28.3.07
Waltinho e o Terrorrista !
Autoria ; Dimitri Viana
Esta historia e baseada em fatos reais . O nome da pessoa envolvida foi alterada bem como o local

2001 foi o ano em que os americanos sofreram com o ataque às torres gêmeas em Nova York e o mundo inteiro ficou na maior paranóia de ataques terroristas. Não se falava em outra coisa. Para o Waltinho, biker inveterado, aquele ano também seria inesquecível.
Tudo começou quando ele resolveu pela primeira vez participar do Iron Biker em Minas Gerais, na cidade de Ouro Preto,
A mais famosa e difícil prova do Mountain Bike brasileiro atrai até hoje ciclistas de todo o Brasil e, assim como todo mulçumano precisa ir a Meca uma vez na vida, todo biker tem que sentir o gostinho de subir as Montanhas de Minas participando do Iron Biker.
Apaixonado por bicicleta, Waltinho, desde pequeno começou a correr as provinhas de BMX da sua cidade e daí para conhecer o Mountain Bike, foi um pulo.
Filho de família humilde, trabalhava como motoboy, e participava das provas que aconteciam pelo seu Estado sempre viajando com ajuda dos colegas e do seu patrão.
Depois de ouvir muito sobre a prova do "Iron", resolveu juntar todas as suas economias para fazer a viagem e participar da competição.
Como precisava trabalhar e tinha pouco tempo livre, a única forma de fazer a viagem, seria de avião. Resolveu pegar um vôo para a capital mineira e de lá seguiria de ônibus até Ouro Preto, local da largada.
Comprada a passagem, era só esperar o dia da partida. Estava pronto e preparado para o desafio. Conseguiu emprestado uma mala-bike para levar a bicicleta, arrumou sua mochila e seguiu para o Aeroporto em um vôo desses que rompem a madrugada.
Até aquele dia tudo corria normal e nem parecia que Waltinho estaria fazendo a sua primeira viagem de avião. Seus pensamentos estavam em completar a prova.
Chegando ao Aeroporto e indo em direção ao check-in, é que se deu conta de que estava prestes a fazer o seu primeiro vôo e foi aí que seu drama começou.
De repente surgiram memórias de acidentes aéreos e lembrava das manchetes dos jornais que trazia fotos de aviões caídos pelo mundo afora. Todas aquelas matérias jornalísticas que na época não significava muita coisa para ele, foram tornadas vivas como fantasmas chegando do além.
Não importava saber se o último acidente aéreo foi com uma velha aeronave lá no Uzbersquistão. Para ele a próxima ocorrência seria no seu vôo 355 da TAM, para terra do pão de queijo.
Já suando frio, tentou se distrair na sala de embarque e encontrou, por azar, uma revista deixada por um passageiro que tinha uma matéria de capa com detalhes dos atentados terroristas que explodiram as Torres Gêmeas. A matéria dizia que existiam indícios que alguns terroristas teriam ligação com comunidades árabes instaladas no Brasil.
Bastou ler esta última frase para que seus temores mudassem. Agora ele já via o seu avião sendo seqüestrado por um grupo de terroristas árabes. Imaginava até tendo um deles uma granada na mão dizendo:
- Morte aos Brasileiros, viva Alá !
Instantes depois, ouviu a voz do funcionário da empresa aérea chamando todos passageiros para a para o embarque.
Waltinho foi entrando no avião com aquela cara de assustado e logo de cara pediu a ajuda da aeromoça para achar o seu assento, foi sentando e apertou o botão vermelho para fazer um teste de funcionamento. Chamou a aeromoça novamente e pediu um copo com água.
Do seu lado sentou-se uma freirinha, destas que viaja o mundo inteiro em missão de caridade.
Perguntou à noviça como fazia para apertar o sinto de segurança e depois, ainda na seqüência, confessou à religiosa que ele que nunca tinha viajado de avião. A freira, com um sorriso amarelo, percebeu que havia entrando em uma roubada e logo retornou para a leitura de seus salmos.
Turbinas ligadas, avião a caminho dos céus e Waltinho segura firme na mão da irmã e, em oração silenciosa, rezam dois pais nossos e duas Ave-Marias.
Logo após a decolagem, começa a olhar os passageiros com desconfiança. Em cada um deles via um possível agente do Al Quaeda. Situado bem próximo, no fundo da aeronave, Waltinho observava a todos que iam e voltavam em direção ao toalete. Tentava relaxar lendo a última edição da revista Bike Action, mas nada conseguia relaxar.
Quando um sujeito moreno, com barbicha fina, com cara do Salsicha, aquele personagem do desenho animado Scooby Doo, resolveu entrar no toalete, Waltinho ficou ainda mais temeroso.
O rapaz custava a sair do toalete e Waltinho ficava cada vez mais agoniado. Tinha a certeza que ele estaria lá dentro montando uma bomba ou misturando produtos químicos. Tinha lido tudo na revista e parecia ser um grande conhecedor do assunto.
A sua ansiedade aumentava à medida que o tempo passava e, o rapaz misterioso permanecia no toalete.
De repente Waltinho levantou-se de sua poltrona gritando no corredor:
- Acho que tem um terrorista no Banheiro ! Ele vai explodir o avião !
Foi uma gritaria danada. Os passageiros assustados chamavam a aeromoça. Só se ouvia o barulho do "blim, blim" que fica em cima das poltronas.
- Terrorista !! A freira gritou !
Aeromoças tentavam acalmar os passageiros enquanto o co-piloto foi chamado às pressas para ver o que estava acontecendo.
Waltinho, branco como uma vela, permanecia apontando para o toalete.
Formou-se uma verdadeira comitiva na porta e, quando o co-piloto chegou perguntando se alguém conhecia o passageiro que estava lá dentro, montando a suposta bomba, ninguém respondeu.
- O cara está lá dentro já tem mais 20 minutos ! Afirmou Waltinho.
A tensão aumentava à medida que o tempo ia passando. Então o co-piloto resolve bater na porta do toalete:
- Senhor, senhor abra, por favor.
- Mr. Please open the door!
- Alguém aqui fala árabe ?? Gritou um passageiro.
O silêncio tomou conta. Não se ouviu nenhum som, a não ser das turbinas lá fora.
- Senhor abra, por favor, podemos negociar !
Waltinho desesperado gritou:
- Abra pelo amor de Deus. Eu também não gosto dos americanos. Esquecendo que o seu sonho era conhecer as montanhas do Colorado e comprar o último modelo da "Especialized".
Quando todos já planejavam o ataque ao toalete, à porta se abriu. De dentro sai o sujeito, amigo do Scooby. Olha para todos e diz:
- Desculpem, desculpem. Não foi minha culpa. Já encontrei o vaso entupido antes ! Me perdoem. A moqueca que eu comi não estava boa.
Waltinho completou a prova do Iron prometendo voltar o ano que vem, mas desta vez tiraria férias para poder pegar um ônibus.


criado por dimitrivianna
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Comentário por Vânia — 28.3.07 @ 20:15:05
Gostei da história , divertida…
Mas relaxe “Waltinho ” , nem tudo que a gente vê é o que a gente pensa que é.
Comentário por Gisele — 31.3.07 @ 16:41:09
Tá bala, Dimi! Muito engraçada.
Sua mãe tem que ver.
Tô mostrando seu blog pra galera daqui. Mana Dayse tá adorando.
beijitos
Gi