23.2.07
Ao encontro da natureza
Texto: Dimitri Vianna (3ª parte)
Olá Pessoal, estou de volta após o Carnaval.
Vocês vão ler agora o terceiro capitulo da história infanto-juvenil "Ao encontro da Natureza", escrita por mim durante o período que estou passando em minha fazenda e em meu Sitio de praia perto de Itacaré/BA.
Com a ajuda de dois garotos muitos especiais, Washington e Welingthon - filhos do Cláudio e da Nalva, meus caseiros - criamos esta história imaginária em que um biker se perde na mata atlântica durante um passeio. Foram os garotos que me ajudaram a criar situações e dar nomes a alguns personagens.
Se você tem filhos ou sobrinhos que gostam de bike e de aventura, mostre a eles os capítulos anteriores e acompanhe aqui no Blog Mundo da Bike os capítulos seguintes.

A chuva aumentava cada vez mais e até a minha amiga preguiça resolveu procurar abrigo. Resolvi pela primeira vez reagir. Não estava agüentando mais aquela situação de vencido. Levantei novamente e fui tateando a bicicleta até colocá-la em pé. Estava decidido em seguir trilha a frente. Ali não dava mais para ficar.
Coloquei a bike ao lado do mato enquanto andava. A cada cinco metros dava uma topada em um tronco, encostava meu corpo contra galhos de árvores e todo o tipo de vegetação. Se não fosse a minha luva, certamente já teria vários espinhos nas mãos.
Tomei uma queda daquelas que você sai catando ficha, machuquei o joelho no pedal da bike, levantei irado, falei todos os palavrões que nunca foram ditos naquele lugar, depois respirei fundo e voltei a andar. Não podia perder o humor, pensei logo ! E eu que sempre disse que a minha casa era dentro do mato … então por que eu estava reclamando ? Eu tinha tudo que eu mais queria ali naquele momento para uma casa. Só faltava o principal quando chove: um teto para não se molhar.
Uma luz do fim do túnel, ou melhor, uma luz de fifó no meio da mata. Nem acreditava ! Estava indo em direção a uma casa ou algo parecido. Empurrei a bicicleta mais rapidamente e nem os "Jets" me incomodavam mais. Já pensava até em tomar uma sopa quente ! Devia estar delirando, mas o pequeno facho de luz estava lá e eu a caminho dele.
Aproximei-me da casa. A princípio achei estranho, pois não havia cachorros. Difícil imaginar uma casa sem cachorros latindo na porta a noite. Os cães são os guardiões de qualquer casinha. Por que não havia cachorros naquela casa ?
Bati com as mãos, mas a chuva era forte ninguém iria ouvir. Bati na porta e dei um grito tradicional:
- Ô de casa !
Nada. Nenhum sinal. Será que estavam dormindo ? Achei que se tivessem, acordariam assustados com o meu grito. Bati na porta, desta vez com mais força e o silêncio permanecia.
Fiquei meio sem saber o que estava acontecendo. Aí me veio um estalo, claro ! Eles devem ter saído para caçar. Ali devia ser uma casa de rancho apenas. Estavam caçando dentro da reserva, por isto quem ficou em casa devia achar que eu era do IBAMA. Resolvi gritar novamente:
- Não sou do IBAMA não !
Não funcionou. Cansei então de esperar e fui empurrando a porta e ao mesmo tempo falando:
- Sou de paz. Só quero abrigo da chuva !
A casa estava vazia. Não havia ninguém dentro, mas tinha claros sinais que era habitada por alguém que não estava ali naquele momento.
Fui direto para a cozinha. Estava faminto e para minha surpresa o fogão de lenha estava aceso. Pensei alto:
- Estou frito. O dono vai pensar que sou ladrão !
Pedi perdão pelo o que iria fazer, mas a fome era muita. Abri uma panela sobre o fogão e encontrei um pedaço de carne frita, parecendo de galinha. Comi ferozmente !
Enquanto comia, lembrei que também não vi nenhum sinal de galinheiro por perto. Será que eu estava comendo uma Mutum ? Talvez uma ave silvestre, parente da galinha. A carne era boa e isto é que importava naquele momento.
Quando eu mordia o último pedaço da carne, ouvi um barulho vindo da porta. Alguém chegava.
Fiquei paralisado de medo e quase engasguei com o último pedaço do Mutum !
A sombra de um homem apareceu nas minhas costas e antes que eu pudesse dizer alguma coisa ele falou:
- A fome apertou. Tava bom o meu Mutum ?
Não sabia se pedia desculpas ou se respondia a sua pergunta. Fiquei calado.
- Tá perdido nestas bandas meu amigo ?
- O senhor me perdoe, mas já estava passando mal. Bati na porta, mas ninguém atendeu. Estava com muita fome, mas posso pagar pelo o que comi !
- Pagar o quê, homem ? Pagar nada ! Também já passei muita fome !
- Tava boa a carne ? Matei ontem.
- Para quem não come carne, achei este Mutum a melhor comida do mundo !
O homem era um velho, devia ter mais de setenta anos, usava óculos parecido com aquele de lampião, redondo e tôdo embaçado, suas roupas eram surradas, no ombro carregava uma cartucheira e uma capanga que devia ter pólvora, chumbo e espoleta.
- Se sobrou comida, vou botar para Estupe.
O velho se referia ao seu cachorro que olhava para nós lá de fora.
- E o senhor chegou aqui como ? Ele me perguntou.
- Estava pedalando e me perdi no meio da mata.
- Mata não e lugar para montar com ferro. Só se anda em lombo de burro ou na canela de caçador.
- É porque o senhor não conhece o meu burro de duas rodas, respondi. Qual é o seu nome mesmo ? Perguntei.
- Minha graça é Alagoano das Dores. Homem matador de bandido, mas agora estou aposentado.
Por que não podia ser mais um velhinho lenhador, pensei comigo mesmo ! Tinha que ser um matador ?
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Participe do manifesto para coleta de assinaturas para reivindicarmos aos órgãos competentes termos acesso com nossas bikes dentro de outros meios de transportes como ônibus e Metrô !
Acessem: http://mundodabike.blog.terra.com.br/abaixo_assinado_em_prol_do_transporte_da


criado por dimitrivianna
09:35:42 — Arquivado em:
Comentário por valci barreto — 23.2.07 @ 09:51:44
genial grande dimitri. merece ser publicado em papel e distribuido nas escolas. não tenho duvidas da grande lição. E não parece ficção.
parabens!
valci.
Comentário por dfgsh — 24.8.09 @ 09:28:05
essa coisa é muito chata