22.4.07
Pedalando para o trabalho com Leones !
A TARDE - 21/04/2007 - 14:39 - Tássia Novaes
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Bicicleta para poupar tempo e dinheiro
Para garantir umas horas a mais de sono, Leones Silva Pereira, 34, vai ao trabalho diariamente de bicicleta. Isso mesmo. A primeira vista até soa como uma incoerência, mas com a magrela, o empresário-atleta consegue chegar muito mais rápido ao trabalho, caso fizesse o mesmo deslocamento de carro ou ônibus.
São dez minutos de pedalada da residência em Brotas, até a New World Bike, loja especializada em equipamentos para ciclistas, no Rio Vermelho, a qual administra em parceria com o irmão Benílio. De ônibus, gastaria cerca de 40 minutos e de carro uns 20, calcula.
A rotina é cumprida rigorosamente há 12 anos. “Antes a loja era na Barra, um pouco mais distante, mas mesmo assim só ia de bicicleta”, diz. E, embora tenha um carro na garagem, mesmo em dias de chuva, a preferência é ir sobre duas rodas. “A menos que seja um toró, um dilúvio. Porque se for chuva fraca, espero passar ou então visto uma capa e vou para o trabalho pedalando”, garante.
O motivo para tanta disposição? “É simples: posso dormir mais, não fico preso em engarrafamentos, poupo dinheiro e ainda chego para trabalhar com vigor porque a atividade física libera endorfina, substância que garante ânimo para encarar o dia”, resume.
Caso fosse de ônibus, Leones teria que acordar às 7 horas, estar no ponto às 7h30, esperar o ônibus, enfrentar engarrafamento próximo à ladeira da Cruz da Redenção para então chegar ao trabalho às 9 horas. De bike, levanta 8h30, toma café, se apronta e chega ao serviço todos os dias sem atraso.
A opção seria perfeita caso as ruas e avenidas de Salvador fossem planejadas para ciclistas. Infelizmente, não é o caso. Na verdade, quem opta por pedalar na cidade, tem como dificuldade inicial encarar o trânsito. “Tem que ter muita atenção para evitar acidentes”, diz Leones. Ônibus, moto, táxi, caminhão, carro de passeio, nenhum desses veículos costuma respeitar o ciclista que, por sua vez, é obrigado a dividir espaço na pista da direita, já que não há ciclofaixas instaladas na malha viária da cidade.
Para o presidente da Federação Baiana de Ciclismo, Orlando Smith, a falta de estrutura é lastimável. “Cada dia vejo mais pessoas de bicicleta nas ruas só que a cidade não está preparada para essa demanda. O preço do transporte público subiu muito. Quem ganha um salário mínimo (R$ 380) não tem condição de bancar. É comum encontrar em bairros afastados do Centro pessoas que só vão ao trabalho de bicicleta. São pintores, eletricistas, encanadores, peão de construção civil entre outros”, relata.
Pista apropriada só mesmo na orla marítima, na ciclovia que liga o Jardim de Alá ao Corsário - inaugurada pelo prefeito João Henrique (PDT) em 2005 -, no Parque de Pituaçu e na avenida Paralela, próximo ao monumento Luis Eduardo Magalhães. “São pistas para lazer. Não suprem a necessidade de pessoas que utilizam a bicicleta como meio de transporte. Precisamos de faixas exclusivas para os ciclistas dentro da cidade como há na França e na Holanda”, critica Smith.
Embora não haja um mapeamento que revele a frota atual de bicicletas em Salvador, segundo informou a Superintendência de Engenharia de Tráfego (SET), uma tese de mestrado da Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia (Ufba), concluída em 2005, mostra que boa parte da população de Salvador poderia utilizar a bicicleta como meio de transporte, mas não o faz por medo do trânsito da cidade. Intitulado “A bicicleta como modo de transporte alternativo e integrado”, o estudo da autora Denise Maria da Silva Ribeiro revela que dos 775 entrevistas, 64% utilizaria a bicicleta como transporte caso existisse um tratamento de favorecimento, com sinalização viária adequada e implantação de ciclofaixas.
Estatísticas de acidentes reforçam ainda mais a falta de estrutura. Em 2006, ocorreram 324 acidentes envolvendo ciclistas. Nove pessoas morreram, 280 tiveram ferimentos graves e 35 não sofreram lesões. Esse ano, até o dia 15 de abril, foram cinco mortos, 73 feridos e sete sem lesões. Os dados são da SET.
Na contramão - A falta de educação no trânsito é a maior queixa entre os ciclistas.
“As pessoas não respeitam a bicicleta. Muitas vezes, o motorista nem sinaliza que vai entrar na curva e de repente desvia para cima da gente. Nós somos a ponta mais frágil da corda”, comenta Eusíbio dos Santos, 38, pedreiro. Há cinco anos, Eusíbio sofreu um acidente que o deixou seis meses afastado do trabalho. “Um carro me fechou, levei um susto e joguei a bicicleta em cima de um buraco. Tive uma fratura no cotovelo”, conta.
Do outro lado da questão, os motoristas também se dizem ameaçados pelos ciclistas. “Tem muita gente imprudente, que anda na contramão, invade a pista, a gente tem que frear em cima para não atropelar”, reclama Marlene Veiga, 42, motorista de táxi.
Para evitar o desacordo, a Associação Brasileira de Ciclistas aconselha que os motoristas cumpram o artigo 68 do Código Nacional de Trânsito, o qual recomenda que os veículos devem manter uma distância mínima de 1,5 metro dos ciclistas. Os ciclistas, por sua vez, não devem andar na contramão. O correto é seguir o fluxo e se manter na pista da direita. Ambos devem sinalizar. O ciclista deve sinalizar com a mão ou com o uso de apito e os motoristas devem ativar as sinaleiras dos carros sempre que for entrar em uma rua ou mudar de sentido.
Outro ponto negativo é a falta de bicicletário na cidade, que são os espaços destinados para guardar as bicicletas. “Tem apenas no shopping Iguatemi e em algumas lojas da Rede Bompreço de supermercado”, informa Smith. Nos demais locais, cabe a cada ciclista dar o seu jeitinho. “Levo corrente e cadeado. E a depender do lugar tiro a roda da frente e levo comigo”, diz Eusíbio.


criado por dimitrivianna
13:46:53 — Arquivado em:
Comentário por Beto — 22.4.07 @ 19:31:46
Alguém errou, ou a jornalista ou a Associação Brasileira de Ciclistas, é o artigo 201 aquele que determina a distância mÃnima que deve ser guardada ao passar-se ou ultrapassar-se um ciclista.
O artigo informa também que o correto é manter-se na pista da direita. Se por pista a autora da reportagem quer dizer faixa, este é mais um erro. O artigo 58 determina que, na ausência de ciclovia, ciclofaixa, acostamento, etc., o ciclista tem de circular pelos bordos da pista, ou seja, junto àquelas linhas que delimitam a pista.
Esse é um grande problema com esse código. Isso simplesmente não é seguro e é também impraticável. Por exemplo, como pedalar junto ao bordo de uma pista onde há carros estacionados? A lei deveria determinar que o ciclista tem de manter-se o mais próximo dos bordos que for possÃvel, dando explicitamente permissão a ele de ocupar a faixa da direita sempre que for necessário.
É chato apontar erros, mas há ainda mais um: segundo o CT, o apito é de uso exclusivo de “agentes da autoridade de trânsito”.
No mais, não há muito de que discordar. Salvador não é uma cidade apropriada para ciclistas e, acho eu, nunca será.
Comentário por Dimitri — 23.4.07 @ 09:06:45
Concodo com vc Beto porem ’so acho que nem tudo estar perdido e se trabalharmos juntos podemos ao menos preparar a cidade para que as proximas geracoes possam pedalar com segurana pela a cidade
Comentário por Paulo — 25.4.07 @ 11:10:41
Concordo com vc e ainda acrescento que algumas empresas deveriar oferecer um chveiro para o funcionário que vai de bike ao trabalho.
No meu caso fico impedido por não ter um lugar para uma bou chuveirada.