30.12.06

BIKE FIT

2ª Parte

Pesquisa e colaboração enviada por: Marcelo Cavalcante
Fonte: Bike Magazine
Matéria: Marcos Adami

                     

A Avaliação
O primeiro passo para a avaliação é fixar corretamente o taquinho na
sapatilha. O eixo do pedal deve ficar alinhado com o osso do metatarso,
no pé. Essa regulagem é muito importante para que toda a força executada
pelo ciclista seja transmitida de maneira direta sobre o pedal. “Errar a
regulagem do taquinho significa errar toda a postura sobre a bike”, diz.
Posteriormente, é necessário conhecer as medidas fundamentais do ciclista.
Com uma fita métrica, Camargo anota as medidas da altura do cavalo
(distância do vão das pernas até o chão), largura dos ombros (que será
importante para determinar a largura ideal de guidão), comprimento dos braços e também do tronco.
OBS: Note que a estatura (altura) do ciclista não é importante. O que importa
mesmo é a altura do cavalo, pois o comprimento de pernas, especialmente o osso do fêmur, varia de pessoa para pessoa.
Depois o ciclista passa por dois rápidos testes para determinar a sua flexibilidade, que serão importantes no momento do ajuste final da bike.
Flex Teste 1:
Deitado no chão, Camargo pede ao ciclista para levantar uma das pernas.
Simplesmente levantá-la do chão.
Com o auxílio de um goniômetro (espécie de transferidor) o ângulo formado
entre o fêmur e o tronco é anotado.
Flex Test 2:
Deitado no chão, com o joelho dobrado, o ciclista encolhe a coxa o mais
próximo possível de seu peito.
O ângulo formado pelo fêmur com o tronco é também inserido no programa.
Esses dois ângulos são importantes, pois revelam o quanto de flexibilidade o ciclista tem no momento da pedalada.
Todas as medidas recolhidas são então inseridas em um software desenvolvido pelo próprio Rogério, que vai calcular o tamanho de quadro ideal para o ciclismo — ou para o mountain bike —, e a largura do guidão.
O mesmo programa calcula também a altura inicial do selim, que pode variar mais tarde em função dos ajustes finais e do estilo de cada um.

Vídeo e Regulagem

Primeiro passo - Com a bike sobre um rolo de treinamento, o ciclista monta na bike, pedala e verifica se a altura inicial do selim está ideal para seu estilo de pedalada. Exemplo: um ciclista que gira mais as pernas pode ter o selim um pouco mais baixo e pode ter o selim até 0,5cm mais avançado. Um ciclista que pedala mais travado pode ter o selim ligeiramente mais elevado. O ciclista é filmado durante a pedalada no rolo para posterior comparação com os ajustes realizados.
Segundo passo - Com o auxílio de um prumo (desses de pedreiro), encontra-se a posição para o ciclista sobre o selim em que o tendão patelar fique alinhado com o metatarso e, consequentemente, na mesma linha do eixo do pedal. Essa posição é fundamental para a maior eficiência da pedalada. Se necessário, o selim é deslocado para frente ou para trás, conforme o caso.
Com o ciclista perfeitamente acomodado sobre o selim e altura definida, é hora de posicionar o ciclista sobre o guidão da bike. Aqui, os resultados dos testes Flex 1 e Flex 2 são fundamentais no posicionamento final do ciclista sobre a bike. A flexibilidade individual vai variar bastante de ciclista para ciclista e quanto mais alongamento tiver um ciclista, melhor.
Terceiro passo - Com o ciclista montado sobre a bike com ambos os pés clipados nos pedais, uma das pernas deve ficar com o pedal bem paralelo ao solo. O ângulo formado entre o fêmur, a fíbula e a tíbia é analisado. Para um ciclista que gira bastante os pedais (spinner), esse ângulo vai ficar ao redor dos 35 graus.
Já para quem pedala mais travado (smasher), um ângulo de 25º é o ideal.
Esses ângulos são alterados, mexendo-se cuidadosamente na altura do selim.
Essa regulagem é muito importante para evitar lesões no ciclista.
Quarto passo - Por último, com o ciclista segurando o pedal no ponto mais alto da pedalada (ponto morto superior), o ângulo formado entre o fêmur e o tronco é analisado.
Se este ângulo for menor que 60º, vai prejudicar a performance do ciclista, pois comprime o diafragma e dificulta respiração.
Esse ângulo é alterado na mesa do guidão. Às vezes pode ser necessária a
inversão da mesa (cabeça para baixo), ou até mesmo a substituição por outra.
Defeitos na Postura
Uma pedalada perfeita é aquela que é cíclica, bem redonda, sem falhas e que produz energia durante todo o ciclo. Falhas na postura produzem pedaladas defeituosas, que comprometem a performance e podem levar a sérias lesões.
Segundo Rogério Camargo, a mesa fora de posição e o taquinho mal ajustado são os defeitos mais comuns entre os ciclistas. "Há aqueles que têm uma posição muito agressiva sobre a bicicleta, na busca de mais aerodinâmica, entretanto, a flexibilidade individual deve ser observada além de, nem sempre a posição mais aerodinâmica é a que aproveita melhor a energia produzida pelo ciclista na pedalada", observa.
O processo todo de avaliação leva em torno de 1h30min e no final da avaliação é entregue ao cliente um CD com os vídeos (antes e depois do ajuste), exemplos de alongamentos específicos para ciclistas e os todos os demais dados da avaliação.
Na avaliação é necessário levar a bike (ou as bikes), bermuda ciclista e as
sapatilhas.
Veja alguns dos principais defeitos de postura sobre a bike:
- Selim alto demais: faz com que a pedalada fica quebrada e perde eficiência.
O ciclista rebola quando visto por trás.
- Selim baixo demais: Além de não produzir a energia ideal, um selim muito
baixo pode acarretar lesões, pois recruta outros grupos musculares.
- Selim muito para frente: durante a pedalada o joelho passa da linha do eixo do pedal e pode provocar dores no tendão patelar.
- Selim muito para trás: Pode gerar dores na panturrilha, logo atrás do joelho.
- Taquinho muito para frente: haverá menos apoio na base do pé do ciclista.
Fora do alinhamento do metatarso, há perda de força na pedalada.
- Taquinho muito para trás: A pedalada passa a ter como base o meio do pé
e pode acarretar dores na sola.
- Taquinho aberto ou fechado: Pode acarretar lesões nos ligamentos cruzados posterior e anterior do joelhos. A maioria dos problemas de ligamento vem de um taquinho mal posicionado.

 

criado por dimitrivianna    06:09:29 — Arquivado em: Ciclismo, Dicas de Saúde

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