22.7.09

SERRA GRANDE-BA NO SÃO JOÃO 2009

Texto: Itana Mangieri

Itana: - Lu, Dimi convidou pra passar o São João no sítio, mas eu só posso ir se for na segunda-feira depois do almoço e eu não to a fim de ir sozinha – 450 Km é muito longe

Lu: - Zena e Sophia vão viajar e se eu ficar aqui vou ficar sozinha, então vamos juntas.

Itana: - Você sabe o caminho ? Vamos pela BR 101 ou pelo Ferry-boat ?

Lu: - Vamos pela BR101 pois a fila do Ferry vai nos atrasar muito. Eu fui em Maio da ultima vez para Itacaré e sei o caminho.

Itana: - Então tá ! Na segunda a tarde eu te pego na casinha de Pituaçu e seguimos.

 

Lá vem a segunda-feira …

15 hs liguei pra Lu e avisei que estava liberada e indo buscá-la. Arrumamos as malas, as bikes e o kit-Lu no carro (Obs: Kit-Lu = caixinha de isopor com algumas latinhas de cerveja geladas).

16:10 hs saímos rumo ao nosso São João no sul da Bahia. 

Na BR324 sentido Feira de Santana estava tudo bem até que o trânsito parou próximo de Candeias. Respirei fundo e lembrei do engarrafamento no São João do ano passado onde no trecho Salvador X Feira de Santana levou-se 8 horas para completar os 100Km iniciais. Mas devagarinho, andava-se. Fomos conversando no carro, ouvindo música e eu questionando Lu por não ter colocado umas latinhas de coca-cola pra mim no isopor, mas ela prometeu que a cada cerveja que tomasse, sobraria uma “vaga” para que, no primeiro posto, ela completasse com minha coca-cola. Comentou também sobre comprar alguns artesanatos na estrada na volta e um conjunto de mesa e cadeirinhas dobráveis, blá blá blá blá ……. e, nisso anoiteceu !

Quando pegamos, à direita, na entrada para a BR 101, Lu falou: - “Siga em frente. A vida toda”.

Eu: - Mas Lu, eu acho que temos que fazer o primeiro retorno.

Lu: - “Nada disso. Eu conheço o caminho. Passei aqui em Maio. Siga em frente a vida toda”.

E eu segui. Começou a chover, estrada esburacada, muitos caminhões e, depois de uns 50Km começaram as placas de Aracaju e Alagoinhas. Uma, duas (hummmm….) e na terceira eu disse: - Lu, nós estamos indo para o norte e Serra Grande é no sul da Bahia. Essa cidade aí na nossa frente é Alagoinhas.

Lu – “Imagina !”

Aí eu apontei a placa à sua direita: “Bem vindo à Alagoinhas”

………….. (sic ! momento de silêncio fúnebre) … Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk … Tivemos uma crise de risos e lágrimas.

Seguimos adiante até o primeiro posto de gasolina da cidade para fazer xixi, reabastecer e comprar a minha coca-cola … kkkkkk.

E a parada foi divertidíssima. Estacionamos ao lado de uma Van preta com insulfilme escuro, desenhada com labaredas amarelas e decorada com bonecos, baratas, ratos e com adesivos curiosos como: “faço sexo de graça” (e com o telefone do proprietário) / “te vejo no inferno”, etc. Nesse momento, todos os curiosos fotografavam a Van enquanto o proprietário estava no banheiro raspando o cabelo (??? … rsrs). Não tivemos a surpresa de conhecê-lo, mas fomos pedir a um caminhoneiro que nos deixasse fotografar seu caminhão, pois era do sul do Brasil com o sobrenome de Zena desenhado na boléia – TOMIO!.

Liguei para Dimi para avisar que nos atrasaríamos e o mesmo não acreditava no nosso “desvio” e ainda nos chamou de loucas. Depois ligou pra Lu preocupado porque nós íamos chegar tarde e estava preocupado porque eu sou dorminhoca e ele achava que eu podia dormir no volante (… rrrrrr … não gosto que me desafiem … rsrs … além do mais, eu já tinha me prevenido levando chicletes ardidos de menta para mastigar na estrada e espantar meu sono).

Retornamos, agora no sentido correto, rindo feito duas babacas e planejando comprar um GPS.

A viagem foi tranqüila, mesmo com Lu implicando porque chamei o segurança de um posto de gasolina, onde paramos para fazer xixi, de “tio”, pois ela acha isso uma ofensa e coisa de gente careta do nordeste.  Chegamos no sítio + ou – 2:30hs da madrugada. Como Dimi abriu um restaurante no sítio, logo na entrada haviam plaquinhas dos pratos do cardápio: muqueca, catado de siri, aratu, lagosta, etc … Lu logo se empolgou com água na boca e eu pensei: “ Nossa ! Eu dormi mesmo no volante pois já estou sonhando com comida!”. Estacionei e ela não queria que eu buzinasse para não acordar o caseiro e nem Dimi (???) … Mas como ? Ainda mais com um dos cachorros de Dimitri latindo pra nós ao lado do carro. Dessa vez uma PittBull branca !!! Então, como nenhuma das duas ia encarar a pittbull, dei uma buzinadinha de leve e Dimi veio nos receber junto com Cris. Torto de sono e de cueca … kkkk.

Nos cumprimentamos e fui logo me acomodando numa cama, pois a sensação de sono era a de ter mastigado o chiclete de menta com as pálpebras !

 

As 7hs Dimitri nos acordou, tomamos café e fomos pedalar eu, Lu, Dimi e Cris. Deixamos o carro lá em Serra Grande e seguimos pela nova trilha-tour tão anunciada que Dimi preparou para recepcionar os amigos. Não posso deixar de mencionar que ele é nosso ciclo-bandeirante, pois abrir trilhas ciclísticas é uma especialidade nata dele. Adentramos por sítios e mirantes com paisagens deslumbrantes (a perder de vista) mesmo com o tempo meio nublado. Toda hora ele dizia que a trilha era light … com subidas por singles tracks de até 45 graus, de mata fechada e escorregadia por causa da chuva inicial … ele só esqueceu de dizer que era “light” para os Dino-Bikers … rsrs, mas que vale a pena, mesmo no estilo Jabuti ou Empurra-bike … hehehe. Adentramos a Reserva do Conduru já debaixo de chuva, com lama e o cheiro forte de mato purificando nossos poluídos pulmões urbanos …  Ainda fomos conhecer um sítio onde os proprietários criam um caititú (espécie de porco-espinho do mato) solto no quintal. Ele é até bem sociável e curioso com seus novatos admiradores !

Em seguida ainda encontramos alguns cachorros no caminho que não mediram esforços nem timidez para brincarem conosco !

E para terminar a trilha-tour de Dimitri não poderíamos deixar de parar no mirante da ladeira de Serra Grande, mesmo debaixo de chuva, para registrarmos nossa foto dos 4 porquinhos ecológicos – estávamos elameados até a alma!

Finalizada esta trilha-show, eu e Lu paramos num posto de gasolina para abastecer e os frentistas ficaram curiosos com a aparência de duas pessoas enlameadas dentro do carro (???). Na descida da ladeira, resolvemos passar na Cabana da Empada, pois a fome deu sinais estomacais de broca (hehe). Ao entrarmos, dois clientes arregalaram os olhos assustados. Já fui logo alertando:

- Calma ! Não é nada disso que estão imaginando. Não somos mendigas. Só estamos sujas de lama !

Eles riram e Lu já foi logo pedindo sua gelada e eu escolhendo o sabor da empada no cardápio. Um dos clientes ainda bateu um papinho rápido e simpático conosco e foi embora e nós continuamos saboreando as deliciosas empadas. Por coincidência, na semana passada, saiu uma matéria sobre a Cabana da Empada de Serra Grande na revista Muito de Salvador. No Brasil, não sei por falta de “provas” … rsrs, mas aqui na Bahia não existe empadinhas mais gostosas que essas !

Retornamos para o Sítio Paraíso para um banho. Dimi já estava lavando as bikes e Cris na organização da festa junina (eu já vi mulheres trabalharem sem parar, mas esta Cris … estou pra ver igual … ela parece ter rodinhas no pé e energia vazando).

Enquanto isso, Lu resolveu soltar a jornalista encubada dentro dela e saiu pelo sítio filmando e relatando todas as atividades para a preparação da festa e a beleza do sítio. Já no finzinho da tarde fomos para a praia brincar e fazer um pega na água com Pitty (bull).

Com tudo já preparado para a festa, noite estrelada e fogueira acesa, aguardávamos a chegada dos convidados. Como Itacaré e Serra Grande é uma região de muitos estrangeiros, a festa não podia deixar de ter nacionalidades variadas. Foi o São João mais internacional que já presenciamos … rsrs pois haviam pessoas de vários cantos do mundo. Devido também ao mestre de capoeira Cabelo, que viaja por vários países ensinando esta arte e mantém em seu sítio um sistema de intercâmbio cultural com imersão em capoeira.

Também teve a apresentação de seu grupo Trovão. Por um momento, pensei estar no meio da Praça da Apoteose no Rio de Janeiro com aquela batucada conquistando e mexendo com nossos rebolados … mas retornei à realidade quando vi Lu ensinando o americano Jordan a pronunciar palavrões e ele se esforçando para pronunciar corretamente.

(gritei) - No Jordan ! That is not correct. That’s bad language and she´s crazy.

No dia seguinte organizamos tudo e  fomos para a praia para assistir e fotografar o tradicional “Bába” de futebol de São João. A diferença é que todos os jogadores trocam as bermudas e camisetas por mini-saias e tops decotados. Uma “gracinha” hehe.

Depois eu, Lu, Cris, Nick e Dimi fomos dar um passeio para conhecer a vizinhança como o energético sítio da Sol e do Gil (Solange, uma sulista e professora de natação que mora naquela região. Uma casa simpaticíssima ao lado de uma lagoa onde pudemos tomar um banho de cascata gelaaaaaado para espantar a preguiça do feriado.

Lu, com seu horto-radar, avistou mudas de coqueiro anão e foi logo colocando uma no carro.  Depois fomos conhecer o sítio do mestre capoeirista Cabelo.

Um sítio dos sonhos. Um Éden! Com lagos, gansos, gramados, coqueiros, cachorros, quiosque para aulas de capoeira, muito verde e uma cozinha externa imensa com fogão e forno a lenha onde fomos convidados para um chá de cidreira.  No caminho da cozinha atravessamos um viveiro de mudas. Olhei para Lu e avisei:

- Contenha-se, por favor !

No retorno, ela não resistiu, mas desta vez pediu ao dono uma muda de pitangueira a qual foi prontamente atendida ! E enquanto ela acomodava a muda de quase um metro no carro, eu corria de um carreirão dos gansos! rsrs

Voltamos para Serra Grande para tomar um açaí na praça e para um papo rápido com o casal Sol e Gil. Depois retornamos para o sítio já a noitinha para nos preparar para a viagem de volta à Salvador.

As 5 hs da quinta-feira retornamos para Salvador. Desta vez com a companhia de Nick, filha de Cris, nossa daliti!. Paramos no restaurante Natureza Viva para tomarmos sucos e misto de queijo com banana e, em Santo Antônio de Jesus paramos na estrada para comprar artesanato. Enquanto eu escolhia uma panela de barro para fazer moquecas, Lu apertava a protuberante barriga de banha do simpático vendedor e lotava o carro com peças artesanais de cipó fazendo de Nick uma sardinha enlatada durante o restante da nossa viagem!

Tudo bem que eu implico com as maluquices de Lu e do Garoto Enxaqueca (Dimi), mas assumo minhas rabugices … rsrs. É respeitando as diferenças que mantemos nossos amigos e amores, além, dos desvios e ocorrências nos nossos objetivos … mesmo indo para o Sul da Bahia via Alagoinhas/Aracaju … “a vida tôda” ! Kkkk.

Sítio Paraíso

criado por dimitrivianna    18:41:19 — Arquivado em: Trilhas/Viagens/Passeios — Tags:

30.1.08

Trilha de Americano no Pará

Texto e imagens: Itana Mangieri

A Família EART iniciou o calendário 2008 com uma trilha que era pra ser, digamos, normal. Mas a possibilidade de chuva, agora no inverno Paraense, estava deixando os 58 trilheiros ansiosos. Toda hora eu escutava alguém dizendo: “Trilha com chuva é mais gostoso” !

Pois bem, iniciamos a primeira trilha do ano esperando a chuva, mas não a mesma que cai todos os dias aqui em Belém. Todos desejavam um “toró” daqueles.
O início foi tranqüilo, com um sol tímido e paisagens bucólicas no meio do mato e entre igarapés.
Mas após as 13 hs a tão desejada água caiu e aí a trilha se transformou em pura adrenalina.

As estradas de terra viraram lagoas, barrancos viraram cachoeiras e os single-tracks imergiram … rsrs

Planeta água ! Água é vida e energiza tudo e todos … rsrs

Apesar da abundância aquática, retornei pra casa de lama lavada … ops ! … de alma lavada ! rsrs
Realmente, agora compreendo na íntegra: “Quanto pior, melhor” .

Até a próxima !

criado por dimitrivianna    10:58:09 — Arquivado em: Trilhas/Viagens/Passeios

21.11.07

Dino Bikers em Serra Grande . Bahia

Entre matas, montanhas, trilhas com vista para o mar, subidas de arrepiar, descidas com gritos, … foi assim a última viagem dos DINOSBIKERS ao sul da Bahia, na região de Serra Grande.

Quero agradecer a presença destes monstros do Mountain Bike da Bahia no meu Sitio. Homems e Mulheres alucinados e XTR no PEDAL.
Mais do que um grupo de ciclistas coroas e loucos por Bike, os DINOS são alucinados por aventura, adrenalina e às vezes até insanos na vontade de pedalar.
O que vale mesmo é ter vocês como meus amigos. Somos irmãos unidos por um simples desejo de curtir, respeitando a natureza.
Sinto-me orgulhoso de ser Presidente VITALÍCIO dos DINOS BIKERS. Um grupo de tanta gente boa, feliz e de paz. Um grupo de amigos de verdade !

Viva a Bicicleta de Montanha. Viva os DINOS BIKERS - os Fuzileiros da Bike … quanto pior, mióóó !

Link de muitas outras fotos no endereço abaixo:

http://picasaweb.google.com.br/dimitrivianna/DinosBikersEmSerraGrande

Até a próxima !

Dimitri Vianna

criado por dimitrivianna    20:17:20 — Arquivado em: Notícias, Trilhas/Viagens/Passeios

14.9.07

Trilha da Laranja 1

Texto e imagens: Itana Mangieri / Pesquisa cultural: Wikipédia

 Através no MSN recebi a seguinte pergunta ? – "No dia 02 de Setembro vc vai estar aqui para ir para a Trilha da Laranja ?" E a resposta foi única com duplo sentido: - "Eu vou".
Para falar a verdade, me interessei mais pelas laranjas ! Mas uma pedalada no meio dos laranjais não me faria mal, mesmo porque precisava desenferrujar e desopilar e quando me sinto estressada, só aventuras assim me equilibram.
Ourém fica à 182Km de Belém. O grupo EART (Equipe de Aventuras Ratos de Trilhas) resolveu fazer essa trilha em duas etapas. Acordamos cedo e na rodoviária de Belém, ajeitamos nossas bikes no bagageiro do ônibus e seguimos para a cidade de Santa Maria/PA. No ônibus a empolgação era mútua entre os trilheiros e, desde minha vinda para o Norte, sinceramente já estava aguardando a chegada das piadinhas de "baiano" que sempre as escuto com muito bom humor, mas desta ainda estou rindo, né Serginho ? Enquanto o sono da manhã me permitiu uma rápida cochilada, ele me perguntou se eu estava rezando o terço. Eu disse: - Terço ? Não entendi. E ele perguntou se eu não sabia como baiano reza o terço. Eu disse que não e aí veio a explicação (piada): - Pega o 1ºmistério e reza: "Pai nosso que estais no céu ….", 2º mistério: "bis", 3º mistério: "bis, … "bis", … "bis", … "Bis", … (rsrsrs). Bom, "Éramos seis", inicialmente para a primeira etapa, mas por um imprevisto e por força materna, uma das trilheiras, Ádila, teve que retornar, pois sua filha estava febril. Fizemos uma oração emocionados, tiramos a foto inicial e de lá seguimos pedalando até Ourém que, segundo dados calculados nos GPS’s dos trilheiros o trecho era, de aproximadamente, 70 km. Então iniciamos a pedalada como um "Quinteto Fantástico" às 9:25 hs (eu, Serginho, Fábio, Neto e Edson). As estradinhas eram lindas, sem movimento, sobe e desce, seixo/cascalho e trechos de areia quando meu câmbio começou a enroscar nos raios a cada mudança de marcha e foi aí que, quando paramos em Taciateua/PA para verificar o problema e desentortar o câmbio, aproveitamos para fazer um lanche (já eram 11 hs), sol já estava alto, prometendo "ilusões solares", quando o Edson perguntou onde iríamos parar para almoçar. Serginho, naturalmente, lhe disse que almoçaríamos só quando chegássemos em Ourém. Edson ficou pálido e a água na boca secou ! - Como ? Mas eu queria comer uma galinha à cabidela … . E aí o papo rolou sobre pratos típicos da localidade mesmo sem a esperança do almoço desejado. Fizemos um lanche reforçado com tapioquinhas, refrigerantes, sanduíches e coalhada. Seguimos o caminho por estradas de terra entre fazendas. O sol castigada cada vez mais e cada parada, fosse para consertar uma corrente quebrada ou encher um pneu, tentávamos parar numa sombra que, por sinal, eram raras. Meu câmbio piorou, as mudanças de marchas eram restritas e assim o esforço a cada pedalada foi maior.

 Após uns 40 km pedalados e com sombras e paradas cada vez mais escassas, eu perguntava ao Serginho: - "Cadê os igarapés ? Preciso de um banho para me restaurar ! E ele respondia: - Faltam 5 km. Tá logo ali com água fresca e peixinhos nadando ! E o Fábio: - Claro que eles estão nadando ! e não voando ! (rsrsrs) … E eu, além de me animar, acreditava. De repente, numa ladeira de seixo/cascalho, o Edson salta da bike, se curva, se joga no chão e grita: - Tô com câimbra ! Eu e o Fábio vínhamos atrás e paramos para ajudar, mas o cansaço falou mais alto e eu tirei a mochila de hidratação das costas e deitei nas pedras quentes para esticar a coluna e alongar, como se estivesse me deitando num colchão ortopédico king box. Enquanto o Edson massageava suas pernas, o Fábio comentou o seguinte: "Alguém tem medo de cobra ? Pois tem uma pequena logo ali". Imediata e discretamente eu me levantei do chão, montei na bike e pedalei me aproximando do Serginho e Neto. … Morro de medo de cobras. Paramos para tirar umas fotos e seguimos até que, alguém viu um poço no fundo de uma casinha na estrada e pedimos à dona para nos deixar tomar um banho. Ela permitiu. Esse foi o banho mais gostoso que tomamos até então. Puxávamos a água com um balde do poço e despejávamos em nossa cabeça. Estava fresca e era potável. Parecia um choque térmico em nosso corpo e nos deu uma "energizada" providencial para continuarmos. O semblante de fome do Edson era tão forte que, ao vermos um pato caminhando e rebolando em nossa direção, ao ver Edson ele se desviou rapidinho. A cena foi muito engraçada apesar de todos nós já estarmos fantasiando, a cada animal visto na estrada ou pastando, um espeto de picanha, leitão à pururuca com uma maçã na boca, galeto assado … noooosa ! … mesmo com o sol derretendo nosso cérebro, nossa imaginação continua fértil ! rsrs.

 Mas neste momento os tão esperados igarapés começaram a surgir e aí descobrimos que o que não falta no caminho são igarapés para banho de água filtrada pelas jazidas de seixo (cascalho) existentes naquela região. Parávamos em cada um deles não somente para um banho refrescante, mas para fotos e apreciar suas águas relaxantes e límpidas além das crianças nativas da região que brincavam e banhavam-se nuas e soltas naquelas águas puras que a natureza lhes proporciona.

 Entre as comparações de percurso de ciclo-computadores e GPS’s iniciou-se as divergências de kilômetros restantes até a chegada à Ourém. Num faltava 7 km, noutro 10, noutro 17 km, mas mesmo contando as margens de erro para mais ou para menos, a kilometragem restante era em linha reta … sendo que a estrada era totalmente sinuosa (ai ai … seja o que Deus quiser … rsrs) … Já eram 16 horas e o sol e o cansaço não amenizavam nossa trajetória. Os incentivos e motivações eram constantes e até trocamos de bikes. Neste momento, passa por nós um ônibus da Prefeitura de Ourém e então pedimos uma carona. O motorista topou na hora. Coloquei a minha bike dentro do ônibus e segui. Além de alguns passageiros que me olhavam curiosos e perguntavam de onde o grupo estava vindo, tinha um cantor que tocava sua viola para animar a viagem. Após 1 km o motorista parou num boteco, deixou os passageiros no ônibus e desceu para tomar "uma dose". Em seguida, o grupo, que continuou pedalando, avistou o ônibus e pararam para saber o ocorrido. Neste momento o motorista veio me trazer uma garrafa de refrigerante bem gelada e eu aceitei na hora. Desci do ônibus e fomos conversar com os outros ciclistas. Foi aí que percebemos que ele estava bêbado. Fábio conversou com ele numa boa sobre segurança no trânsito e me perguntou se eu queria continuar. O motorista disse que faltavam 5 km para chegar em Ourém. Edson ia entrar no ônibus para me acompanhar por medida de segurança, mas com a proximidade decidiu concretizar a pedalada e eu segui de ônibus, com o motorista que, mesmo bêbado e falando ao celular, dirigia bem devagar e me dizendo que para homem ele não dá carona ( ! ). E ainda fez um city-tour na cidade para que eu a conhecesse além de me deixar, gentilmente, na porta da pousada onde o grupo passaria a noite. O cansaço era evidente, mas a fome gritou. Nós cinco ainda saímos pela cidade caminhando à procura de um restaurante aberto para comermos qualquer coisa, mas não encontramos. Então pedimos 2 pizzas grandes que foram entregues no hotel e as devoramos em pouco tempo seguida de uma barra de chocolate como sobremesa. Outros ciclistas já estavam chegando ao hotel para se prepararem para a segunda etapa da trilha no dia seguinte. Depois de um banho e um bom bate-papo alguns foram para cama dormir cedo e outros foram papear e comer um peixe na beira do Rio Guamá.

criado por dimitrivianna    20:44:53 — Arquivado em: Trilhas/Viagens/Passeios

Trilha da Laranja 2

 

 

No dia seguinte, durante o café da manhã o encontro foi maior, o câmbio da minha bike foi trocado para que prosseguisse na etapa do domingo e seguimos para uma fazenda que foi o ponto de encontro e de saída da Trilha da Laranja à aproximadamente 1 km do hotel, que além de um lugar muito legal, tem até criação de avestruz. A concentração estava animada com os garotos da região ansiosos para receberem seus presentes, que foram doados pelo grupo para incentivá-los na prática do Montain Bike, com segurança. Vários capacetes e luvas foram distribuídos entre eles que iriam nos acompanhar por cerca de 55 km. Suas bikes não eram apropriadas para o Montain Bike. Eram pequenas, sem marchas e até sem freios, mas a alegria deles era tão grande que esses "detalhes" não fizeram a menor diferença para eles. Nós, o grupo, sim, para eles, parecíamos uns ET’s …. rsrsrs. Após a oração, orientações, contagem geral (58 ciclistas) e agradecimentos, seguimos juntos passando inicialmente pelo centro de Ourém e pela igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, construída em 1939 no estilo gótico, que é palco de duas grandes festividades anuais: a festa da padroeira e a de São Benedito. O Círio de Nossa Senhora da Conceição acontece sempre no terceiro domingo de agosto. Após esse cartão postal, atravessamos a ponte e iniciamos a trilha. Os garotos correram na frente para nos aguardar na primeira poça de lama para "batizar" seus convidados com lama. Alguns torceram o nariz para a brincadeira animada da garotada, porém outros levaram na esportiva como um tratamento de pele … rsrs. O sol já começava a castigar e os trechos de seixo/cascalho e areia se intercalavam entre um sobe e desce incessante recheado com uma ladeira interminável. O que compensava eram os laranjais onde parávamos para chupar laranjas no pé fresquinhas e água de côco que a garotada arrancava dos coqueirinhos, quebravam-os nos eixos das rodas de suas bikes e os dividiam conosco para matar a sede. Alguns pneus furados e quedas aconteceram, mas nada grave. Até uma vaca parindo no meio do laranjal foi fotografada e filmada.

 

Nessa trilha tivemos parada até para um chopp estupidamente gelado (! ? !) (chopp no Norte é sinônimo de geladinho ou chup-chup … rsrs). Alguns igarapés no caminho, irresistíveis para uma refrescada, até chegarmos a um hotel balneário com piscina natural, cachoeira e toboáguas.

 

Lá nos "soltamos" para um banho relaxante, fotos e para almoçar. Depois dessa pausa, restavam ainda uns 17 km até o ponto de partida em Ourém e retornamos vitaCminados. Foi, logo na saída do balneário, que Carol e André, cairam numa ladeira de alto grau técnico. Ela ferindo o queixo e ele arranhando o braço, a perna e quebrando o capacete. São nessas horas que percebemos a importância dos acessórios de segurança, principalmente o capacete ! Mas após os primeiros socorros, voltamos todos pedalando e finalizando o domingo com uma trilha "naturalmente exuberante" num percurso de 55 km !
Ourém tem sua economia baseada na exploração de seixo/cascalho e é a maior produção do Estado do Pará. A origem do nome Ourém tem duas versões: a primeira e oficial, diz que seu fundador, Luis de Moura, para demonstrar o poder de sua conquista à Europa, batizou a cidade com o mesmo nome de sua cidade natal em Portugal e, a segunda versão é a de que os desbravadores achavam que lá havia muito ouro e outras pedras preciosas, mas, ao constatarem que, além de não ter ouro, além de seixo/cascalho, diziam: "Ouro, hein ?"

Agradeço especialmente à família EART (Equipe de Aventura Ratos de Trilha – PA), aos coordenadores Serginho e Fábio pelo incentivo e paciência em trechos de sol à pino (mesmo porque também faço parte do Grupo Jabutis Vagarosos – BA) e ao "Dengue" pela gentileza em trocar meu câmbio por um câmbio extra do Serginho.

… a próxima Trilha é a do "Bagaço" !!!

Publicado também em www.trilhaseaventuras.com.br / www.amigosdebike.com.br / www.muraldebugarin.com / www.pedal.com.br e www.eart.esp.br

Itana Mangieri

criado por dimitrivianna    20:37:29 — Arquivado em: Trilhas/Viagens/Passeios

15.8.07

Trilha do Galo EART Pará

 

 

A próxima trilha da Família EART (Equipe de Aventura Ratos de Trilha) irá pedalar no município de Vigia de Nazaré, ou mais conhecido como Vigia.

Uma das cidades mais antigas do nosso estado. Grande destaque para os casarões e a igreja de Pedra.

O Círio (manifestação religiosa) mais antigo também é o de Vigia.

Quem nunca tomou o caldo de GURIJÚBA, esse é o principal peixe da cidade.

Informações gerais:
DATA: 19/08/2007 (domingo).
LOCAL DE ENCONTRO: Panificadora Trigal (viaduto da BR-316).
HORÁRIO: 06:00h.
DIFICULDADE: Não recomendada para iniciantes
PERCURSO: 50km.
Guia: Manuel Ferraz.
Trilha INÉDITA.
(integração com floresta)
(integração com trilha / terra).
(integração rio / lago / mar).

Clima:
(sol a pino).
(possibilidade de chuva).
(vento contra).
(vento a favor).

Alimentação e Hidratação Recomendada:
Barra de cereal.
Muita água.
Gatorade.
Sandubas diversos.
Doces em geral.
Banana desidratada.

Acessório recomendado:
Óculos de lente transparente.

Equipamentos obrigatório:
Capacete.
Luvas.
Tênis apropriado.
Câmara reserva.

- Consciência Ambiental - Lembre-se que você está passando por ambientes onde a natureza ainda está razoavelmente preservada, apesar das plantações e derrubadas, então não custa nada avisar;
- Não jogue lixo no chão.
- Traga tudo que levar.
- Por onde você passar, procure deixar apenas as marcas do seu pneu.
- Não maltrate os animais que encontrar pelo caminho.

Aviso

Comunicamos a todos os ciclistas que:
Ao participar dos passeios promovidos pela EART, o biker assume que esta fazendo-o por livre e espontânea vontade e assumindo todos os riscos, ficando responsável por sua própria integridade física e guarda de seus objetos e pertences, assim como o seu deslocamento até o local onde ocorrer a trilha.
Os passeios são realizados, na maioria das vezes, em áreas de difícil acesso, em ambientes rústicos e isolados, e apesar de serem tomadas providências à minimizar os riscos nas áreas mais radicais, acidentes podem acontecer e cabe a cada um a decisão de continuar ou não de acordo com suas limitações.

IMPORTANTE:

O participante que tiver qualquer restrição em relação a saúde (alergia a picada de insetos, eplepsia, asma, etc…) deve trazer consigo seus medicamentos, com descrição de dosagem a ser aplicada caso ocorra qualquer anormalidade durante o passeio no seu estado de saúde.
_________________
Sérgio Batista
"Na Estrada ou na terra, de dia ou de noite, estamos lá… por vezes até em pastos, matas, ribeiras, na lama, e lagoas. O gosto pela bike é ponto comum aqui".

criado por dimitrivianna    07:18:59 — Arquivado em: Trilhas/Viagens/Passeios

13.8.07

Trilha de Sirituba na Ilha de Trambióca PA

Por Itana Mangieri

Os atrativos naturais existentes em Barcarena podem ser contemplados por meio de suas belas praias de água doce. Na Ilha de Trambioca existem cerca de nove praias com destaque para a de Sirituba, onde é possível observar a exuberância da vegetação típica da Região Amazônica, bem como a vida do povo nativo que ocupa as margens dos rios.

A trilha de bike começou cedo com uma parte dos 60 ciclistas saindo de Belém de barco Foca, ao lado do mercado Ver-o-Peso e outra parte dos ciclistas, seguindo de carro na balsa que sai da Av.Bernardo Sayão. Ambos os roteiros levaram os ciclistas até o ponto de encontro e partida no porto e mercado Municipal de Barcarena.
O percurso durou cerca de 45 minutos e foi uma viagem agradável, onde a beleza natural, o trânsito matinal dos barcos e os moradores ribeirinhos nos acompanharam o tempo todo.

Enquanto o grupo ia se juntando, aproveitamos as barraquinhas do mercado para tomar o café da manhã e comer tapioquinhas.
Iniciando a pedalada, seguiram todos pelo asfalto por 2 km até outra travessia no rio por barquinhos chamados de Catraca, por 5 minutos, até a Ilha de Trambioca. Mais ou menos 8 ciclistas em cada Catraca, junto com balanços, desequilíbrios e muitas gargalhadas.

 

Essa trilha foi quase toda percorrida por single-tracks, mata fechada e estreita (quase nos enroscando nos galhos), cheiro de mato, pássaros, borboletas e, durante as paradas para trocas de pneus furados, macacos.
Com a maré baixa, trechos secos e pedalados por caminhos de palafitas regados de jambo nas laterais. Impossível deixar de comê-los.

Um pouco antes de chegarmos à Praia de Sirituba, a chuva e a adrenalina chegaram juntas. A experiência de pedalar por single-tracks debaixo de chuva e enlameados com as rodas deslizando sobre as raízes da mata, foi emocionante.
De repente, avistamos a praia. Um visual digno de registro em nossas máquinas fotográficas. Continuamos seguindo pela areia da praia sob a chuva até o restaurante onde almoçaríamos.

Porém, antes do almoço, nada melhor e confortante que um banho na praia de água doce … e queeeente ! Ali ficamos “de molho” por quase uma hora relaxando nessa “hidro-natural”!
Após o almoço, seguimos para a etapa “de volta para casa”. Uma parte retornou pelo asfalto e outra refez a trilha.
Entre pneus furados, paradas para troca, chuva, muita lama e deslizadas … o resultado define perfeitamente o que os ciclo-trilheiros do Pará dizem por aqui: “Quanto pior, melhor !!!”.

Até a próxima !

Itaninha

criado por dimitrivianna    23:20:47 — Arquivado em: Trilhas/Viagens/Passeios

2.7.07

Trilhas da Ilha de Marajó . PA

Texto: Itana Mangieri

O passeio a princípio seria de apenas um dia, saindo e voltando no domingo, mas quando a idéia foi lançada, sugeriram que fosse feito em dois dias e com uma parte da galera dormindo em barracas. Essa sugestão foi prontamente aceita. Porém, a organização resolveu dar um pouco mais de infra-estrutura elaborando um pacote com a “Rumo Norte Expedições” e, dentro de um acordo que a EART tem em divulgar o turismo de aventura dentro de várias associações no Estado.
Como é de praxe, a EART, organizou, deu os caminhos das pedras e cada integrante fez a sua parte comprando passagens e reservando hotéis, pois na verdade, como não cobram nada pelos passeios, não é justo arcarem com todas as responsabilidades, apenas a organização durante o passeio propriamente dito.
Houveram duas opções de deslocamento até o porto de Camará, na ilha do Marajó: de balsa saindo de Icoarací, com dois horários: 4:30h e 6:30h e de barco as 6:30h, saindo do Cais do Porto, galpão 10, em Belém.
A maioria dos ciclistas foram na balsa de 6:30h e a travessia em todos os casos durou 3horas onde todos se encontraram no ponto de partida em Camará. Alegria geral. Reencontros e novos amigos preparados para mais uma aventura da família EART.

 

No momento do encontro geral, confesso um frio na barriga. Não por não conhecer ninguém ainda, mas pelo número de ciclistas reunidos e a energia positiva entre todos.
Após checagem das bikes, pneus, informações e instruções básicas, oração e fotos, ás 10h a equipe, com 70 ciclistas, partiu rumo às trilhas da Ilha de Marajó.
O dia de sol contribuiu para o cenário desta aventura e, entre alguns pneus furados, paradas para agrupamento e descansos meio ao serrado de Marajó, o bate-papo fluía e eu aproveitava para conhecer mais alguns integrantes do grupo.
O percurso incluiu refrescadas em igarapés, com brincadeiras de "entrar pelo cano" atravessando de um igarapé à outro por uma tubulação larga que passava debaixo da estrada, cuidados ao atravessar Igarapé de água cristalina carregando bikes, pra não deixar o óleo das correntes encostar na água e poluí-la e aproveitando cada refrescada para um lanchinho rápido.
Single tracks, plantações de abacaxi, mais trechos de serrado com o sol à pino (observados por alguns cavalos e búfalos pastando), vilarejos, estrada de areia e, por fim, a estrada de asfalto, quando o grupo se reuniu para uma relaxada e um refrigerante gelado.

 

Já passava de meio-dia e o grupo seguiu para o Joanes para o tão esperado almoço na Peixaria Sales. Enquanto alguns escolhiam o cardápio de peixes e caldeiradas e aguardavam os pratos, outros aproveitaram para um banho na prainha de água doce, fotos e mais bate-papos.
Logo após o almoço, partiram em direção à Salvaterra (para as pousadas onde se hospedaram). Durante o trajeto, para aliviar o cansaço que já começava a bater em alguns bikers, acompanhou-os uma chuva refrescante e a solidariedade dos mais resistentes em apoiar os mais cansados. Inclusive com uma cena romântica (entre tantas): o casal de vídeo-makers pedalando na chuva, em sua Bi-bike, sob um guarda-chuva. Como sou novata no grupo, nesse momento, quando a estrada parecia não ter fim, comecei a refletir sobre o verdadeiro significado da família EART (a união).
A chegada às pousadas foi junto com o pôr-do-sol. Uma parte do grupo acomodou-se na Pousada Aruaque – em Salvaterra e a outra parte na Pousada Paracauary em Soure – do outro lado do rio. Na Pousada Paracauary montaram-se no gramado cerca de 10 barracas de camping, dando um colorido especial ao local. Os cicloamigos se reuniram à beira da piscina para um banho e para relaxar. Após o jantar, a Prefeitura de Soure ( considerada capital da Ilha de Marajó), os recepcionou com uma apresentação de Carimbó com músicos e dançarinos, onde os ciclistas aproveitaram para entrar na dança. Foi uma noite agradável e relaxante após uma média de 70 Km pedalados !
Ao amanhecer e após o café da manhã com o típico queijo marajoara e leite de búfala, o grupo se dividiu: Um grupo de ciclo-médicos (dentista, ginecologista e otorrino) foi para o centro de Soure prestar atendimento gratuito à população, outro grupo seguiu para a Fazenda Bom Jesus para uma visitação aos lagos e serrados de Marajó, montagem em búfalos, para um rápido lanche marajoara e para uma apresentação do museu/capela da proprietária da fazenda, Sra.Eva - museu construído com materiais tradicionais e reciclados da Ilha de Marajó por seu pai e sua irmã, que é colecionadora de arte sacra - , e outros resolveram seguir direto para a praia, sempre montados em suas bikes.
Na saída da fazenda o grupo fez uma pausa na Lagoa Azul para um banho refrescante. Lagoa Azul mesmo ! Após o banho e pulos na água, o grupo resolveu realizar uma corrida de aventura. Alvoroço geral e muita risada ! A organização teve até categorias. Teve ciclista que esqueceu de levar a bike para o início do trecho de pedal e queria pegar a do colega emprestada, outro caindo da bicicleta, corredor tropeçando e caindo no meio do mato e embolando quem vinha atrás, nadador retornando para a beira da lagoa e descansando numa ilhota, outro chegando na direção errada … Essa corrida de aventura estava mais para corrida maluca. Vencedores e vencedoras felizes e outros competidores se justificando e querendo entrar com recurso para impugnar a prova. Mas a diversão foi emocionante !
A pedalada de retorno para as pousadas para um banho e almoço foi rápida para, juntos, embarcarem para Belém, de navio, partindo de Soure às 15h. Pontualmente o barco partiu, mesmo com ciclista embarcando às pressas por ter chego em cima da hora. A viagem de retorno, muito agradável, durou 4h e foi uma comunhão de amigos reunidos com suas bikes. O grupo pôde assistir trechos do vídeo das trilhas (ainda sem edição) e dar muitas gargalhadas. E, ao som e imagens de vídeo-clips dos anos 70 e 80, alguns deram uma demonstração de coreografia dançante da época. Ao final da viagem, ainda fomos brindados com um mágico pôr-do-sol.
Antes de chegar a Belém fizemos a última oração e ao final todos confraternizaram, em forma de abraços. E ainda faltava a última demonstração de união do grupo, com todos fazendo uma corrente humana para desembarcar as bikes do navio.
E para finalizar, ainda tinha pedal até chegar em casa.
Essa aventura ficará na memória e corações de todos os participantes e já entrou para o calendário anual EART. Ainda bem !!! Pois foi nessa que me “batizei” na família EART, conheci novos amigos e já estou ansiosa para as futuras pedaladas.

Até a próxima !!!

criado por dimitrivianna    20:30:15 — Arquivado em: Trilhas/Viagens/Passeios

11.6.07

Trilhas do Descobrimento Itacaré na Bahia parte 1

(Texto: Itana Mangieri)

 

Um grupo de 8 ciclistas, dos mais variados estilos (atleta, trilheiro, jabuti, cicloturista e urbano), resolveram aceitar o convite do amigo Dimitri para conhecer seu sítio (Sítio Paraíso) em Itacaré, no sul da Bahia, para curtir o feriado de Corpus Christie e conhecer as "Trilhas do Descobrimento".
Convite aceito e com tudo organizado, partimos de Salvador na quinta-feira (07 de Junho) às 5 horas da manhã rumo à nossa cicloaventura. "São Pedro" estava prometendo chuva, mas cedeu às nossas boas intenções. A estrada estava boa e tranqüila. A primeira parada foi na BR 324 para o café da manhã e seguimos ansiosos. A segunda parada foi no restaurante Natureza Viva – um lugar mágico – com muito verde, peixes, beija-flores e o cenário perfeito para fotos e também para provarmos o suco de pitanga roxa ! Mais à frente, outra parada. Que não estava programada, pois o trânsito foi interditado para o resgate de um caminhão de cimento que tombou. Permanecemos nesta parada por quase 1 hora e nos alongamos, espreguiçamos e fizemos outras amizades. Ao chegarmos no Sítio Paraíso, às 15 horas, fomos calorosamente recepcionados pelo casal que cuida do sítio, Cláudio e Nalva, além de seus filhos Washington e Wellington. Todos nós ficamos boquiabertos com a beleza do local: um gramado gigantesco, cheio de coqueiros em volta da casa onde nos hospedamos e a praia à sua frente … deserta ! O barulho local era somente do mar, dos pássaros e do vento.
Enquanto descarregávamos as bikes e malas dos carros, Nalva servia o almoço na mesa da varanda, de frente para o mar. A cesta foi inevitável. Nos acomodamos em redes espalhadas pela varanda e cochilamos até o entardecer, quando uma parte do grupo pegou suas bikes e saíram para o reconhecimento inicial da região indo até os mirantes para se deslumbrar com as paisagens. Quando a noite caiu e o frio chegou, depois do banho e do café, nos reunimos na varanda, disputando as redes para bater papo e aguardar o horário de ir para Ilhéus buscar Aléssia, mais uma integrante do grupo que veio direto de São Paulo.
Ao amanhecer o dia com céu de brigadeiro e após o café da manhã, seguimos para as tão esperadas "Trilhas do Descobrimento". Trecho de asfalto e ladeirão até o primeiro mirante. Fotos e braços abertos para agradecer à Deus por tão bela e rica natureza ! Primeiro ladeirão seguido pela primeira queda (de maduro) de George. Pequeno desequilíbrio, sem ferimentos e com pôse para registro no nosso diário de bordo (rsrs). Início da mata e trilha com outro ladeirão escorregadio e íngreme que gerou a queda de Lu Saraiva – bike para um lado e ela pipocando pra frente (catando nica … rsrs). O suficiente para segurarmos as bikes e descermos com responsabilidade (ladeirão para pró-profissionais). Lá embaixo, entre uma plantação de coqueiros, seguimos pedalando ouvindo o barulho do mar ao lado de uma praia deserta e sobre um areal tããããããooooo macio ! Subimos mais algumas ladeiras, por caminhos verdes, frescos, molhados e de ar puro. De repente, Puff ! Pifei por causa de uma crise respiratória e tive que ser rebocada por Cláudio (nosso anjo protetor – um touro de tão forte !) e Dimitri até o mirante onde o grupo nos aguardava. Lá me reestabeleci e, junto com Ayla, resolvemos retornar para o sítio enquanto o restante do grupo continuava a trilha. Continuação por meio de fazendas encantadoras, pontes, rios e pântanos. Carregando as bikes com a água quase na cintura e, com Cláudio, aterrorizando sobre a presença de cobras no local (rsrs … truque que ele usou para "incentivar" o grupo à atravessar o pântano mais rápido). Enquanto isso, eu e Ayla, descíamos a estrada pedalando devagarzinho e apreciando as paisagens de Serra Grande lá de cima.
Após um banho de mar para aguardar o restante do grupo chegar para o almoço, fomos caminhando até o encontro do rio com o mar, enquanto a maré estava baixa, local de águas tranqüilas e ilhotas de areia. Após o almoço, com tucanos voando livres pelo cocqueiral, tiramos um cochilozinho e Cláudio conseguiu madeira seca para nossa fogueira noturna em meio ao coqueiral. O jantar foi preparado pelo ciclo-cookier George Argolo – uma gostosa macarronada com creme de leite. Depois fizemos pipoca, comemos junto com as crianças Washington e Wellington e nos deitamos, um a um, lado a lado, ao lado da fogueira para nos aquecer do vento frio. Olhando para o céu entre as folhas dos coqueiros, coberto de estrelas, apontando as cadentes (eram tantas que se nós tentássemos contá-las, perdíamos a conta), batendo papo e contando piadas.

(continuação abaixo)

criado por dimitrivianna    19:44:06 — Arquivado em: Trilhas/Viagens/Passeios

Trilhas do Descobrimento Itacaré na Bahia parte 2

(Texto: Itana Mangieri)

 

O sábado amanheceu mais agitado. Todos tomamos um café da manhã reforçado, nos preparamos (com bombinha para asma, aminoácidos, gatorate, sais minerais, barrinhas de cereais, castanhas, chocolates e muita água) e seguimos para mais uma trilha. Depois de 6 km de asfalto chegamos à porteira da Fazenda Caititu. Adentramos e chegamos ao delírio ! Cada passagem, ladeira, single track, mato, muito mato, tiririca, escoreações, escorregões, lapiações nos braços … até chegarmos ao sítio do Alemão (um cantinho encantado escondido no meio do mato). O caseiro Reginaldo veio nos recepcionar e nos deixou "atacar" o jambeiro carregado de frutos doces. Descansamos, tiramos fotos, nos reabastecemos e continuamos pelas trilhas. Trechos de beleza inigualáveis. Nos sentimos nas florestas das fábulas infantis. Seguimos por single tracks estreitos beirando rios cristalinos até chegarmos numa cachoeira linda onde, preparados com roupas de banho, nos jogamos na água estupidamente gelada e límpida. O barulho da cachoeira parecia nos enfeitiçar. Subimos nas pedras, deitamos e ficamos recebendo a hidro-massagem das águas que caiam sobre nossos corpos. Brincamos e relaxamos ali por uma hora e depois retornamos, seguindo por trilhas diferentes. O grupo se dividiu. Eu e Ayla seguimos por último, acompanhadas de Cláudio (nosso anjo protetor, como ele mesmo se entitulou), sem forçar nossa resistência. Entre subidas e descidas, o ritmo "empurra-bike" vigorou e assim pudemos curtir mais a natureza e os riachos que atravessamos. Claro que, com Cláudio, nos aterrorizando com estórias de onças que comiam crianças nos locais onde passávamos (só que esse truque dele já estava manjado ! rsrs). O cansaço se estabeleu e ao perguntarmos à Cláudio se a estrada de asfalto estava longe, ele respondia: falta só mais uma subida e uma descida e aí chegamos … só que ele disse isso 4 vezes (rsrs). Ao chegarmos ao asfalto para encarar mais 6 km debaixo do sol das 15 horas, resolvemos liberar Cláudio para pedalar na frente e ficamos aguardando nosso "socorro/reboque" (Dimitri e Cláudio) vir nos buscar na pickup "Bombril" de George. Enquanto isso ficamos na estrada, sendo paqueradas pelos surfistas que seguiam para Itacaré (ôôôô … espera divertida ! rsrs). Cláudio encontrou o primeiro grupo ainda na estrada, no mirante, apreciando as paisagens e os atletas do parapente. Após nos socorrerem e já de volta ao sítio, com o almoço de Nalva nos esperando na mesa, deu tempo para um banho de mar. Depois do cochilozinho da tarde, fomos para Itacaré passear, fazer compras e comer pizza. Ao retornar, encontramos o sítio todo apagado e sem ninguém. Entramos e começamos a ouvir barulho de gato do mato. Suspense e preocupação: será que é onça ? Procuramos daqui. Procuramos dali e nada ! E, após Xan e Aléssia acenderem as luzes, Dimitri e as crianças, Washington e Wellington, pularam da árvore onde estavam escondidos imitando os gatos do mato ! Muita gargalhada !
Combinamos um domingo livre para descansar, ir à praia, pedalar, dormir até mais tarde … pra relaxar ! Dimitri foi pedalar, uns foram para o rio, outros para praia (depois se encontraram), Ayla dormiu bastante, Cláudio foi buscar aipim que ele mesmo plantou, as crianças brincavam com os cachorros Lula e Juba e Nalva nos torturava, lá de longe, com o cheiro do peixe vermelho (huuuummmm….) que ela nos preparava para o almoço de despedida.
O feriadão foi marcante e já com projetos para repetí-lo. Organizamos as malas e bikes nos carros e seguimos para Ilhéus para embarcar Aléssia que retornou para São Paulo. Paramos na Casinha de Chocolate para recuperar algumas calorias deixadas nas trilhas e retornamos para Salvador chegando em casa 23 horas.
Viagem tranqüila e FANTÁSTICA !!!
Agradecimentos especiais à:
- Dimitri, pelo convite;
- Nalva e Cláudio (nossos anjos protetores) que cuidaram da gente como filhos !
- e Deus, que nos tornou amigos (de bike e de coração)

Mais fotos poderão também ser visualizadas no site www.amigosdebike.com.br, www.muraldebugarin.com e no Meu Zine - www.amigosdebike.com.br/zine.

criado por dimitrivianna    19:33:37 — Arquivado em: Trilhas/Viagens/Passeios

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