24.5.07

Dietas e uso de suplementos nos exercícios físicos

 

 

Os atletas veteranos e novatos, jovens e velhos experimentam diversos tipos de dieta na busca de uma performance cada vez melhor. Essas manipulações dietéticas vão desde o alto consumo de carboidratos que, com base em dados cientificamente comprovados, beneficiam a performance, até o uso de técnicas condenáveis para perda de peso e o abuso de suplementos dietéticos.
As coqueluches, tanto nas dietas, como em qualquer outro segmento, são, comumente, modismo que vão e vêm e podem durar apenas enquanto são promovidas pelos fabricantes. Infelizmente, as manias de dietas e o abuso dos suplementos alimentares são estimulados pela ignorância no que diz respeito à nutrição. A prova mais concreta dessa falta de informação é a grande lacuna que existe entre a orientação nutricional saudável para os atletas, comprovada cientificamente, e os hábitos alimentares reais de muitos esportistas.

Dietas com alto teor de proteínas

O notável interesse por dietas ricas em proteínas, entre os esportistas que precisam de muita força e resistência, deve-se a pesquisas que sugerem que as necessidades protéicas dos atletas podem ser um pouco mais altas do que os 0,8 gr de proteína por quilo de peso corporal, recomendados pelo RDA - Recommended Daily Allowance (consumo diário recomendado). Assim, o consumo de proteínas pela maioria dos atletas é tipicamente bem acima do recomendado e supre adequadamente as necessidades do organismo nos exercícios físicos e nos treinos. Muitos esportistas acreditam que a força e a resistência muscular podem ser adquiridas somente através do consumo de grandes quantidades de alimentos e suplementos protéicos. Um exame das publicações disponíveis sobre o condicionamento físico, em particular durante os periódicos sobre modelagem física, demonstra claramente a "promoção da proteína" que se faz, tanto entre atletas, quanto entre fabricantes de suplementos protéicos. Uma prática comum entre os atletas que tentam obter baixos teores de gordura corpórea é basear a dieta em grande quantidade de proteínas e baixa quantidade de gorduras, na crença de que apenas a gordura ingerida é convertida em gordura corporal. Esses atletas ingerem, freqüentemente, grandes quantidades de claras de ovos e alimentos com alto teor de carboidratos e baixo teor de gordura, como arroz e batatas, juntamente com suplementos protéicos. Tais hábitos representam risco potencial de uma nutrição inadequada, pois restringem o consumo a alguns alimentos e de grupos alimentares. Complementar a dieta protéica com bebidas, pós ou pílulas que contém proteínas e aminoácidos é comum no meio esportivo. O consumo dessas substâncias, dependendo da freqüência, pode acrescentar à dieta de um atleta desde doses mínimas, correspondentes a 1,0gr, até quantidades maiores, de 100 a 200gr por dia. 

Dietas com alto teor de carboidratos

Já há algum tempo, atletas têm sido sobrecarregados com "carbos", buscando melhor desempenho. Os que praticam esportes de resistência estão completamente cientes da importância dos carboidratos durante exercícios prolongados. E mais, embora o papel do carboidrato seja bem conhecido, muitos atletas não estão conseguindo incorporar a quantidade adequada de carboidratos em suas dietas diárias.
Fartas reservas iniciais de glicogênio nos músculos são essenciais para o desempenho ideal em exercícios prolongados, com duração de mais de uma hora. Assim, dietas para períodos de treino, que forneçam um mínimo de 55 a 65% das calorias provenientes de carboidratos (450 a 600gr de carboidratos por dia), são cruciais para exercícios prolongados. Entretanto, estudos que avaliam práticas dietéticas entre diferentes grupos de atletas que praticam exercícios de resistência revelam um consumo inadequado de carboidratos. 
No decorrer do regime com esquema modificado, os atletas consomem uma dieta mista, no período de 3 a 6 dias antes da competição e de treino leve e em seguida,é proposta uma dieta mais rica em carboidratos nos dias imediatamente anteriores à competição. Esse procedimento é menos drástico e resulta num armazenamento de glicogênio, comparável ao que se obtém com o método clássico. Este envolve a prática de exercícios exaustivos e dieta com baixos teores de carboidratos. Dessa forma, o regime modificado é mais proveitoso do que o método clássico para o treinamento e praticado com mais freqüência por alguns atletas de esportes de resistência.

Dietas Vegetarianas

Muitos atletas, principalmente aqueles interessados no consumo de carboidratos, estão adotando dietas vegetarianas. Além do fato de a alimentação à base animal ser pobre em carboidratos, alguns atletas percebem não cientificamente que certos produtos animais, tais como o leite e a carne vermelha, prejudicam seu desempenho. Por exemplo, o leite é considerado a causa do efeito "boca-seca". As dietas vegetarianas variam entre a complexa exclusão de carnes, peixes, aves, ovos e laticínios e o consumo "ocasional" de carnes e outros grupos de produtos animais.
Os atletas adeptos de dietas vegetarianas conseguem obter sucesso em treinos e competições. Uma dieta baseada em fontes vegetais de proteína, da mesma forma que a dieta que inclui carne, pode fornecer aos atletas o mesmo alto teor de carboidratos necessário para suportar, de forma adequada, a prática de exercícios pesados e prolongados. Embora não tenham demonstrado, ao intensificar o desempenho físico, as dietas vegetarianas de baixas calorias podem diminuir o risco de obesidade, certos tipos de câncer e outras doenças crônicas. 
O consumo de proteínas entre os adeptos da dieta lacto-ovo (incluindo leite e ovos) ou semi-vegetariana seria mais adequado, devido à qualidade altamente nutricional das proteínas animais. Entretanto, a obtenção das proteínas necessárias pode representar uma dificuldade em dietas vegetarianas estritas. As proteínas vegetais são "incompletas" porque lhes falta um ou mais aminoácidos essenciais à nutrição. Para superar essa limitação é necessário que certas proteínas vegetais sejam complementadas com outras, para melhorar sua configuração de aminoácidos.  A carne animal representa uma boa fonte de ferro facilmente absorvível em oposição às fontes vegetais. Além disso, a ingestão de grandes quantidades de fibras, comum em dietas vegetarianas, pode bloquear a absorção de ferro e outros minerais quando a ingestão desses elementos é baixa.

Para obter vantagem competitiva, os atletas, muitas vezes, precisam reduzir seu peso, em curto período de tempo. Entre os atletas que ganham prêmios devido a sua pouca gordura corporal ou esbelteza incluem-se lutadores, fisiculturistas, remadores, patinadores e dançarinos no gelo, bailarinos, ginastas e até corredores.  Enquanto organizações profissionais como o Colegiado Americano de Medicina Esportiva falam abertamente sobre os métodos para perder peso, esses procedimentos continuam sendo usados, colocando em grave risco a saúde dos atletas. Atletas interessados em perder peso deveriam seguir métodos seguros e aceitáveis para evitar deficiências nutricionais e desidratação. A perda recomendada, de 450 a 900g por semana, requer um déficit de 500 a 1000 calorias por dia, conseguido através de redução no consumo de alimentos e aumento de atividades físicas. Jovens atletas em crescimento que necessitem perder peso devem evitar restrições calóricas drásticas. Em vez disso, devem ser orientados sobre como desacelerar o ritmo do ganho de peso durante o período de desenvolvimento.

criado por dimitrivianna    20:38:06 — Arquivado em: Dicas de Saúde

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