular, vermelha, de bagageiro, cestão e descanso. Entre as vantagens deste último equipamento, evita sujar as paredes das lojas em nossas paradas.

Para mim, o prazer está no pedal em si, nos passeios, no mundo que a bicicleta me proporciona; o que vejo pelas ruas, becos, sebos, brechós, aprendizado com pessoas que encontro. Para isto, desde que rode, qualquer bicicleta me serve. Nas ladeiras, obstáculos, desço, empurro-a, com o mesmo prazer da montaria: vou vendo coisas, sentindo também outro tipo de prazer.

É o mesmo prazer que tenho em ler um livro de qualquer época, seja ele novinho da livraria Siciliano, ou velhinho, do ponto do seu Alfredo, ou do sebo do Eraldo, no terminal da Lapa: eu quero é ler.

Para a Capital baiana, cidade plana para pedalar, não sei para que bicicleta com marcha, nova, cara e ainda sem cestinha e descanso. Acho coisa de subdesenvolvido, que nunca viu, sequer, uma foto de bicicleta rodando na Holanda.

Depois, ainda dizem que o tabaréu sou eu ! …

 

criado por dimitrivianna    18:44:47 — Arquivado em: Artigos, Ciclismo

11.10.07

Sincronia … Sincronizado Sintonizado

 

 

Quem ainda não pedalou com o Grupo Sincronia, ainda vai pedalar e se apaixonar !
É um grupo organizado e coordenado por ciclistas exemplares, daqueles que dão o exemplo (mesmo) de como pedalar educadamente.
Seus pedais acontecem todas as quartas-feiras às 20:30 hs saindo do estacionamento do Extra - Vasco da Gama, aos sábados às 7 horas saindo da Praça dos Golfinhos / Costa Azul (com roteiro ecológico) e aos domingos, saindo também da Praça dos Golfinhos às 8 horas com o "roteiro dos Campeões" pelas ruas e ladeiras de Salvador.
Este carismático grupo está completando "Bodas de Papel", ou seja, 2 anos de existência, atividades e educação ciclística.
Além disso, criou o "Prêmio Sincronia Repórter" que homenageará anualmente um expoente incentivador dos pedais na área cultural, artística, literária, social, etc. Este ano escolheu nosso ciclo-fotógrafo Alberto Bugarin como o condecorado especial de 2007.
Com tantas atividades, ainda comemora seu segundo aniversário com ações filantrópicas apoiando entidades carentes. E como seu aniversário coincide com o Dia das Crianças, estão se organizando para colher e doar presentes e para a instituição filantrópica Orfanato Vó Flor.
Este evento acontecerá, com a participação de quaisquer interessados em pedalar, doar, fazer uma boa ação, se emocionar com o carinho das crianças do orfanato e depois comemorar.
O local de concentração será no estacionamento do Extra - Vasco da Gama - dia 12 de Outubro - às 7:30 hs
Participe dessa comemoração ciclo-sócio-emocional, comemore e divida a alegria de um grupo sincronizado e sintonizado com o meio social e ambiental.
Maiores informações através do site:

http://www.indshop.com.br/sincronia/sincronia.htm

Itaninha e Dimitri
Blog Mundo da Bike

criado por dimitrivianna    00:39:25 — Arquivado em: Notícias

14.9.07

Trilha da Laranja 1

Texto e imagens: Itana Mangieri / Pesquisa cultural: Wikipédia

 Através no MSN recebi a seguinte pergunta ? – "No dia 02 de Setembro vc vai estar aqui para ir para a Trilha da Laranja ?" E a resposta foi única com duplo sentido: - "Eu vou".
Para falar a verdade, me interessei mais pelas laranjas ! Mas uma pedalada no meio dos laranjais não me faria mal, mesmo porque precisava desenferrujar e desopilar e quando me sinto estressada, só aventuras assim me equilibram.
Ourém fica à 182Km de Belém. O grupo EART (Equipe de Aventuras Ratos de Trilhas) resolveu fazer essa trilha em duas etapas. Acordamos cedo e na rodoviária de Belém, ajeitamos nossas bikes no bagageiro do ônibus e seguimos para a cidade de Santa Maria/PA. No ônibus a empolgação era mútua entre os trilheiros e, desde minha vinda para o Norte, sinceramente já estava aguardando a chegada das piadinhas de "baiano" que sempre as escuto com muito bom humor, mas desta ainda estou rindo, né Serginho ? Enquanto o sono da manhã me permitiu uma rápida cochilada, ele me perguntou se eu estava rezando o terço. Eu disse: - Terço ? Não entendi. E ele perguntou se eu não sabia como baiano reza o terço. Eu disse que não e aí veio a explicação (piada): - Pega o 1ºmistério e reza: "Pai nosso que estais no céu ….", 2º mistério: "bis", 3º mistério: "bis, … "bis", … "bis", … "Bis", … (rsrsrs). Bom, "Éramos seis", inicialmente para a primeira etapa, mas por um imprevisto e por força materna, uma das trilheiras, Ádila, teve que retornar, pois sua filha estava febril. Fizemos uma oração emocionados, tiramos a foto inicial e de lá seguimos pedalando até Ourém que, segundo dados calculados nos GPS’s dos trilheiros o trecho era, de aproximadamente, 70 km. Então iniciamos a pedalada como um "Quinteto Fantástico" às 9:25 hs (eu, Serginho, Fábio, Neto e Edson). As estradinhas eram lindas, sem movimento, sobe e desce, seixo/cascalho e trechos de areia quando meu câmbio começou a enroscar nos raios a cada mudança de marcha e foi aí que, quando paramos em Taciateua/PA para verificar o problema e desentortar o câmbio, aproveitamos para fazer um lanche (já eram 11 hs), sol já estava alto, prometendo "ilusões solares", quando o Edson perguntou onde iríamos parar para almoçar. Serginho, naturalmente, lhe disse que almoçaríamos só quando chegássemos em Ourém. Edson ficou pálido e a água na boca secou ! - Como ? Mas eu queria comer uma galinha à cabidela … . E aí o papo rolou sobre pratos típicos da localidade mesmo sem a esperança do almoço desejado. Fizemos um lanche reforçado com tapioquinhas, refrigerantes, sanduíches e coalhada. Seguimos o caminho por estradas de terra entre fazendas. O sol castigada cada vez mais e cada parada, fosse para consertar uma corrente quebrada ou encher um pneu, tentávamos parar numa sombra que, por sinal, eram raras. Meu câmbio piorou, as mudanças de marchas eram restritas e assim o esforço a cada pedalada foi maior.

 Após uns 40 km pedalados e com sombras e paradas cada vez mais escassas, eu perguntava ao Serginho: - "Cadê os igarapés ? Preciso de um banho para me restaurar ! E ele respondia: - Faltam 5 km. Tá logo ali com água fresca e peixinhos nadando ! E o Fábio: - Claro que eles estão nadando ! e não voando ! (rsrsrs) … E eu, além de me animar, acreditava. De repente, numa ladeira de seixo/cascalho, o Edson salta da bike, se curva, se joga no chão e grita: - Tô com câimbra ! Eu e o Fábio vínhamos atrás e paramos para ajudar, mas o cansaço falou mais alto e eu tirei a mochila de hidratação das costas e deitei nas pedras quentes para esticar a coluna e alongar, como se estivesse me deitando num colchão ortopédico king box. Enquanto o Edson massageava suas pernas, o Fábio comentou o seguinte: "Alguém tem medo de cobra ? Pois tem uma pequena logo ali". Imediata e discretamente eu me levantei do chão, montei na bike e pedalei me aproximando do Serginho e Neto. … Morro de medo de cobras. Paramos para tirar umas fotos e seguimos até que, alguém viu um poço no fundo de uma casinha na estrada e pedimos à dona para nos deixar tomar um banho. Ela permitiu. Esse foi o banho mais gostoso que tomamos até então. Puxávamos a água com um balde do poço e despejávamos em nossa cabeça. Estava fresca e era potável. Parecia um choque térmico em nosso corpo e nos deu uma "energizada" providencial para continuarmos. O semblante de fome do Edson era tão forte que, ao vermos um pato caminhando e rebolando em nossa direção, ao ver Edson ele se desviou rapidinho. A cena foi muito engraçada apesar de todos nós já estarmos fantasiando, a cada animal visto na estrada ou pastando, um espeto de picanha, leitão à pururuca com uma maçã na boca, galeto assado … noooosa ! … mesmo com o sol derretendo nosso cérebro, nossa imaginação continua fértil ! rsrs.

 Mas neste momento os tão esperados igarapés começaram a surgir e aí descobrimos que o que não falta no caminho são igarapés para banho de água filtrada pelas jazidas de seixo (cascalho) existentes naquela região. Parávamos em cada um deles não somente para um banho refrescante, mas para fotos e apreciar suas águas relaxantes e límpidas além das crianças nativas da região que brincavam e banhavam-se nuas e soltas naquelas águas puras que a natureza lhes proporciona.

 Entre as comparações de percurso de ciclo-computadores e GPS’s iniciou-se as divergências de kilômetros restantes até a chegada à Ourém. Num faltava 7 km, noutro 10, noutro 17 km, mas mesmo contando as margens de erro para mais ou para menos, a kilometragem restante era em linha reta … sendo que a estrada era totalmente sinuosa (ai ai … seja o que Deus quiser … rsrs) … Já eram 16 horas e o sol e o cansaço não amenizavam nossa trajetória. Os incentivos e motivações eram constantes e até trocamos de bikes. Neste momento, passa por nós um ônibus da Prefeitura de Ourém e então pedimos uma carona. O motorista topou na hora. Coloquei a minha bike dentro do ônibus e segui. Além de alguns passageiros que me olhavam curiosos e perguntavam de onde o grupo estava vindo, tinha um cantor que tocava sua viola para animar a viagem. Após 1 km o motorista parou num boteco, deixou os passageiros no ônibus e desceu para tomar "uma dose". Em seguida, o grupo, que continuou pedalando, avistou o ônibus e pararam para saber o ocorrido. Neste momento o motorista veio me trazer uma garrafa de refrigerante bem gelada e eu aceitei na hora. Desci do ônibus e fomos conversar com os outros ciclistas. Foi aí que percebemos que ele estava bêbado. Fábio conversou com ele numa boa sobre segurança no trânsito e me perguntou se eu queria continuar. O motorista disse que faltavam 5 km para chegar em Ourém. Edson ia entrar no ônibus para me acompanhar por medida de segurança, mas com a proximidade decidiu concretizar a pedalada e eu segui de ônibus, com o motorista que, mesmo bêbado e falando ao celular, dirigia bem devagar e me dizendo que para homem ele não dá carona ( ! ). E ainda fez um city-tour na cidade para que eu a conhecesse além de me deixar, gentilmente, na porta da pousada onde o grupo passaria a noite. O cansaço era evidente, mas a fome gritou. Nós cinco ainda saímos pela cidade caminhando à procura de um restaurante aberto para comermos qualquer coisa, mas não encontramos. Então pedimos 2 pizzas grandes que foram entregues no hotel e as devoramos em pouco tempo seguida de uma barra de chocolate como sobremesa. Outros ciclistas já estavam chegando ao hotel para se prepararem para a segunda etapa da trilha no dia seguinte. Depois de um banho e um bom bate-papo alguns foram para cama dormir cedo e outros foram papear e comer um peixe na beira do Rio Guamá.

criado por dimitrivianna    20:44:53 — Arquivado em: Trilhas/Viagens/Passeios

Trilha da Laranja 2

 

 

No dia seguinte, durante o café da manhã o encontro foi maior, o câmbio da minha bike foi trocado para que prosseguisse na etapa do domingo e seguimos para uma fazenda que foi o ponto de encontro e de saída da Trilha da Laranja à aproximadamente 1 km do hotel, que além de um lugar muito legal, tem até criação de avestruz. A concentração estava animada com os garotos da região ansiosos para receberem seus presentes, que foram doados pelo grupo para incentivá-los na prática do Montain Bike, com segurança. Vários capacetes e luvas foram distribuídos entre eles que iriam nos acompanhar por cerca de 55 km. Suas bikes não eram apropriadas para o Montain Bike. Eram pequenas, sem marchas e até sem freios, mas a alegria deles era tão grande que esses "detalhes" não fizeram a menor diferença para eles. Nós, o grupo, sim, para eles, parecíamos uns ET’s …. rsrsrs. Após a oração, orientações, contagem geral (58 ciclistas) e agradecimentos, seguimos juntos passando inicialmente pelo centro de Ourém e pela igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, construída em 1939 no estilo gótico, que é palco de duas grandes festividades anuais: a festa da padroeira e a de São Benedito. O Círio de Nossa Senhora da Conceição acontece sempre no terceiro domingo de agosto. Após esse cartão postal, atravessamos a ponte e iniciamos a trilha. Os garotos correram na frente para nos aguardar na primeira poça de lama para "batizar" seus convidados com lama. Alguns torceram o nariz para a brincadeira animada da garotada, porém outros levaram na esportiva como um tratamento de pele … rsrs. O sol já começava a castigar e os trechos de seixo/cascalho e areia se intercalavam entre um sobe e desce incessante recheado com uma ladeira interminável. O que compensava eram os laranjais onde parávamos para chupar laranjas no pé fresquinhas e água de côco que a garotada arrancava dos coqueirinhos, quebravam-os nos eixos das rodas de suas bikes e os dividiam conosco para matar a sede. Alguns pneus furados e quedas aconteceram, mas nada grave. Até uma vaca parindo no meio do laranjal foi fotografada e filmada.

 

Nessa trilha tivemos parada até para um chopp estupidamente gelado (! ? !) (chopp no Norte é sinônimo de geladinho ou chup-chup … rsrs). Alguns igarapés no caminho, irresistíveis para uma refrescada, até chegarmos a um hotel balneário com piscina natural, cachoeira e toboáguas.

 

Lá nos "soltamos" para um banho relaxante, fotos e para almoçar. Depois dessa pausa, restavam ainda uns 17 km até o ponto de partida em Ourém e retornamos vitaCminados. Foi, logo na saída do balneário, que Carol e André, cairam numa ladeira de alto grau técnico. Ela ferindo o queixo e ele arranhando o braço, a perna e quebrando o capacete. São nessas horas que percebemos a importância dos acessórios de segurança, principalmente o capacete ! Mas após os primeiros socorros, voltamos todos pedalando e finalizando o domingo com uma trilha "naturalmente exuberante" num percurso de 55 km !
Ourém tem sua economia baseada na exploração de seixo/cascalho e é a maior produção do Estado do Pará. A origem do nome Ourém tem duas versões: a primeira e oficial, diz que seu fundador, Luis de Moura, para demonstrar o poder de sua conquista à Europa, batizou a cidade com o mesmo nome de sua cidade natal em Portugal e, a segunda versão é a de que os desbravadores achavam que lá havia muito ouro e outras pedras preciosas, mas, ao constatarem que, além de não ter ouro, além de seixo/cascalho, diziam: "Ouro, hein ?"

Agradeço especialmente à família EART (Equipe de Aventura Ratos de Trilha – PA), aos coordenadores Serginho e Fábio pelo incentivo e paciência em trechos de sol à pino (mesmo porque também faço parte do Grupo Jabutis Vagarosos – BA) e ao "Dengue" pela gentileza em trocar meu câmbio por um câmbio extra do Serginho.

… a próxima Trilha é a do "Bagaço" !!!

Publicado também em www.trilhaseaventuras.com.br / www.amigosdebike.com.br / www.muraldebugarin.com / www.pedal.com.br e www.eart.esp.br

Itana Mangieri

criado por dimitrivianna    20:37:29 — Arquivado em: Trilhas/Viagens/Passeios

10.9.07

Audiência Pública com Cicloativistas em Salvador

Texto e fotos: Itana Mangieri

 

Ocorreu, em 10/Set/07 a Audiência Pública na Câmara dos Vereadores de Salvador para tratar de assuntos relativos ao uso da bicicleta, projetos em andamento, a instalação de bicicletários em pontos da cidade e a construção de ciclovias/ciclofaixas, presidida pelo Vereador Reginaldo Oliveira e que teve sua mesa composta de representantes de órgãos municipais e ciclísticos deste município como: Gilson Cunha (ASBB), Lúcia Saraiva (Ciclobahia), Valci Barreto (representando a ASBEB), Dra.Gisnaia Sampaio (SET/SETIN) e Dr.Carlos Querino (Secretaria Meio Ambiente).
O Vereador Reginaldo Oliveira iniciou comentando os benefícios que a bicicleta, como meio de transporte, traz para os cidadãos e para a cidade/prefeitura como mobilidade saudável e econômica e que a prefeitura está se mobilizando no sentido de incentivar sua utilização. A Dra.Gisnaia Sampaio fez citação ao acordo de Kyoto referente a diminuição da poluição mundial e melhoria da qualidade de vida. Mencionou as ciclovias e ciclofaixas existentes em Salvador, que os órgãos públicos tem consciência de que são poucos para a demanda Soteropolitana e informou alguns projetos de interligação das ciclovias existentes como Orla e Lagoa do Abaeté e de novos projetos de ciclovias/ciclofaixas na Calçada, Feira de São Joaquim, Largos dos Taineiros e Mussurunga. Dr.Carlos Querino enfatizou que o desenvolvimento de meios de transportes modais limpos, econômicos e saudáveis que refletem benefícios e preservação ao nosso meio ambiente depende não somente dos órgãos públicos, mas também da educação social e do combate ao preconceito que ciclistas sofrem pela sociedade consumista e motoristas em geral. Lúcia Saraiva, além de informar a importância de movimentos e ações do Ciclobahia, informou sua participação em eventos de cicloativismo e mobilidade ciclísticas nacionais. Gilson Cunha em parceria com órgãos públicos como Hemoba, tem realizado ações para o incentivo não só ao ciclismo como à doação de sangue e plantio de árvores para melhoria da qualidade de vida física e do meio ambiente. Dr.Valci Barreto explanou sobre a agregação social que as bikes causam nas ruas e que, à pé ou de bicicleta, Salvador torna-se mais bela se admirada dessa forma. Convidou novatos para iniciarem suas pedaladas no grupo que coordena, os Jabutis Vagarosos, e divulgou ações sociais de grupos do subúrbio de Salvador que desenvolvem passeios filantrópicos e educativos como o passeio "Bicicloteca".

Passada a palavra ao público, que manisfestou-se positivamente aos projetos futuros divulgados, falaram: Ary Gil (Funcionário Público que utiliza a bike como meio de transporte, lazer e esporte), Jorge Guerreiro (Coordenador do Grupo de Narandiba), Itana Mangieri (Membro Ciclobahia e meios de Comunicação Ciclísticos de Salvador), Lázaro (Coordenador do Grupo Natura Bike Ação), Joceval Tibúrcio (Representante do Movimento em Defesa do Metrô), Nadson (estudante de Economia) e o Presidente do Sindicato dos Comerciários de Salvador.

criado por dimitrivianna    22:46:11 — Arquivado em: Notícias

3.9.07

Primeira Volta Ciclística de Itapagipe

Primeira Volta Ciclística de Itapagipe

Dia 30 de Setembro 2007

 

 

 

criado por dimitrivianna    22:13:57 — Arquivado em: Eventos, Notícias

22.8.07

Guia do Montain Bike

Fonte: Amigos do Livro

Não há como negar que, a cada dia que passa, “qualidade de vida” virou a coqueluche nacional. Reforçando essa mania, a mídia tem dado ampla cobertura quando o assunto é boa alimentação, cuidados com o corpo, lazer, meditação, enfim, hábitos saudáveis para o corpo e para a mente. E é exatamente com esse propósito que a Editora Gaia tem desenvolvido seu catálogo, com publicações que primam pela saúde, esportes, alimentação, sustentabilidade do planeta entre outros temas. Depois de ter lançado com grande sucesso dois livros que levam a assinatura do super campeão de ciclismo Lance Armstrong, a Editora Gaia traz outra obra para os aficio-nados em ciclismo: Guia da Mountain Bike, de José Antonio Ramalho.

Um verdadeiro manual, totalmente ilustrado, onde o autor ensina o leitor a interagir com a bicicleta e dá sua contribuição para que o velho e conhecido pensamento latino “Mens sana in corpore sano” tenha sentido.

Em onze capítulos, Ramalho descreve com minúcias os benefícios que uma bike bem ajustada pode trazer ao seu usuário. No primeiro capítulo disseca a bicicleta mostrando cada item, cada peça, para que o leitor/ciclista saiba escolher, mais adiante, o tamanho ideal, os acessórios necessários, como fazer um upgrade, como se preparar para competições. Dedica um capítulo para falar de cicloturismo e outro com sugestões de roteiros, entre os quais, cita o Caminho de Santiago da Compostela, que ele próprio fez em 15 dias.

Num capítulo especialmente dedicado à saúde, Ramalho mostra como o leitor pode melhorar seu condicionamento físico com dicas de nutrição, alongamento e musculação, que complementam os benefícios trazidos pela bike.

Ramalho formatou esse livro de uma maneira que ele será uma ferramenta de fundamental importância para aqueles que querem começar ou recomeçar a pedalar. Ele mostra que a bicicleta é um excepcional meio de aumentar o círculo de amigos, conhecendo pessoas que estão, de fato, preocupadas com o bem-estar físico, além de mostrar que pedalar é uma das poucas atividades que pode ser feita em grupos: pais e filhos, amigos do condomínio, colegas de classe etc.

Recomendando o Guia da Mountain Bike, disse a jornalista, fotógrafa e também ciclista, Renata Falzoni: “Se ainda tem dúvidas sobre casar ou comprar uma bicicleta, leve esse livro imediatamente, repense toda a sua vida e não vacile: compre duas bicicletas e case-se com alguém que curta pedalar!”.

Sobre o Autor:

José Antonio Ramalho é fotógrafo e um dos mais versáteis escritores nacionais. Publicou mais de cem livros sobre tecnologia, mitologia grega e fotografia, muitos deles foram traduzidos paro inglês, espanhol, polonês, indonésio e chinês. É colunista dos jornais Folha de S.Paulo e Estado de Minas e colabora com as revistas Caminhos da Terra, Fotografe Melhor entre outras. Desde criança é apaixonado pela bicicleta.
A vida atribulada o afastou de sua paixão e aos 43 anos, em 2004, voltou a pedalar. Fez o Caminho de Santiago, criou um projeto chamado Travessias, em 2006 atravessou do Pacífico ao Atlântico, os Andes e a Patagônia e cruzou a cordilheira do Atlas, no Marrocos. Guia da Mountain Bike acabou de ser impresso em abril de 2007, três dias antes de Ramalho se aventurar com a bike na Cordilheira do Himalaia, entre o Tibete e o Nepal.
SERVIÇO:

Título: GUIA DA MOUNTAIN BIKE
Autor: José Antonio Ramalho
Apresentação: Renata Falzoni
Páginas: 144 coloridas / papel couchê
Preço: R$ 47,00
Público-alvo: Público em geral, em especial para aqueles que querem começar ou recomeçar a pedalar.

criado por dimitrivianna    15:26:46 — Arquivado em: Notícias

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