3.12.08

Sazonalidades !

Texto: Itana Mangieri

Ano de eleição para prefeito é uma beleza ! As obras de fachada necessárias são realizadas em menos de 6 meses. Tudo rapidinho para que a população vote e se lembre qual prefeito as realizou e deixou sua marca nas placas de bronze de honra ao mérito. Se é que podemos chamar a praça, calçadão e ciclovia da Av.Centenário de mérito, pois após a primeira chuva ela ficou submersa. Talvez tenham esquecido de comunicar aos usuários que também poderia ser usada para natação e mergulho. Mas não posso ser tão cruel e crítica, pois pelo menos temos agora mais uma ciclovia na cidade. As eleições acabaram, os cidadãos ainda estão sob efeito ilusório de tantas promessas (inclusive a do metrô que ainda não possui trilhos, mas que já possui trens (!!!)), o prefeito foi reeleito e a cidade continua em estado de emergência na saúde, na educação (que está desabando em seus alunos), no trânsito caótico, na segurança, etc …
A Lei seca que parecia ser uma esperança para pedestres, ciclistas e motoristas responsáveis nos finais de tarde de sábados, domingos e feriados para não serem agredidos e despejados das ruas e avenidas por motoristas bêbados que retornam de suas bebedeiras, foi por água abaixo. Os postos de fiscalização não são mais realizados em pontos estratégicos previamente conhecidos e divulgados por e-mail para os espertos que bebem e, caso se lembrem, consigam evitar tais localidades para escapar da blitz.
Dezembro chegou.
As decorações de natal já enfeitam a cidade desde o início de novembro iluminando as noites e contra-dizendo as campanhas ecológicas de uso consciente e coerente de energia elétrica. Acho que algumas pessoas pensam que o fluxo das chuvas desta época geram mais potência para as turbinas das hidrelétricas, permitindo-lhes futilidades sazonais, do que as catástofres ambientais como as de Santa Catarina. Muitas pessoas estão atolando os shoppings para, desesperadamente, usar seus décimos-terceiros em compras e presentes sejam de marcas famosas originais, genéricas, similares ou piratas. Outras lotam academias de ginástica para ficarem em forma para desfilarem no verão – como se o verão e o carnaval fossem as únicas estações para exibir saúde – enquanto no restante do ano permitam-se somente o exílio para engorda e hibernação.
Professores particulares fazem malabarismos para salvar crianças e adolescentes das provas de recuperação e permitir que curtam suas tardes de férias escolares dentro de shoppings em companhia de suas trilbos.
Outras atividades sazonais também são necessárias nessa época de final de ano (e durante todo o ano também) como fazer uma faxina em casa e separar o que não se usa mais e doar para quem necessita, fazer projetos para melhorar sua qualidade de vida ou reavaliar projetos anteriores, estudar, ler, criar, cultivar a fé, fazer panetone e saborear umbú,

criado por dimitrivianna    23:41:23 — Arquivado em: Artigos

1.12.08

Em nome do Amor e da Bicicleta

Matéria da jornalista Jeanne Calegari
Revista Época

Paulistano resolve unir suas duas paixões e vai de bike pedir a namorada em casamento, acompanhado por mais de 200 amigos ciclistas.

Entre casar e comprar uma bicicleta, o casal Luiz Humberto Sanches Farias, 23 anos, e Patrícia Simões, 31 anos, ficou com os dois. Ele teve a companhia de mais de 200 ciclistas para pedir a mão dela em casamento, em um bar no Pacaembu. Ela, que nunca andou numa magrela, disse sim, com lágrimas nos olhos, e prometeu: vai comprar uma bike e aprender a pedalar.

O executivo de compras e morador do Bairro do Limão Humberto, mais conhecido pelo apelido, Tokinho, participa há oito meses da Bicicletada, encontro de ciclistas que se reúnem na última sexta de cada mês para celebrar a ocupação das ruas por veículos não-motorizados. O trajeto é decidido na hora, no local da concentração, na Praça do Ciclista (esquina da Av. Paulista com a R. Consolação). O movimento, inspirado na “Massa Crítica” de São Francisco, é horizontal, não tem líderes e é aberto a qualquer um que queira participar. Normalmente, é descrito como uma “coincidência organizada”.

Na Bicicletada de novembro, que ocorreu na sexta, dia 29, Humberto fez um pedido especial aos participantes: que o acompanhassem até um bar, onde a família e sua namorada, a administradora de empresas Patrícia, estavam esperando por ele, sem saber de nada. Com a companhia de todos, ele faria o grande pedido.

A turma de ciclistas se entusiasmou com a idéia e topou fazer o percurso, que ficou conhecido como a Bicicletada da União. “Como a noiva chega na igreja? De carro. Qual é a cena que vem à cabeça quando os noivos saem? Do carro cheio de latinhas. A cultura do automóvel se apropriou até dos casamentos. Uma união onde o carro não tem o menor valor ou sentido tem tudo a ver com a Bicicletada”, diz André Pasqualini, cicloativista e entusiasta do encontro mensal.
Alguns dos ciclistas já sabiam da intenção de Tokinho e foram vestidos a caráter, com véus de noiva e roupas de festa. Ele foi de terno, gravata e buquê de flores na mão. “Pedi para o pessoal ir comigo para unir as minhas duas paixões e porque rolava um ciuminho da minha noiva cada vez que tinha algum evento da Bicicletada”, diz Tokinho, que já levou a mãe para participar de um dos passeios.
Apesar do nervosismo, Tokinho conseguiu fazer o pedido a Patrícia, que namora há quatro anos. Com lágrimas nos olhos, ela aceitou imediatamente. Trocaram alianças ao som da algazarra animada dos ciclistas ao fundo. “Eu não sabia que vocês eram tão lindos”, disse Patrícia, para o grupo. “E eu quero aprender a andar de bicicleta!” Na verdade, ela e Tokinho pegaram uma magrela ali mesmo e saíram pedalando, ele com ela no colo. E na cerimônia, nada de carro para levar a noiva. Patrícia deve chegar de Táxi Bike, com um chofer pedalando na frente e dois lugares atrás para ela e o pai, enquanto Tokinho vai com a sua bicicleta.

criado por dimitrivianna    11:29:04 — Arquivado em: Notícias

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