2.7.07

Trilhas da Ilha de Marajó . PA

Texto: Itana Mangieri

O passeio a princípio seria de apenas um dia, saindo e voltando no domingo, mas quando a idéia foi lançada, sugeriram que fosse feito em dois dias e com uma parte da galera dormindo em barracas. Essa sugestão foi prontamente aceita. Porém, a organização resolveu dar um pouco mais de infra-estrutura elaborando um pacote com a “Rumo Norte Expedições” e, dentro de um acordo que a EART tem em divulgar o turismo de aventura dentro de várias associações no Estado.
Como é de praxe, a EART, organizou, deu os caminhos das pedras e cada integrante fez a sua parte comprando passagens e reservando hotéis, pois na verdade, como não cobram nada pelos passeios, não é justo arcarem com todas as responsabilidades, apenas a organização durante o passeio propriamente dito.
Houveram duas opções de deslocamento até o porto de Camará, na ilha do Marajó: de balsa saindo de Icoarací, com dois horários: 4:30h e 6:30h e de barco as 6:30h, saindo do Cais do Porto, galpão 10, em Belém.
A maioria dos ciclistas foram na balsa de 6:30h e a travessia em todos os casos durou 3horas onde todos se encontraram no ponto de partida em Camará. Alegria geral. Reencontros e novos amigos preparados para mais uma aventura da família EART.

 

No momento do encontro geral, confesso um frio na barriga. Não por não conhecer ninguém ainda, mas pelo número de ciclistas reunidos e a energia positiva entre todos.
Após checagem das bikes, pneus, informações e instruções básicas, oração e fotos, ás 10h a equipe, com 70 ciclistas, partiu rumo às trilhas da Ilha de Marajó.
O dia de sol contribuiu para o cenário desta aventura e, entre alguns pneus furados, paradas para agrupamento e descansos meio ao serrado de Marajó, o bate-papo fluía e eu aproveitava para conhecer mais alguns integrantes do grupo.
O percurso incluiu refrescadas em igarapés, com brincadeiras de "entrar pelo cano" atravessando de um igarapé à outro por uma tubulação larga que passava debaixo da estrada, cuidados ao atravessar Igarapé de água cristalina carregando bikes, pra não deixar o óleo das correntes encostar na água e poluí-la e aproveitando cada refrescada para um lanchinho rápido.
Single tracks, plantações de abacaxi, mais trechos de serrado com o sol à pino (observados por alguns cavalos e búfalos pastando), vilarejos, estrada de areia e, por fim, a estrada de asfalto, quando o grupo se reuniu para uma relaxada e um refrigerante gelado.

 

Já passava de meio-dia e o grupo seguiu para o Joanes para o tão esperado almoço na Peixaria Sales. Enquanto alguns escolhiam o cardápio de peixes e caldeiradas e aguardavam os pratos, outros aproveitaram para um banho na prainha de água doce, fotos e mais bate-papos.
Logo após o almoço, partiram em direção à Salvaterra (para as pousadas onde se hospedaram). Durante o trajeto, para aliviar o cansaço que já começava a bater em alguns bikers, acompanhou-os uma chuva refrescante e a solidariedade dos mais resistentes em apoiar os mais cansados. Inclusive com uma cena romântica (entre tantas): o casal de vídeo-makers pedalando na chuva, em sua Bi-bike, sob um guarda-chuva. Como sou novata no grupo, nesse momento, quando a estrada parecia não ter fim, comecei a refletir sobre o verdadeiro significado da família EART (a união).
A chegada às pousadas foi junto com o pôr-do-sol. Uma parte do grupo acomodou-se na Pousada Aruaque – em Salvaterra e a outra parte na Pousada Paracauary em Soure – do outro lado do rio. Na Pousada Paracauary montaram-se no gramado cerca de 10 barracas de camping, dando um colorido especial ao local. Os cicloamigos se reuniram à beira da piscina para um banho e para relaxar. Após o jantar, a Prefeitura de Soure ( considerada capital da Ilha de Marajó), os recepcionou com uma apresentação de Carimbó com músicos e dançarinos, onde os ciclistas aproveitaram para entrar na dança. Foi uma noite agradável e relaxante após uma média de 70 Km pedalados !
Ao amanhecer e após o café da manhã com o típico queijo marajoara e leite de búfala, o grupo se dividiu: Um grupo de ciclo-médicos (dentista, ginecologista e otorrino) foi para o centro de Soure prestar atendimento gratuito à população, outro grupo seguiu para a Fazenda Bom Jesus para uma visitação aos lagos e serrados de Marajó, montagem em búfalos, para um rápido lanche marajoara e para uma apresentação do museu/capela da proprietária da fazenda, Sra.Eva - museu construído com materiais tradicionais e reciclados da Ilha de Marajó por seu pai e sua irmã, que é colecionadora de arte sacra - , e outros resolveram seguir direto para a praia, sempre montados em suas bikes.
Na saída da fazenda o grupo fez uma pausa na Lagoa Azul para um banho refrescante. Lagoa Azul mesmo ! Após o banho e pulos na água, o grupo resolveu realizar uma corrida de aventura. Alvoroço geral e muita risada ! A organização teve até categorias. Teve ciclista que esqueceu de levar a bike para o início do trecho de pedal e queria pegar a do colega emprestada, outro caindo da bicicleta, corredor tropeçando e caindo no meio do mato e embolando quem vinha atrás, nadador retornando para a beira da lagoa e descansando numa ilhota, outro chegando na direção errada … Essa corrida de aventura estava mais para corrida maluca. Vencedores e vencedoras felizes e outros competidores se justificando e querendo entrar com recurso para impugnar a prova. Mas a diversão foi emocionante !
A pedalada de retorno para as pousadas para um banho e almoço foi rápida para, juntos, embarcarem para Belém, de navio, partindo de Soure às 15h. Pontualmente o barco partiu, mesmo com ciclista embarcando às pressas por ter chego em cima da hora. A viagem de retorno, muito agradável, durou 4h e foi uma comunhão de amigos reunidos com suas bikes. O grupo pôde assistir trechos do vídeo das trilhas (ainda sem edição) e dar muitas gargalhadas. E, ao som e imagens de vídeo-clips dos anos 70 e 80, alguns deram uma demonstração de coreografia dançante da época. Ao final da viagem, ainda fomos brindados com um mágico pôr-do-sol.
Antes de chegar a Belém fizemos a última oração e ao final todos confraternizaram, em forma de abraços. E ainda faltava a última demonstração de união do grupo, com todos fazendo uma corrente humana para desembarcar as bikes do navio.
E para finalizar, ainda tinha pedal até chegar em casa.
Essa aventura ficará na memória e corações de todos os participantes e já entrou para o calendário anual EART. Ainda bem !!! Pois foi nessa que me “batizei” na família EART, conheci novos amigos e já estou ansiosa para as futuras pedaladas.

Até a próxima !!!

criado por dimitrivianna    20:30:15 — Arquivado em: Trilhas/Viagens/Passeios

1 Comentário »

  1. Comentário por valci barreto — 3.7.07 @ 09:06:42

    Itana, esta resenha será divulgada no MEU ZINE, edição impressa.

    fiquei com doce inveja.

    valcibarretoadv@yahoo.com.br
    http://www.amigosdebike.com.br
    muraldebugarin.br

Deixe um comentário


Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://mundodabike.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o serviço e siga participando do Terra Blog.