24.2.07
Ao encontro da natureza
Texto: Dimitri Vianna (4ª parte)

Ainda bem que ele está se aposentando, senão eu já tinha "dançado" a esta altura.
- Não se "aperreie" não, que eu só matava bandido safado, mas isto faz muitos anos.
- O senhor sabe me dizer se eu estou muito longe da estrada principal da rodagem ?
- Umas 12 léguas.
Calculei que estava a pelo menos 40 km da estrada. Havia saído da minha rota e muito. Seria pelo menos um dia para sair da mata e na melhor das hipóteses estaria de volta a fazenda em dois dias .
-Olha seu moço, se quiser ficar para dormir, a casa é sua. O "coió" é pequena, mas se ajeita.
- Vou aceitar o seu convite. Não pensei duas vezes.
Sentei em um banquinho ao lado do fogão, tirei das costas o Camel Back, tirei também a camisa molhada e estava me sentindo em um hotel de luxo.
Seu Alogoano chamou "Estupe" para dentro de casa. O cãozinho veio logo balançando o rabo, feliz da vida e se ajeitou perto de mim. Eu sou doido por bichos e eles parecem saber disso.
- Eu moro aqui há 30 anos e não me lembro de ter visto um gringo nestas matas. Falou seu Alagoano.
- Mas eu não sou gringo ! Respondi. Expliquei a ele que apesar da minha aparência de gringo meu sangue era da nossa terra. O velho parecia duvidar.
- Quando eu cheguei aqui, (demora uma semana de caminhada dentro da mata) a gente saía para viajar e não sabia se ia voltar por causa das onças. Agora tudo mudou e vosmicê é um aviso que logo logo isto aqui também vai virar pasto. Já não vejo uma danada há muito tempo.
- Que nada seu Alogoano. Estamos dentro de uma reserva. Ffique tranquilo que aqui não vão derrubar madeira não. Falei.
- Meu filho, já tão derrubando tudo. Esta tal de reserva é só no "papé" ! Só não derrubou este lado por causa do rio grande.
- Que rio ? Não me lembro e informacão de algum rio por estas bandas.
- O Rio de Contas que desce lá de Ubaitaba.
- Meu Deus ! Pensei. Estava realmente longe de casa. O Rio de Contas que nasce na Chapada Diamantina e desce até Itacaré/BA. Eu devia estar próximo a vila de Taboquinhas.
- E tem mais uma coisa: para você ir embora, vai ter que ser atravessar de canoa pois a ponte da passagem caiu ontem com esta chuvarada.
- Não tem como eu atravessar por alguma passagem de volta ?
- Tem não. A única foi aquela que você passou. Vai ter que fazer a volta pelo o outro lado do Rio.
Estava achando bom demais. Agora teria que atravessar o Rio de Contas em uma canoa com a minha bike dentro. Tudo o que eu menos queria era entrar em uma canoa com um tempo destes.
O velho me ofereceu uma esteira e deitei no chão ao lado de "Estupe". O cão balançou o rabinho e veio se chegando para o meu lado.
Amanhã teríamos mais aventuras pela frente.
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Participe do manifesto para coleta de assinaturas para reivindicarmos aos órgãos competentes termos acesso com nossas bikes dentro de outros meios de transportes como ônibus e Metrô !
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criado por dimitrivianna
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