26.9.06

Passeios Ciclísticos em Salvador

Colaboração e autoria: Dr.Valci Barreto

Uma grande revolução foi promovida em nossa Capital pelos blocos de Carnaval. Apesar de algumas reações contrárias à forma como esta festa maior da Bahia se processa nas ruas, é inquestionável o benefício econômico trazido pelos milhares de turistas que nos visitam durante o reinado do Momo e pelas centenas de atividades culturais e econômicas desenvolvidas em função do Carnaval.
Uma outra revolução está se processando na primeira Capital do Brasil, com repercussão, igualmente ao carnaval, em todo o Estado da Bahia: são os passeios ciclísticos.

                  

Todo o primeiro domingo de cada mês, normalmente saindo da Fonte Nova, centenas de ciclistas, vindos de todos os cantos da cidade, bairros periféricos e até de cidades vizinhas, se reúnem para um passeio pelas ruas de Salvador, promovido pela ASBEB - Associação dos Bicicleteiros do Estado da Bahia.
A finalidade é estimular o uso da bicicleta como lazer, esporte e meio de transporte; levar educação ao trânsito para ciclistas, motoristas e pedestres; buscar o compartilhamento das ruas para que a bicicleta nelas seja integrada como alternativa de transporte. Promove também ações filantrópicas, arrecadando donativos que são entregues a entidades carentes.
Os passeios são uma festa para os participantes e até mesmo para quem, das suas janelas, assiste à passagem dos divertidos ciclistas, muitos deles com "produções" alegres e muito curiosas. Existem ainda, como em todo aglomerado humano, aqueles que ainda não entenderam as mensagens em favor da boa educação, conduzindo suas bicicletas, durante o passeio, de forma inadequada. Porém, muitas transformações positivas têm-se operado.
Tendo os da ASBEB como modelo, novos grupos estão se formando, cada um com características próprias, o que também aconteceu com o carnaval.
Há grupos mais organizados, mais produzidos; uns que pedalam mais rápido, outros mais lentos; alguns que preferem o centro da cidade, outros os caminhos mais longos. Grupos com bicicletas e equipamentos mais humildes, outros mais sofisticados; porém, todos fazendo da bicicleta mais um instrumento da sua felicidade.
Alguns, além do desejo de pedalar, desenvolvem atividades mais voltadas para ações humanitárias, a exemplo do “Anjos de Bike”, que busca proteger, educar, afastar as dificuldades de ciclistas ou não que precisem de ajuda no seu trajeto; o “Pedal da Estrada”, que sai pelas ruas, cidades e povoados vizinhos, evangelizando, fazendo donativos, levando mensagens humanitárias a ciclistas ou não e o “Pedal de Cera”, com ações voltadas para crianças carentes. 

                 

A bicicleta para estes grupos e pessoas é mais do que uma paixão. É uma entidade quase religiosa. Muitas conquistas em favor da bicicleta em nossa capital já foram alcançadas. Outras estão por vir.
Uma delas, que de imediato pode ser atendida, sem qualquer prejuízo para a sociedade, é a permissão para acesso de bicicleta pelo Elevador Lacerda, Liberdade, Plano Inclinado, Escadaria da Lapa.
A lei que disciplina o uso da bicicleta assegura o direito a este acesso. Porém, ausência de cultura do seu uso e posturas administrativas o impede.
Estabelece a lei que disciplina o uso da bicicleta que o ciclista, conduzindo-a, tem os mesmos direitos assegurados ao pedestre. Há, assim, o direito de transportá-la através daqueles equipamentos urbanos.
Em café da manhã, promovido pelo gabinete do Vereador Reginaldo Oliveira, para tratarmos do assunto “bicicleta nas ruas”, reivindicamos gestões junto ao Governo Municipal neste sentido, de grande importância para a nossa cidade, inclusive para o turismo ciclístico que certamente, em pouco tempo, estará em nossa Capital.
Muitas outras dificuldades são sentidas como ausência de banheiros e de estacionamentos, reivindicações também pautadas pelos pedalantes, e o crescimento do número de assaltos a ciclistas, notadamente na ciclovia da orla e no Parque de Pituaçu.
No dia 23.09, aconteceu a 1ª Bicicletada de Salvador. Dele participaram os mais diferentes grupos de pedais: ASBEB, Amigos de Bike, Ciclobahia, Jabutis Vagarosos, Pedalada da Noite, Pedais da Estrada, Sincronia, Grupo de Narandiba, Apibike e de muitas pessoas que já utilizam a bicicleta para deslocamento casa/trabalho, com ampla cobertura da imprensa e apoio de muitos simpatizantes que têm vontade de pedalar.
As ruas não podem ser apenas dos automóveis, ônibus, táxis, motos. Tem que ser compartilhada. Afinal, todos pagam os mesmos impostos que mantém as cidades, o Estado, a União. Este foi o recado dado pelos Cicloativistas que participaram do evento.
Criado e mantido por Alexandre Machado e Lúcia Saraiva, o site www.amigosdebike.com.br; http://mundodabike.blog.terra.com.br/, criado e administrado pela dupla Dimitri/Itana ; http://pedaladadanoite.blog.terra.com.br/ , por Fernando e o http://alberto.bugarin.nom.br Mural de Bugarin , de Alberto Bugarin, pioneiro nas comunicações virutais dos nossos passeios, formam uma rede de comunicação entre os ciclistas e todos os interessados do mundo da bicicleta em nossa Capital.
Vale a pena visitá-los. Neles têm sido divulgados passeios e ações de todos os grupos envolvidos com este mundo de lazer, fantasia, esporte, meio de transporte, saúde e proteção ambiental que a bicicleta pode proporcionar.
Além das dificuldades experimentadas, até mesmo por quem pedala em Salvador, há uma criada pela ausência de cultura da utilização da bicicleta em nossa cidade: As ladeiras de Salvador. Esta parte, muito rica em nossa poesia, literatura, música, cinema, não se aplica à bicicleta. Para a magrela, Salvador é muito plana. Vale observar que se pode pedalar de Stella Mares, Práias do Flamento, Lauro de Freitas, Simões Filho, até a Suburbana, passando pela Ribeira, Bonfim, sem necessidade de subir uma ladeira sequer. Para nós, do mundo da bicicleta em Salvador, nossa cidade não possui ladeiras. Há poucas. Com o acesso pelos elevadores, que certamente virá, estas ladeiras ficarão apenas para a beleza da nossa cidade, poetas, estudantes de geografia, geologia, engenheiros da prefeitura, pedestres, carregadores de carrinho de mão e de cafezinho, jamais para nós. E não estou falando de bicicleta com marchas. Elas são ótimas, porém, perfeitamente dispensáveis.

                           

Todos nós temos muitos sonhos. Um deles já está sendo realizado: fazer tudo que já fazemos com as nossas magrelas e poder ver bem melhor as belezas que nossa cidade esconde dos olhos de quem não conhece o mundo de quem pedala.

 

criado por dimitrivianna    20:21:33 — Arquivado em: Artigos

1 Comentário »

  1. Comentário por valci barreto — 26.9.06 @ 21:51:20

    Itana-dimitri, muito obrigado pela publicação e pelas ilustrações. fiquei apaixonado!

    muito grato,

    valci.

    em todos os meus mosquitos, impressos de meu zine , outros materiais distribuidos, constará o blog MUNDODABIKE, QUE CADA DIA MELHORA MAIS.

    CICLOABRAÇOS,

    VALCI.

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