24.4.07

O acidente

Pesquisa : Marcelo Cavalcante


Fui encaminhado à sala de cirurgia. Eram 20h, estava com bastante medo e sentia um frio na barriga – como aqueles de véspera de competição. Compreensível. Afinal, nunca havia passado por uma cirurgia, e, logo de cara, teria que enfrentar uma bem delicada.

Ali, à espera, tive que lidar com mais um constrangimento. Os médicos se reuniram para debater qual a melhor posição para a intervenção cirúrgica, e optaram por realizá-la com o paciente (eu, no caso) na posição de parto. Quem não souber como é pergunte a quem é mãe. Poupo-me de mais uma explicação constrangedora.

Após a anestesia, paralisado da cintura para baixo, ouvi os médicos – em torno de cinco deles – em mais um debate: “Como vamos costurar isto?”.

Um deles, que havia acabado de entrar na sala de cirurgia, não se conteve e me perguntou “Como você conseguiu fazer isso?”.

Expliquei como aconteceu o acidente e ele, apesar de se desculpar pela indelicadeza, caiu na gargalhada. Disse-me que o ocorrido era trágico, mas também muito cômico. Fui obrigado a concordar.

Aproveitando o ensejo, ele me contou como seria feita a cirurgia. Fariam uma sutura no reto anal – isso mesmo que você leu. Houve rompimento do reto. Além disso, rompi algumas fibras do músculo esfíncter. Dá para acreditar? Imagina tomar pontos nesses locais. E pensar que tudo isso aconteceu por causa de um pequeno parafuso do selim que quebrou.

No dia seguinte, com a companhia de três novos colegas de quarto, tive que responder a mais perguntas. Eu era o único entre os quatro deitado com a nádega para cima. Explicado o ocorrido, o resultado era quase sempre uma bela gargalhada.

Quando a anestesia deixou de surtir efeito, era o curativo, mais do que as dores, que me incomodava mais. Por sorte, a enfermeira logo apareceu e o retirou. “Ufa, que alívio!”.

Após seis dias de muito soro e ingestão de líquidos – sólidos eram expressamente proibidos, é obvio – deixei o hospital no sábado. O acidente aconteceu na segunda-feira. O tempo ocioso no hospital foi muito proveitoso. Fiz novas amizades e conheci os problemas dos demais pacientes.

Aproveitei o tempo para fazer novas amizades e conhecer os problemas dos companheiros de hospital. A verdade é que por pior que eu estivesse, melhoraria e seguiria minha vida. Mas muitos colegas não contavam com a mesma sorte. Deixei o hospital mais consciente e motivado para retornar a minha rotina de estudos e de treinos.

Na faculdade, tive que agüentar as piadinhas dos colegas. “Já acharam o banco?”, me brincaram.

Hoje, faço revisões periódicas da minha bicicleta. E recomendo que você, leitor, faça o mesmo. É muito importante saber regulá-la e revisá-la. Conheça sua bike, as rodas, o guidão, os freios, os principais itens de segurança e, sobretudo, o parafuso que segura o banco.

Kim Cordeiro é Diretor Técnico da BKsports Assessoria Esportiva,
triatleta, especialista em ciclismo e escreve no Prólogo todo dia 15. kim@bksports.com.br

criado por dimitrivianna    14:41:29 — Arquivado em: Artigos

1 Comentário »

  1. Comentário por Marcelão Ciclísta — 24.4.07 @ 15:33:13

    A imagem ficou dez, melhor que o original.
    Dei boas rizadas,mas o assunto é sério, tenho um amigo chamado sérgio que se enquadraria perfeitamente nessa estória, pois decendo uma ladeira na estrada Santo Amaro - Cochoeira no reconcavo baiano, a mais de 70 Km/h ao meu lado, o seu garfo começou a quebrar na parte inferior da caixa de direção, foi terrível pois a frente da bike começo a descer em direção ao chão, só houvi um nãoooooooooo!!!!!!!! e, quando parei, já estava no chão desmaiado no meio de uma curva, sorte não passou um carro até que eu retirasse ele de lá.
    Tomem cuidado meu amigos e revisem as bikes!!!
    Um grande abraço Dime…..

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