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Arquivo de: Maio 2007

31.05.07

Prêmio Sincronia de Ciclismo 2007

categorias: Eventos, Notícias

 

Bugarin  Edvaldo

 

No último domingo, dia 27 de maio foi realizado o primeiro Prêmio Sincronia de Ciclismo 2007, organizado pelo coordenador do site do grupo Sincronia, Sr.Cláudio Carvalho. O objetivo do Prêmio Sincronia de Ciclismo é homenagear anualmente um(a) cidadão(ã) que participa das atividades ciclísticas de Salvador oferecendo apoio de incentivo social, esportivo, de divulgação e comunicação.
Este ano, o primeiro eleito para receber o Prêmio Sincronia, foi nosso querido Alberto Bugarin, editor do site Mural de Bugarin, fotógrafo e ciclista que acompanha todos os pedais da cidade do Salvador.
Merecidamente, Bugarin foi homenageado por familiares e integrantes dos grupos de ciclismo de Salvador que estavam presentes ao evento.
Nos próximos anos, sempre no último domingo de maio, o evento se realizará para mais uma homenagem.
O Blog Mundo da Bike participou do evento e parabeniza o Site Sincronia pela iniciativa que, com certeza, conquistará cada vez mais simpatizantes desse esporte e meio de transporte tão popular e social.

 

  • criado por  dimitrivianna criado por dimitrivianna
  • Postado em 09:48:29

29.05.07

Ricos e Pobres

categorias: Artigos

  Do  meu   Blog  dos meus amigos Moutain Bike BH

Em frente ao prédio onde trabalho tem um ponto de ônibus, não muito raras as vezes que encontramos carros de médicos, dentistas e outras classes que se vestem de branco parados em frente ao ponto de ônibus durante “alguns minutinhos”.
O motivo disso é a loja Di Branco, que vende roupas para tais profissionais.

Ontem (18/12/2006) estava eu saindo da agência por volta das 19:15 e me deparo com um Honda já parado no ponto de ônibus e uma camionete Chevrolet estacionando também no ponto. Os veículos obstruíam quase que completamente a visão e acesso das pessoas que estavam no ponto, que se viam obrigadas a ficar na rua para observar a chegada dos coletivos.

Quando o motorista da camionete (o qual fiquei sabendo posteriormente ser o dono da loja citada) desceu e parou na calçada próximo a mim educadamente o alertei sobre o fato de ele ter estacionado no ponto de ônibus e que estaria atrapalhando as outras pessoas. Este simplesmente deu uma risada e acenou positivamente com a cabeça, concordando comigo sobre o fato de estar parado no ponto e atrapalhando outras pessoas, mas não se moveu para resolver a situação.
Vendo que o “Doutor” não iria tomar atitude, fui até o Honda e alertei a motorista sobre o ponto, passageiros e etc. Ela sem abrir o vidro disse que não iria sair, pois estava esperando alguém, e não se sentiu compelida a faze-lo mesmo depois que mostrei uma vaga que estava a pouco mais de 10 metros à frente do ponto.

Tirei as fotos dos veículos e brinquei em voz alta que as fotos tinham ficado ótimas para serem colocadas na internet.
O dono da camionete soltou uma risada e soltou a seguinte frase:

- Pode colocar a foto na internet, não vai adiantar nada. Eu vou continuar rico como sou e você pobre como é.

Retruquei dizendo que preferia ser pobre e ter educação, mas ele continuou repetindo a linda frase acima cada vez mais alta.

Fato: Quanto mais bonito e caro o carro, mais mal educado o motorista.

Fato: No Brasil as pessoas que tem algum dinheiro (por que rico de verdade pra mim anda de helicóptero e jatinho e não de camionete de quatro anos atrás) se acham no direito de parar seus carrões em qualquer lugar. Se sentem no direito de atrapalhar os “pobres” usuários do transporte coletivo e ainda acham bonito agredir as pessoas chamando-as de “pobres”, como se isso fosse o maior defeito que alguém pudesse ter.

Eu acho que a falta de educação, a falta de coletividade e a impunidade do nosso país ainda são os grandes problemas a serem enfrentados nos próximos anos.

  • criado por  dimitrivianna criado por dimitrivianna
  • Postado em 21:08:46

28.05.07

Acreditem Bikers também amam !

categorias: Eventos

O grande ciclista e colaborador do Mundo da Bike o atleta Marcelo Cavalcante mandou este depoimento muito sincero e bonito  e  sem duvida vai terá  um final feliz .

O jornal A tarde inclusive fez uma matéria especial sobre este love story  



Olá meus amigos!

Ontem foi um dia muito especial que jamais vou esquecer, pois teve a certeza que somos regidos por uma força que muitos chamam de DEUS!

Estou aqui para agradecer a todos vcs pelo apoio e energia cedidos a mim, pois ontem precisei de toda essa energia para vencer a competição que disputei.

Todos sabem que dediquei essa prova a uma pessoa inesquecível em minha vida, ela que sempre me acompanhou e incentivou. Por obra do destino estamos separados e com isso senti a necessidade de retribuir os anos de apoio e muito amor que tive de Taís.

Hoje acordei para vencer!

Foi assim que sair para a prova, com um único objetivo, Vencer!

E assim foi tudo parecia e de encontro ao meu objetivo, teve um acidente e demorei muito tempo para consertar a bicicleta, quando estava pronto para volta e tentar a recuperação um segundo acidente ocorreu, um ciclista iniciante de cabeça baixa se choca comigo parado, no chão já machucado em vária partes do corpo olhei para cima e perguntei senhor porque esta fazendo isso comigo, nesse exato momento sentir uma força tão grande e um pedido interno que dizia, levante vc vai conseguir.

A essa altura o pelotão já havia colocado uma volta no circuito em cima de mim, achei que me deixariam voltar e não perder essa volta, mas estava realmente enganado, estava eu uma volta atrás e sangrando por conta dos ferimentos vendo tudo que desejava escapar, mais uma vez meus amigos, não sei como essa mesma força não me deixou desistir, então ataquei passei pelo pelotão e comecei a buscar de volta o meu objetivo.

A cada volta à diferença para o pelotão diminuía, foi então que todos começaram a acreditar e gritar o meu nome comecei a andar sozinho mais forte que um pelotão inteiro, faltando três voltas para o final alcancei o pelotão e o meu desejo voltou a ser real, a torcida enlouqueceu todos gritavam, agora é sua Marcelão, e assim aconteceu o meu amigo de equipe me puxou para chegada e eu não o decepcionei, venci!

Fiquei muito emocionado, parei junto ao cantei e comecei a chorar de felicidade, todos correram para falar comigo, quase desmaiei, pois não estava respirando direito, a emoção foi comovente, e meu objetivo alcançado.

Teve a necessidade de escrever esse relato, e dizer a todos vocês que nunca desistam de seu objetivos por mais difícil que pareça, pois a força esta dentro de todos nos só precisamos acreditar.

Hoje acordei realizado por retribuir um pouco da atenção, companheirismo e muito amor a que me foi dado esse anos, e mais certo do que nunca, que amei, amo e vou amar para sempre essa pessoa maravilhosa que Deus colocou em minha vida.


Obrigado Flávia Taís Mucarzel Rosa!


Marcelo Cavalcante


  • criado por  dimitrivianna criado por dimitrivianna
  • Postado em 15:35:52

27.05.07

Lampião o Mascate Miranda e a Bicicleta 2 Parte

- Você que é o home, falou Virgulino.
- E aí capitão? A gente sangra agora esse peste ou espera pra mais tarde?
- Esperar o quê, home. Vamos logo resolver esta historia.
Lampião veio em direção ao Mascate. Não gostava de vendedores, achava que exploravam o povo, cobrando caro por aquelas bugigangas. Na sua cintura dava para ver o punhal, ainda molhado de sangue fresco.
- Então cabra, qual é o seu nome?
- Minha graça é Miranda Martelo dos Santos.
-E isto lá é nome de homem. Ô Maria, tem um cabra aqui com nome de mulé! Miranda, pode!!!
Maria Bonita que observava tudo e Noa chegadomascate.dava risada de longe, enquanto conversava com sua amiga, Dadá.
- Seu lampião, não me mate, não. Sou homem do bem, sou um simples mascate, um vendedor.
Neste momento Lampião avistou a bicicleta, encostada numa pedra.
- E aquela bicicleta ali, você vende?
- Não, ela é minha, mas... agora é sua!
- Para quer eu vou querer ter um negócio deste. Não serve para andar no meio do sertão.
- Mas posso te ensinar a pedalar, falou o mascate.
- Olha, seu moço! Não sei andar neste treco, não, mas sempre tive vontade de experimentar um, sabe! Se você me ensinar a andar neste negocio eu deixo você ir embora e você segue seu destino, mas se eu me esbuguelar no chão eu te enterro vivo, você com sua bicicleta.
Miranda suou frio, estava em um beco sem saída. Para ficar vivo teria que ensinar nada mais, nada menos que Lampião a pedalar.
- Prometo que o senhor vai conseguir, mas aqui não dá, tem que ser em uma estradinha mais segura.
- Tudo bem, vamos romper mais pra frente. Sabonete! Você vai levando a bicicleta.
Sabonete era o homem que cuidava de Maria Bonita e da comida do Bando.
- Eu vou seguindo aqui com seu Miranda.
- Mas moço! troca esse nome, nem para morrer serve. Imagine que, até pra minha fama de cangaceiro, pega mal matar um cabra com nome de Mulé!
Miranda não conseguiu nem responder aos comentários do capitão.
Chegaram em um descampado, perto da estrada de terra.
- Pronto! Aqui tá bom, disse o Mascate.
Neste momento Maria Bonita foi chegando e disse:
- Virgulino, eu também quero aprender a andar de bicicleta!
- O senhor ouviu o que Maria disse? E pedido dela é uma ordem minha. Vai ter que ensinar nós dois a andar nesse negócio.
- Danou-se, pensou Miranda, agora além do capitão ia ter que ensinar a mulher do homem a pedalar.Tava perdido!
Pensou e lembro de Santa Luzia.
- Prometo não cobrar juros mais baixos se eu sair desta pelega
Miranda pediu para Maria Bonita sentar no selim e com todo o cuidado foi dando as instruções:
- A senhora bota o pé aqui e não se aperrei não, viu! Aqui é o freio pra parar. Aperte com força.
- Tá bom, seu mascate, sorriu Maria Bonita como um criança que acaba de ganhar um presente.
E começou a pedalar, enquanto Miranda equilibrava a bicicleta. Foi a bichinha pegando velocidade e rapidamente Maria Bonita estava pedalando sozinha.
Ouviu-se uma gritaria geral no meio dos cangaceiros. Um sorriso no rosto de lampião mostrou seu dente de ouro.
- Foi bom demais, este negocio é bom demais, Azulão! Disse Maria Bonita. Chama logo Virgulino, ele vai gostar.
- Agora é minha vez, disse Lampião.
- Mas o senhor vai ter que tirar este bando de coisa de suas costas. Lampião tirou tudo, cartucheiras, punhal, espingarda até sua caneca de alumínio.
- segura minha arma, Zabelê!, disse o capitão.
- Agora o senhor senta aqui mas vai devagar, Passando as mesmas instruções que deu a Maria Bonita, Miranda foi guiando Lampião, até que ele também pegasse ritmo e pedalasse sozinho.
Lampião já estava pedalando quando resolveu descer mais rápido, esquecendo a primeira lição de quem está aprendendo a pedalar: não ter pressa. Acabou descendo morro abaixo, perdendo o controle da bicicleta e foi parar no chão, embolando no capim.
Lá de longe seu bando ria sem parar. Nem o sisudo Corisco agüentou com as trapalhadas do capitão.
Miranda pensou: pronto,tou morto. O capitão Virgulino caiu da bicicleta e vai me enterrar vivo.
Lampião levantou-se do chão, pegou a bicicleta e voltou em direção ao grupo. Miranda já rezava, chorando olhando para o céu, pedindo uma intervenção divina.
- Olha, seu Miranda, promessa é para ser cumprida, mas Maria gostou muito deste negócio e eu vou montar de novo e só paro depois de dominar esta danada.
Miranda sorriu, depois de algumas tentativas, quedas e muitas risadas lampião, o rei do cangaço aprendeu a pedalar.
Depois foi a vez de Zabelê, Canjica, Azulão, Cajanara, Sabonete e tantos outros.
O sol já descia na serra quando lampião falou:
- Quando eu parar no Cangaço vou ter umas destas. Pode seguir seu rumo, seu Miranda e leve sua bicicleta.
- Obrigado, capitão.
Já era tarde quando o velho mascate avistou as luzes de Ouricuri. Agora tinha uma nova história para contar na volta para Recife, uma história de cordel.O dia em que o mascate Miranda ensinou Lampião a pedalar.

 

  • criado por  dimitrivianna criado por dimitrivianna
  • Postado em 18:36:30

26.05.07

Lampião o Mascate Miranda e a Bicicleta 1 parte

Autoria ;  Dimitri Viana

Em 1937, um mascate atravessava o sertão de Pernambuco vendendo panelas, bacias, pequenos espelhos com molduras cor de jerimum, pentes, lenços, linha para costura, tesouras, tecidos e tudo mais que não se achava naquelas terras esquecidas e distantes. Comprava todos os seus produtos em um armazém de um velho judeu perto do Cais do Porto, onde hoje é chamado de Recife Antigo. Depois colocava tudo dentro da sua velha caminhonete Ford e seguia para o sertão. Seu roteiro era extenso, passava três semanas fora, visitando cidades, vilas, fazendas e casinhas perdidas no alto de colinas. Em alguns lugares, onde não tinha estrada e o único acesso era por trilhas de animais, ele tinha que alugar um cavalo ou outro animal qualquer.
Achando que poderia economizar nas suas viagens, resolveu levar consigo sua Brandenburg, uma bicicleta alemã, presente de um amigo que teve de retornar às pressas a pátria natal para defender os interesses de Hitler. Seguiu direto para Ouricuri, cidade encravada entre pedras e mandacarus, no sertão pernambucano. Acordou na manhã seguinte, comeu uma coalhada com sal e seguiu viagem, pois tinha que fazer varias visitas naquele dia. Seu destino era Campinho, uma pequena vila dentro de um boqueirão de difícil acesso. Conhecia o lugar, mas não conseguia entender por que diabos alguém resolveu construir um comercio dentro de um buraco, em um vale tão estreito e distante.
Resolveu testar a bicicleta. Separou alguns objetos e pegou uma garrafa de água. Colocou tudo dentro de um saco vazio de açúcar, depois tirou a bela Brandenburg de dentro de sua Ford, amarrou tudo atrás do bagageiro e saiu pedalando.
Apesar ter ganhado a bicicleta a pouco tempo, sabia pedalar muito bem, sempre pedalava quando era entregador de verduras no Recife, e sua habilidade ficou gravada na memória.
Por um momento vieram lembranças do passado, sentindo aquela brisa quente do sertão, lembrava sua infância. Nada era mais gostoso que pedalar. Não entedia como havia parado de fazê-lo por todos estes anos. A partir de agora aquela bicicleta nazista ia ser sua fiel companheira, nem mesmo Getulio Vargas ia consegui separá-la dele.
Depois de uma hora em uma trilha fechada, passando entre umbuzeiros e lajedos, chegou à entrada do vale. Dali para frente ia ter que empurrar a bicicleta, a subida era íngreme demais. Quando já se preparava para seguir a pé ouviu toque perto de sua cabeça:
- Ô moço, tá pensando que vai pra onde?
Lentamente olhou para traz. Um homem negro da cor de carvão, cabelo encaracolado, usando um chapéu grande com uma estrela no meio, apontava uma carabina para sua cabeça.
- Calma seu moço! Eu sou de bem, disse o mascate.

O homem deu um assobio desses de botar cachorro no rastro da caça. Barulho no meio da caatinga. De todos os lados saíram homens e mulheres, todo armados e usando o mesmo tipo de chapéu do homem negro.
- Qué que tu fazendo aqui, cabeça de lombriga? Perguntou ao mascate.
- Tou de passagem, tou indo para Campinhos.
Foi aí que o mascate começou entender a situação: tinha sido pego por um grupo de cangaceiros. E para seu maior azar não era um grupo qualquer, estava diante do grupo mais famoso de todos: o grupo do Capitão Virgulino Ferreira da Silva, conhecido como Lampião.


- Canjica! Manda avisar ao capitão que temos visita, gritou o negro Zabelê.
- Senta aí e larga este treco, cabra infeliz, dedo duro, você tem cara de safado.
Minutos depois aparece de volta o cangaceiro Canjica.
- O capitão disse que está se penteando e daqui a pouco chega.
Sentados todos ao pé de uma umburana, o grupo descansava. Tinham acabado de assaltar o vilarejo de Campinhos, para onde o mascate iria vender seus produtos.
- Que azar, pensou Miranda, encontrar o bando de Lampião. Mas no fundo sabia que um dia isto poderia acontecer e este dia tinha chegado.
A sombra de um homem com óculos redondo, cobriu seu rosto do sol: era Lampião.

  • criado por  dimitrivianna criado por dimitrivianna
  • Postado em 22:34:04