30.9.06

A bicicleta de 576 raios - recorde brasileiro

autoria : Guine

O Paranaense Reginaldo Langner, da bicicletaria Cicles Langner, recentemente entrou para o RankBrasil – Livro dos Recordes Brasileiro, apresentando sua bicicleta contendo 576 raios, sendo 288 em cada roda. Superando o próprio recorde, procurou pelos auditores do RankBrasil, para apresentar sua nova criação, agora conta com 864 raios numa bicicleta, sendo 432 em cada roda.

Tudo começou a partir de uma reportagem que leu, onde dizia que um rapaz de São Paulo havia montado uma bicicleta com 216 raios, pra ele, fazer aros com 48 e 72 raios era uma coisa normal e muita gente tem, mas aquele número não saiu da cabeça dele. Começou então, uma maratona de estudos e possibilidades.

“Pensei que se eu fizesse mais alguns furos no aro caberiam mais raios, então comecei a furar, mas montando, eu percebi que não era tão simples como eu imaginava”, Lembra Reginaldo Langner, na entrevista para o RankBrasil. Quando Reginaldo superou a primeira façanha, com 288 raios num mesmo aro, percebeu que ainda restavam espaços livres para mais raios. E foi assim, que iniciou uma nova batalha, agora, com total de 864 raios numa mesma bicicleta.

“432 raios em cada aro, não foi nada fácil, mesmo tendo o projeto pronto. Eu demorei um pouco mais para montar. Tive que ter muita paciência, mas consegui.

Todo o esforço de Reginaldo é reconhecido pelo povo e pela imprensa regional, e perguntas curiosas é que não faltam, quando as pessoas passam admiradas e param pra fotografar, já que as bicicletas que entraram para o RankBrasil – Livro dos Recordes Brasileiro, com Maior quantidade de Raios Numa Bicicleta, ficam expostas em sua bicicletaria - Cicles Langner.E lá, encontramos outras diversas criações, em se tratando de bicicletas diferentes, como: bicicletas grandes, pequenas, altas e também com 4 aros. Acreditando que bate novamente o próprio recorde, Reginaldo garante: “Tenho um outro projeto em mãos e está bem guardado, Garante Reginaldo jamais alguém viu coisa igual”.

criado por dimitrivianna    12:10:32 — Arquivado em: Dicas mecânicas - Fale c/Guiné

A Velha TPC

autoria Dimitri Viana

A mais famosa das crises de tensão que conhecemos é a famosa TPM das mulheres e todo homem já viu como fica a sua mulher, amiga, colega de trabalho nos dias em que a tensão pré-menstrual está ativa.

Companheiro … pelo menos desta nós homens estamos livres. Mas existe uma outra forma de tensão, um stress muito parecido e que neste caso atinge homens e mulheres e a TPC Tensão Pré Competição.

Já participei de dezenas de competições de ciclismo e de corrida e posso afirmar que a grande maioria dos atletas, sejam eles amadores ou profissionais, sofrem com a TPC em diferentes níveis

Por falta de um acompanhamento psicológico este tipo de tensão afeta e muito o desempenho dos atletas, principalmente em suas primeiras competições. Por isto é muito comum você ver atletas que treinam muito e têem um baixo rendimento durante as provas.

A TPC é uma tensão causada basicamente pela ansiedade pré competição, ou seja, ela normalmente começa no dia anterior a prova. Seus sintomas são diversos e podem inclusive ser físicos.

As mais comuns são agitação, insônia, falta de apetite, aumento da freqüência cardíaca e dor de barriga a famosa "" Caruara "".

Vou citar agora um caso típico que acontece principalmente quando você viaja em grupo com atletas que competem em categorias iguais para uma competição:

Um atleta que se dizia preparado e estava treinado começa a falar para seus colegas durante a viagem que está indo apenas para competir, que não está tão bem assim, etc. Neste momento os outros atletas, como forma de consolá-lo, também começam a dizer que não estão tão bem assim. Na verdade este chamado jogo psicológico serve como uma aspirina para aliviar a tensão do indivíduo e de todo o grupo.

O que na verdade acontece é que o atleta mais preparado psicologicamente vai deixar este colega para trás, comendo poeira na hora da largada.

Existem fórmulas de aliviar esta tensão pré competição, a TPC, mas estas fórmulas não fazem milagres … apenas aliviam as tensões, pois o certo mesmo para o atleta que leva a competição a sério é buscar ajuda de um profissional, um psicólogo.

Leia agora algumas pequenas dicas para que você não sofra tanto por antecipação. Sofrer durante, faz aparte do esporte, mas antes…

Dicas contra a TPC:

1.0 - No dia anterior à prova se estiver na sua cidade descanse, fique com sua família, evite ao máximo conversar sobre o assunto com colegas e se estiver viajando para um prova, durante a viagem fale até da novela das oito, mas evite falar da competição do dia seguinte. Ao chegar ao Hotel vá para cama leia ,veja TV, pense até no vídeo da Cicarelli, mas evite sair para qualquer evento. É hora da chamada concentração e economia de energia.

2.0 - Tomar tranqüilizantes e uma cervejinha para relaxar é uma grande uma "roubada". O melhor mesmo é o velho chá quente com torradas ou algo parecido. Evite comer demais e mesmo se você for participar de um Trip Trail não adianta comer uma pizza inteira. A esta altura você já deve estar bem nutrido e hidradato para a prova.

Claro que uma boa quantidade de carboidratos deve ser consumida, mas sem exageros. Você deve passar a noite na cama e não no trono do banheiro.

3.0 - Se vc e pratica Ioga, massoterapia, acumpultura ou qualquer terapia alternativa, … este e o dia ideal para que estas terapias sejam usadas na luta contra a TPC.

No mais, é só lembrar que esta é apenas uma competição e que terá outras pela frente.

Não vale valorizar muito suas derrotas para não esquecer de suas vitórias da vida !

criado por dimitrivianna    10:36:11 — Arquivado em: Artigos

28.9.06

Primeira Excursão do Mundo da Bike !

                               

O Mundo da Bike tem o prazer de informar que a primeira "Eco-Biker" já tem cronograma e data definida.
Leia abaixo todas as informações necessárias e faça logo sua reserva. As vagas são limitadas.

Dia 15 de Novembro/06 - Saída para Serra Grande às 6:00 AM
Local: Estacionamento McDonalds no Rio Vermelho
Tempo de Viagem: aproximadamente 6 horas
Distância: 450 km de Salvador via BR 101

                                

Chegada ao Hotel: 12:00 hs

13:00 hs - Almoço

15:00 hs - Batizado do Mountain

Passeio em Trilha leve dentro da mata próxima ao Hotel (single track com trechos de areia, passagem de água na cintura), mas sem subidas. Distancia 15 km.
Grau: leve
Obs: Recomendamos para este dia calça de bike e manguitos.

18:00 hs - Retorno ao Hotel

20:00 hs - Jantar e noite livre

Dia 16 de Novembro - Sexta-Feira

6:30 hs - Café da manhã

7:30 hs - Saída de Van com destino as Trilhas da Fazenda Caititu

                              

8:00 hs - Início do Passeio - distância total 35 km
Perfil do percurso: subidas e descidas em estradas dentro da Mata Atlântica.
Grau: moderado
Obs: recomendamos para este dia roupas e acessórios ciclísticos e roupa de banho.

9:30 hs - Chegada à sede Fazenda Caititu - ponto de apoio e descanso.

10:00 hs - Seguiremos para cachoeira, passando por single tracks com pontes de madeira, riachos etc.

                               

11:00 hs - Chegada à cachoeira para banho e relax total.

12:00 hs - Retorno para a Van

14:00 hs - Encontro com a Van. Seguiremos para ver os Mirantes de Serra Grande, tirar fotos, etc.

                              

14:30 hs - Seguiremos para o Hotel

15:00 hs - Almoço e descanso na piscina ou praia

                               

19:00 hs - Jantar e noite livre

Dia 17 de Novembro - Sábado

6:30 hs - Café da Manhã

7:30 hs - Saída do Hotel pedalando para trilhas em praias desertas. Subida da ladeira de 2 km de Serra Grande pedalando e passando pela Vila de Serra Grande em direção às praias da Mata Atlântica.

                                

Perfil: subidas e descidas fortes em estradão e trilhas, porém possíveis para qualquer biker. Distância total: 25 km.
Grau: moderado
Obs: recomendamos para este dia roupas e acessórios ciclísticos e roupa de banho.

10:00 hs - Chegada às praias desertas

11:00 hs - Retorno para o Hotel

13:00 hs - Almoço

14:00 hs - Tarde livre para ir à praia

18:00 hs - Jantar

20:00 hs - Passeio de Van para Itacaré - 30 km

23:00 hs - Retorno para o Hotel

Dia 18 de Novembro - Domingo

9:00 hs - Café da Manhã

10:00 hs - Manhã livre para ir à praia, piscina, etc.

12:00 hs - Almoço

14:30 hs - Retorno para Salvador

O que está incluso no Pacote:

- Transporte com a Van equipada com racks apropiados para levar as bikes, ar-condicionado e CD.

- Hospedagem no INH Hotel com quartos duplos com ar-condicionado, piscina, frigobar, TV, banheiro, e varanda.

                                

- 03 refeições por dia: café da manhã, almoço e jantar (café completo ou massa) - bebidas não incluídas.
- Guia local nas trilhas
- Mecânico treinado para emergências

O que não está incluso no Pacote:

- Bebidas e alimentação durante os passeios
- Seguro contra acidentes pessoais
- Consumo individual como ligações telefônicas, Frigobar, etc.

Valores: (Até 15 de Outubro/2006)
R$ 650,00 por pessoa
Condições de Pagamento: entrada de R$ 270,00 reais + dois cheques pré-datados de R$ 190,00 para 30 e 60 dias (sem juros)

Valores: (Até 05 de Novembro/2006)
R$ 680,00 por pessoa
Condição de Pagamento: entrada de R$ 340,00 reais + cheque
pré-datado de R$ 340,00 para 30 dias

Vale lembrar aos participantes da excursão que não será obrigatório fazer todos os passeios. Se preferirem poderão ficar simplesmente descansando à beira do mar ou da piscina. Afinal a nossa idéia é dar oportunidade para escolher entre pedalar em lugares maravilhosos ou simplesmente descansar no paraíso .

Reservas e informacões:

Dimitri Viana e Itana

mundodabike@gmail.com

criado por dimitrivianna    20:33:09 — Arquivado em: Trilhas/Viagens/Passeios

Jorge e Tati - Diário de Viagem na Itália

O Mundo da Bike abre espaço para o diário de viagem de dois amigos de muitos bikers da cidade: Jorge e Tati - que estão morando na Itália.
Um casal apaixonado por bikes que deixou muitas saudades aqui no Brasil.

Itália - o que deu certo e o que deu errado.

Como já era de conhecimento de todos, nosso destino era Castelina em Chianti, uma vila da província de Siena na região de Toscana no centro norte da Itália.

O roteiro da viagem era o seguinte: avião - Fortaleza-Madri (Espanha) - Roma. Depois iríamos de trem pra Siena e depois de carro até Castelina em Chianti.

No aeroporto de Madri deu tudo certo. Na imigração eles nem sequer olharam na nossa cara. Carimbaram os passaportes e pronto. Obs: e olha que estávamos morrendo de medo se sermos barrados. Hahahaha.

Chegamos de manhã cedo e nosso vôo pra Roma era as 4 da tarde. O que fazer (?) …

Procuramos um canto pra “descansar” dentro do aeroporto mesmo. E não era só eu e a Tati …

Pra não dizer que deu tudo certo na Espanha, perdemos o vôo pra Roma. Colocamos a culpa na falta de informação da empresa aérea e pra resumir, conseguimos transferir nosso vôo pro dia seguinte com direito a uma noite num hotel 4 estrelas com jantar e café da manhã. Foi uma festa. Pena que não tiramos fotos do hotel. Estávamos com vergonha porque o hotel era muito chic…hahaha

Embarcamos em Madri as 9 da manhã e chegamos em Roma 1 hora da tarde, mais ou menos isso…

E agora, o que fazer (?): Pegar o trem e ir pra Siena … não dava certo, pois iríamos chegar lá de noite, depois das 10 da noite, e não queríamos incomodar ninguém de noite. Decidimos ficar no aeroporto até o dia seguinte. Andamos de um lado pro outro até encontrar um “cafofo” pra descansar.

O aeroporto de Madri era lindo e limpo, mas o de Roma….uma merda. Deixa pra lá.

A decisão de dormir no aeroporto era uma questão de economia, pois não estávamos lá como turistas.

Começou a ralação. Todo mundo fez a mesma coisa que nós. Foi difícil de arrumar uma vaga no “hotel” sem estrela. Lição número 1: a vida é dura pra quem é mole.

Tinha gente dormindo em todo lugar possível e isso era um ponto de positivo pois não estávamos sozinhos.

Eu infelizmente não consigo dormir direito em determinadas situações. A Tati estava no terceiro sono e eu tentando me animar um pouco … bobalhão … hahaha

No dia seguinte fomos pra Siena. Como foi:

Do aeroporto carregamos as 2 malas e as 2 bikes até a estação do trem que ia até Tiburtina de onde pegamos um ônibus até Siena e de trem era muito mais complicado, imagina…

Deu tudo certo. Chegamos em Siena meio dia e ligamos pra nossos “anfitriões”.

Com o pessoal de Siena, acho que todos já sabem o que deveria acontecer em relação a trabalho e moradia, mas por via das dúvidas…. era previsto: eu iria trabalhar com o Luigi na BIG BLU e a Tati iria cuidar dos 2 filhos, 3 e 7 anos de idade, e manter a casa limpa. Deu tudo errado.

No inicio foi difícil.

Antes de falar de como deu tudo errado, vou falar um pouco de como é a Toscana:

Lindo, muito diferente do que já vi no Brasil e nos EUA. Castelina e muito pequena, nunca conseguiríamos viver lá. Estamos acostumados com cidade grande.

Nossa permanência em Siena foi curta, chegamos dia 24 de julho e pulamos fora dia 13 de agosto.

Eu e Tati ficávamos na casa fazendo o que tínhamos que fazer e até um pouco mais, e nas horas de folga que tínhamos, era em cima da bike.

A região e formada por enormes vales. Se você não está subindo, com certeza está descendo.

Castelina em Chianti é a região de onde vem o vinho Chianti encontrado nas melhores vinícolas do mundo. O lugar é lindo e as paisagens são de filme. Nosso programa favorito era ir até Siena sede, que fica a 18 km de Castelina. Detalhe: eram exatamente 8 km descendo e 10 subindo. Mas não tínhamos outra opção de divertimento mesmo…

Tudo asfaltado limpinho organizado, os motoristas respeitam os ciclistas. Parece o paraíso … hahaha.

Tiramos várias fotos em dias diferentes e em lugares muito legais. Com o tempo mando as fotos se quiserem.

Tem muita coisa pra contar, se já está grande o que estou escrevendo, se for na íntegra, vai dar um livro. Quem sabe não escrevo um: “As Aventuras de Jorge e Tatiana” … kakakakaka.

O que deu de errado…..

No começo é tudo um mar de rosas, mas quando vamos pegando intimidade ….

Eu dei uma geral na casa em relação à reforma pois tinha umas coisinhas pra fazer e foi moleza.

No quarto dia a Tati fez a seguinte pergunta pra dona da casa: - “Afinal de contas, o que exatamente você quer que eu faça” ? … A mulher respondeu: - “Ainda é cedo, deixa vcs se acostumarem com a cidade”. Foi a gota d’água. Começávamos a trabalhar de manhã e só parávamos as 10 da noite. A Tati parecia uma escrava. Arrumava a bagunça do café da manhã, do almoço e do jantar. Lavava, passava e cuidava dos pestinhas. Eu tentava ajudar como podia porque era mais independente que ela. Eu fazia meu próprio esquema. Não deixei ninguém “montar em cima”, mas para Tati foi difícil.

Pra piorar a situação, o lugar era um deserto, sem barulho nem de passarinho. A rua em que morávamos tinha algumas casas, mas saindo da rua era só plantação de uva, muitos vales arados e o vizinho mais próximo da rua era a 5 km.

Resumindo: era uma prisão ao ar livre.

Decidimos mudar pro plano B.

Vamos pra Milão. Armamos um esquema, tramamos um plano de desculpas e motivos diversos e demos um jeitinho brasileiro de sair bonito na foto.

Numa outra oportunidade falo da novela que foi quando falamos que iríamos embora. Falaram que éramos doidos (isso todo mundo que nos conhece já sabe, só eles que não) … hahaha. Enfim, viemos pra Milão com a cara e a coragem. Sem conhecer ninguém, sem lugar pra morar e sem falar italiano.

O Luigi nos levou até Firenze que fica a 50 km de Siena e de lá viemos de trem até Milão.

Depois conto como foi nossa chegada em Milão e o que está rolando.

criado por dimitrivianna    08:56:25 — Arquivado em: Trilhas/Viagens/Passeios

27.9.06

O imaginário da derrota - 3ª parte

Kátia Rubio
Universidade de São Paulo – USP-SP

Para compreender melhor este artigo recomendamos a leitura da 1ª  e 2 parte postada no Blog há alguns dias atrás. Este artigo será dividido em 04 partes.

A derrota como sombra social
A dificuldade que protagonistas do mundo esportivo e teóricos têm de lidar com a derrota talvez resida na posição que essa condição assumiu na cultura contemporânea ocidental. Fincada em um modelo de rendimento-premiação no qual não apenas ganhos materiais estão em questão, mas também o reconhecimento de um feito que garante a imortalidade, é possível dizer que a derrota é a sombra social do esporte contemporâneo. Entende-se por sombra os elementos do psiquismo individual e coletivo que incompatíveis com a forma de vida conscientemente escolhida, não foram elaborados levando-os a se unirem ao inconsciente, o que os faz agir de maneira relativamente autônoma, com tendências opostas às do consciente. Dessa forma, assiste-se a uma afirmação do imaginário heróico no esporte contemporâneo, não por sua proximidade com a superação de limites, mas pela identificação unilateral com as proezas reconhecidas e justificáveis de pessoas consideradas sobre-humanas.
Essa é uma das razões que leva Christlieb (2004) e Delattre (2001) a afirmar que o jogo acaba quando começa o esporte, porque o esporte já não é um jogo, senão uma função, isto é, ele já não serve para jogar, senão sempre para algo mais: ganhar dinheiro, ser famoso, vender produtos, impressionar incautos, ganhar espectadores, ver-se saudável, fechar negócios ou entrar em um círculo social. Todos esses atributos valorizam e enfatizam a necessidade de reconhecimento e destaque social.


Os valores promovidos por uma grande parcela da sociedade ocidental contemporânea estão baseados na excelência e na motivação individual e social voltadas para a produção. Essa forma de vida facilita o desenvolvimento de um modelo esportivo que prepara crianças e jovens para o sucesso em uma vida altamente competitiva e desenvolve valores morais como a perseverança, o sacrifício, o trabalho árduo, o cumprimento de normas, o trabalho em equipe e a auto-disciplina. Entretanto, esses mesmos valores são responsáveis por muitos problemas éticos encontrados no esporte, entre eles a glorificação dos vencedores e o esquecimento dos derrotados. No esporte isso tem levado a uma desumanização do atleta e à sua alienação (Bourdieu, 1993; Eitzen, 2001; Gonzalez, 1997).


Quando abordamos o esporte competitivo lidamos com pessoas que passaram a maior parte de suas existências envolvidas, por vezes, exclusivamente com uma vida de treinos e competições. Embora a vitória e a derrota façam parte do repertório do atleta, aquele que conseguiu chegar em um nível de representação nacional, certamente experimentou muito mais situações de vitória do que de derrota. E reforçando uma máxima de que sobre a vitória não é preciso elaboração, os momentos de derrota são sempre tidos como próprios para avaliar erros e refazer planejamentos, levando atletas e equipes a se considerarem duplamente punidos.
Para Ferrando, Otero e Barata (1998) uma vitória não é idêntica a uma experiência de êxito, e uma derrota não é em si, uma experiência de fracasso. As experiências de êxito aparecem quando o rendimento esperado foi alcançado ou superado. As experiências de fracasso se encontram na diferença negativa entre o resultado esperado e o resultado obtido.
Nem toda preparação física ou mental, a partir de treinamentos extenuantes, nem a utilização de conhecimentos científicos, ou o desenvolvimento de materiais feitos a partir de avançada tecnologia, muito menos o uso de substâncias dopantes, dão a certeza ao atleta da garantia da vitória. "Saber perder" é uma das características que se atribui ao "estilo esportivo", embora seja mais uma força de expressão do que uma disposição efetiva.
Assim, a derrota pode levar o atleta a desenvolver dois tipos de condutas: ou provoca o abandono da vida competitiva ou produz um fortalecimento de atitude. Afirma Cagigal (1996) que das derrotas, do sentimento de inferioridade derivado delas, quando não cristalizam em frustração permanente, se produz na reorganização de forças pessoais; e aí está o princípio da superação. "A derrota superada significa enriquecimento da pessoa. Em uma personalidade preparada, esta antítese desencadeia novas energias, descobre inusitadas habilidades, abre horizontes, ordena uma reestruturação de mecanismos, enriquece as diferenciações, de todo o qual sai a personalidade fortalecida" (p.844).
As pessoas que defendem os benefícios do esporte no desenvolvimento do caráter afirmam que os atletas aprendem a superar obstáculos, a cooperar com os companheiros, a desenvolver autocontrole e a persistir diante de derrota. A prática esportiva surge como um espírito de superação de limites e esta atitude é considerada como um ideal positivo para a formação dos indivíduos; daí a importância do esporte como agente socializador. Cagigal (1996) amplia essa discussão ao afirmar que "saber perder" e, como perspectiva educativa, "ensinar a saber perder" não significam necessariamente derrotismo nem fatalismo. Para o autor, "os verdadeiros triunfadores na humanidade não são sempre vencedores, mas sim os que têm assumido plenamente sua condição humana"

criado por dimitrivianna    17:50:14 — Arquivado em: Artigos

26.9.06

LUVAS também são itens de segurança !

Por: Fábio Satoshi Numa

Muitas pessoas, quando estão numa loja para adquirir um par de luvas, se deixam levar pelo grafismo e cores vivas. Luvas vão além de simples acessórios estéticos. São itens de segurança muito importantes.

Quando se leva um tombo, o primeiro ato instintivo do ciclista é amortecer a queda apoiando as mãos no chão. Além disso, as luvas protegem as mãos contra galhos, insetos e espinhos. Estudos estimam que aproximadamente metade (40%) dos ciclistas sofre de insensibilidade e/ou fraqueza em suas mãos.

                            

Destes, de cada três em quatro problemas (75%) que são causados pela pressão no tendão do pulso. Portanto, as luvas são cruciais para evitar machucados nas mãos e lesões sérias nos pulsos.

Existem no mercado várias marcas e modelos. Para o cross-country, o tipo de luva mais comum é aquela que cobre somente metade dos dedos. Permite maior mobilidade dos dedos, possibilitando ações rápidas no comando sobre a bike, além de não esquentarem tanto como as luvas fechadas. As luvas fechadas são muito utilizadas no downhill. E não é por menos, pois oferecem maior proteção nos tombos, por serem feitas de materiais mais resistentes.

O material mais utilizado na confecção das luvas é o tecido sintético, ou com Lycra®. Elas se adaptam melhor ao contorno das mãos, a transpiração é eliminada melhor e secam mais rapidamente. Atualmente, a utilização de materiais mais leves, finos e resistentes, e que eliminam rapidamente o suor e a umidade, estão tornando possível a utilização de luvas fechadas em dias quentes, permitindo também a mesma mobilidade que as luvas de cross-country, e trazendo mais segurança nos tombos.

Outra contribuição das luvas é o maior conforto que elas oferecem, pois os modelos que têm a palma acolchoada absorvem parte do impacto transmitida pelas rodas dianteiras. Assim, a fadiga no braço diminui, tanto como as dores indesejáveis no pulso. E garantem também maior firmeza no guidão, aumentando o controle sobre a bike. E no inverno elas protegem as mãos do vento frio, que podem chegar a congelar os dedos.

Quanto ao preço, elas variam de R$ 10,00, nos modelos mais simples, a R$ 50,00 nos modelos mais sofisticados.

Na compra deste equipamento, fique atento no seguinte:
• compre luvas de material resistente e confiável, que não rasguem tão facilmente. Existem muitos modelos que se acabam depois da terceira lavagem;
• como qualquer outro vestuário, experimente antes de adquirir um par. Veja se elas vestem bem nas suas mãos. Elas não podem ficar nem muito apertadas e nem muito folgadas;
• tenha um par de luvas para cada tipo de situação. Por exemplo, um par mais leve e fresco para os dias quentes e úmidos, e um par do tipo fechado e quente para os dias frios e secos.

Dica: não devemos nos esquecer de lavar as luvas. Como qualquer outro vestuário, o suor pode diminuir a vida útil da luva e também trazer irritação na pele. Higiene nunca é de menos. Utilize sabão neutro e seque na sombra.

Tal qual como o capacete, as luvas são itens que sempre devem acompanhar o ciclista, mesmo para um passeio ocasional, pois um tombo sempre é imprevisível.

criado por dimitrivianna    21:12:44 — Arquivado em: Artigos

Passeios Ciclísticos em Salvador

Colaboração e autoria: Dr.Valci Barreto

Uma grande revolução foi promovida em nossa Capital pelos blocos de Carnaval. Apesar de algumas reações contrárias à forma como esta festa maior da Bahia se processa nas ruas, é inquestionável o benefício econômico trazido pelos milhares de turistas que nos visitam durante o reinado do Momo e pelas centenas de atividades culturais e econômicas desenvolvidas em função do Carnaval.
Uma outra revolução está se processando na primeira Capital do Brasil, com repercussão, igualmente ao carnaval, em todo o Estado da Bahia: são os passeios ciclísticos.

                  

Todo o primeiro domingo de cada mês, normalmente saindo da Fonte Nova, centenas de ciclistas, vindos de todos os cantos da cidade, bairros periféricos e até de cidades vizinhas, se reúnem para um passeio pelas ruas de Salvador, promovido pela ASBEB - Associação dos Bicicleteiros do Estado da Bahia.
A finalidade é estimular o uso da bicicleta como lazer, esporte e meio de transporte; levar educação ao trânsito para ciclistas, motoristas e pedestres; buscar o compartilhamento das ruas para que a bicicleta nelas seja integrada como alternativa de transporte. Promove também ações filantrópicas, arrecadando donativos que são entregues a entidades carentes.
Os passeios são uma festa para os participantes e até mesmo para quem, das suas janelas, assiste à passagem dos divertidos ciclistas, muitos deles com "produções" alegres e muito curiosas. Existem ainda, como em todo aglomerado humano, aqueles que ainda não entenderam as mensagens em favor da boa educação, conduzindo suas bicicletas, durante o passeio, de forma inadequada. Porém, muitas transformações positivas têm-se operado.
Tendo os da ASBEB como modelo, novos grupos estão se formando, cada um com características próprias, o que também aconteceu com o carnaval.
Há grupos mais organizados, mais produzidos; uns que pedalam mais rápido, outros mais lentos; alguns que preferem o centro da cidade, outros os caminhos mais longos. Grupos com bicicletas e equipamentos mais humildes, outros mais sofisticados; porém, todos fazendo da bicicleta mais um instrumento da sua felicidade.
Alguns, além do desejo de pedalar, desenvolvem atividades mais voltadas para ações humanitárias, a exemplo do “Anjos de Bike”, que busca proteger, educar, afastar as dificuldades de ciclistas ou não que precisem de ajuda no seu trajeto; o “Pedal da Estrada”, que sai pelas ruas, cidades e povoados vizinhos, evangelizando, fazendo donativos, levando mensagens humanitárias a ciclistas ou não e o “Pedal de Cera”, com ações voltadas para crianças carentes. 

                 

A bicicleta para estes grupos e pessoas é mais do que uma paixão. É uma entidade quase religiosa. Muitas conquistas em favor da bicicleta em nossa capital já foram alcançadas. Outras estão por vir.
Uma delas, que de imediato pode ser atendida, sem qualquer prejuízo para a sociedade, é a permissão para acesso de bicicleta pelo Elevador Lacerda, Liberdade, Plano Inclinado, Escadaria da Lapa.
A lei que disciplina o uso da bicicleta assegura o direito a este acesso. Porém, ausência de cultura do seu uso e posturas administrativas o impede.
Estabelece a lei que disciplina o uso da bicicleta que o ciclista, conduzindo-a, tem os mesmos direitos assegurados ao pedestre. Há, assim, o direito de transportá-la através daqueles equipamentos urbanos.
Em café da manhã, promovido pelo gabinete do Vereador Reginaldo Oliveira, para tratarmos do assunto “bicicleta nas ruas”, reivindicamos gestões junto ao Governo Municipal neste sentido, de grande importância para a nossa cidade, inclusive para o turismo ciclístico que certamente, em pouco tempo, estará em nossa Capital.
Muitas outras dificuldades são sentidas como ausência de banheiros e de estacionamentos, reivindicações também pautadas pelos pedalantes, e o crescimento do número de assaltos a ciclistas, notadamente na ciclovia da orla e no Parque de Pituaçu.
No dia 23.09, aconteceu a 1ª Bicicletada de Salvador. Dele participaram os mais diferentes grupos de pedais: ASBEB, Amigos de Bike, Ciclobahia, Jabutis Vagarosos, Pedalada da Noite, Pedais da Estrada, Sincronia, Grupo de Narandiba, Apibike e de muitas pessoas que já utilizam a bicicleta para deslocamento casa/trabalho, com ampla cobertura da imprensa e apoio de muitos simpatizantes que têm vontade de pedalar.
As ruas não podem ser apenas dos automóveis, ônibus, táxis, motos. Tem que ser compartilhada. Afinal, todos pagam os mesmos impostos que mantém as cidades, o Estado, a União. Este foi o recado dado pelos Cicloativistas que participaram do evento.
Criado e mantido por Alexandre Machado e Lúcia Saraiva, o site www.amigosdebike.com.br; http://mundodabike.blog.terra.com.br/, criado e administrado pela dupla Dimitri/Itana ; http://pedaladadanoite.blog.terra.com.br/ , por Fernando e o http://alberto.bugarin.nom.br Mural de Bugarin , de Alberto Bugarin, pioneiro nas comunicações virutais dos nossos passeios, formam uma rede de comunicação entre os ciclistas e todos os interessados do mundo da bicicleta em nossa Capital.
Vale a pena visitá-los. Neles têm sido divulgados passeios e ações de todos os grupos envolvidos com este mundo de lazer, fantasia, esporte, meio de transporte, saúde e proteção ambiental que a bicicleta pode proporcionar.
Além das dificuldades experimentadas, até mesmo por quem pedala em Salvador, há uma criada pela ausência de cultura da utilização da bicicleta em nossa cidade: As ladeiras de Salvador. Esta parte, muito rica em nossa poesia, literatura, música, cinema, não se aplica à bicicleta. Para a magrela, Salvador é muito plana. Vale observar que se pode pedalar de Stella Mares, Práias do Flamento, Lauro de Freitas, Simões Filho, até a Suburbana, passando pela Ribeira, Bonfim, sem necessidade de subir uma ladeira sequer. Para nós, do mundo da bicicleta em Salvador, nossa cidade não possui ladeiras. Há poucas. Com o acesso pelos elevadores, que certamente virá, estas ladeiras ficarão apenas para a beleza da nossa cidade, poetas, estudantes de geografia, geologia, engenheiros da prefeitura, pedestres, carregadores de carrinho de mão e de cafezinho, jamais para nós. E não estou falando de bicicleta com marchas. Elas são ótimas, porém, perfeitamente dispensáveis.

                           

Todos nós temos muitos sonhos. Um deles já está sendo realizado: fazer tudo que já fazemos com as nossas magrelas e poder ver bem melhor as belezas que nossa cidade esconde dos olhos de quem não conhece o mundo de quem pedala.

 

criado por dimitrivianna    20:21:33 — Arquivado em: Artigos

COMO NÃO SER ATROPELADO POR CARROS - 3ª PARTE

Leiam terceira partes do Curso

"COMO NÃO SER ATROPELADO POR CARROS"

Aconselho a todos os ciclistas urbanos a lerem curso integralmente ainda teremos mais duas partes finais desta bíblia salva vidas de ciclistas!

Do original "How to Not Get Hit by Cars"
por Michael Bluejay
Traduzido e adaptado por Alcides Monteiro

Acidente Tipo 5: O gancho de direita (parte 2)

Você está ultrapassando um carro que segue bem lentamente (ou mesmo uma outra bike), pela direita, quando sem aviso algum ele vira à direita em cima de você, tentando entrar numa garagem ou na rua lateral.

Como evitar esse tipo de acidente?

1. Não ultrapasse pela Direita. Esse acidente é muito fácil de se evitar. Apenas NUNCA ULTRAPASSE NADA PELA DIREITA! Se o carro à frente está a apenas 10 por hora, então você deve simplesmente reduzir a sua velocidade também, mas deve ficar atrás dele. Ele eventualmente irá começar a se movimentar mais rápido. Se isso não acontecer, passe pela esquerda quando for seguro fazer isso. E ao fazer isso, acione a sua buzina (Tlim, Tlim…)

Quanto for ultrapassar um ciclista pela esquerda, anuncie claramente "ESQUERDA!!" (Naturalmente, será muito menos provável eles irem para a esquerda de repente, sem olhar, (pois eles poderiam ser atingidos pelo tráfego) do que fazerem esse movimento para a Direita, para o seu destino). Se eles estão muito à sua esquerda para que você possa ultrapassa-los com segurança, então anuncie "DIREITA!!" (E tome buzina… Tlim Tlim…)

Se muitos carros estão parados no cruzamento, então você pode tentar ultrapassa-los pela direita, mas com muita cautela. Lembre-se que alguém pode abrir uma porta do lado direito sem qualquer cuidado para sair do carro. Também lembre-se que se você passa pela direita e o tráfego começa a fluir novamente, você pode sofrer um Tipo 3 - O Sinal vermelho mortal!

Observe que quando você está seguindo um carro em baixa velocidade, ande atrás dele, não na ZONA CEGA dele, à direita. Mesmo que você não ultrapasse o carro pela direita, você vai bater se ele virar à direita e você estiver muito perto dele. Dê a si mesmo espaço suficiente para brecar caso ele parar ou virar.

2. Olhe para trás antes de virar a direita. Aqui está a sua oportunidade de evitar se chocar contra ciclistas que violaram a regra 1 acima e tentam te ultrapassar pela direita. Olhe para trás antes de fazer o sinal de mão direita para ter certeza de que nenhum biker está tentando ultrapassar você. (Também lembre-se que ele pode estar vindo bem atrás de você na calçada enquanto você (que sabe das coisas) vai pela rua). Lembre-se: mesmo sendo uma falha do outro ciclista - que ao tentar ultrapassar pela direita, arrisca uma colisão entre vocês - tenha certeza de que o tombo não vai machucar menos por isso. 

Acidente Tipo 6: O cruzamento à Esquerda

                                                     

Um carro vindo em sua direção, vira à esquerda bem na sua frente, ou em cima de você. Este acidente é similar ao # 1 acima. Entre os ciclistas locais (no Texas, EUA) que bateram dessa forma incluem-se Dr. Lee Chilton, John Howell e Janne Osborne. (Quem quiser fornecer seus nomes para dar um tom mais local é só escrever para a usebike@hotmail.com contando a sua façanha, mas apenas se ainda estiver vivo por obséquio :-o

Como evitar esse tipo de acidente?

1. Não pedale sobre as calçadas. Quando você vem da calçada para cruzar uma rua, você está invisível para motoristas que estão virando.

2. Use um farol. Se você está pedalando a noite, você tem que usar um farol frontal. Isso é exigido por Lei de qualquer forma. Mas use também durante o dia.

3. Use alguma coisa brilhante, inclusive durante o dia. Isso pode parecer um pouco estúpido, mas bikes são pequenas e não muito fáceis de serem notadas inclusive durante o dia. Roupas com faixas reflexivas em amarelo ou laranja fazem realmente uma grande diferença. Pedalando junto com uma amiga que usava uma roupa dessas, mesmo ela indo á frente em torno de 400 ou 500 metros, eu já não conseguia vê-la claramente ou à sua bike, mas a roupa continuava perfeitamente visível. (Bom, eu já falei disso alí em cima, não economize nisso. APAREÇA! )

4. Reduza a velocidade. Se você não consegue contato visual com o motorista (especialmente à noite ou em carros "filmados"), reduza a velocidade o bastante para que você consiga parar totalmente se necessário. Claro, um grande incoveniente, mas, evitando o acidente, você poderá continuar fazendo o que gosta: pedalar!

criado por dimitrivianna    18:55:02 — Arquivado em: Cursos

25.9.06

Atribulações de 1 bike inglesa no Rio Vermelho

Autoria: Eduardo Monaco

As atribulações de uma bike inglesa nas ruas do Rio Vermelho

De tanto pesquisar sobre o tema bicicleta fantasma (Ghost bike), movimento internacional a favor de mecanismos que incrementem um maior nível de segurança para os que pedalam e dividem principalmente o espaço urbano com os veículos automotores, acabei sendo vítima de um pesadelo que me deixou um tanto perturbado, mesmo depois de haver despertado e reconhecido que tudo não passara de um mero sonho.

Aí vai então, o que Morfeu me aprontou.

                 

Aos 16 anos de idade troquei um rádio receptor “Philips”, alguns long plays de Elvis Presley, Chuck Berry e Bill Haley and his Comets e uma canivete suíço por uma bicicleta Raleigh, made in Nottingham-UK, totalmente desmontada e embalada numa velha caixa de cerveja Müchen Extra. Essa bike havia sido de propriedade do meu vizinho, que recebera como parte integrante do seu formal de partilha, oriundo do inventário do seu falecido pai.

Com o suporte técnico de um mecânico de geladeiras, também ciclista militante, montei a bicicleta, substitui as suas câmaras ressecadas pelo tempo, lubrifiquei a sua corrente e dei início ao que mais tarde eu escreveria como “As atribulações de uma bike inglesa nas ruas do Rio Vermelho”.

Aqueles que provavelmente me invejavam por deter a posse de tão renomada bicicleta, jamais souberam dos percalços que vivenciei por haver ousado ressuscitá-la. Bem que eu deveria ter respeitado o seu sono eterno, aprisionado naquela inusitada urna mortuária, assim não teria despertado o espírito perturbado do seu primitivo proprietário.

Logo nas minhas primeiras pedaladas com a Raleigh, percebi que algo estranho jazia sobre a sua estrutura magrela. Os extenuantes impulsos das minhas perninhas de saracura mal permitiam imprimir uma velocidade suficiente apenas para mantê-la em equilíbrio. O meu esforço físico era tanto que me passava a sensação de estar atrelado a um carro de boi repleto de granito. Sucessivos e ineficazes desmontes e remontes, seguidos de lubrificações repetitivas nas suas mais íntimas partes abortavam a minha esperança de fazê-la rodar nos padrões de qualquer outra bike.

Havia nas proximidades do local onde eu morava (Rua Alexandre de Gusmão), um coronel da polícia reformado que era um dublê de policial e pai-de-santo (coisas da Bahia) a quem consultei em desespero e com a expectativa de que houvesse uma explicação para aquilo que eu qualificava como sobrenatural. Coronel Salustiano, ou melhor, Pai Salustiano, recomendou-me levar a bike ao seu terreiro para uns passes, talvez umas rezas e se a renitência continuasse, para um “trabalho”. Não deu outra, o tal do “trabalho” necessariamente deveria ser realizado. Na lista que ele me passou continha um frango, farofa de dendê, uma garrafa de cachaça, charutos e tantos outros itens que escapam da minha memória.

Na encruzilhada da Rua Conquista com a Rua Itabuna, bem ali no Parque Cruz Aguiar, Pai Salustiano e eu fomos arriar a oferenda. Era meia noite e quinze. Enquanto arrumava o presente no chão de massapé vermelho, na confluência das ruas, o pai de santo engolia pelo gargalo, goles da cachaça Jacaré, aspergindo sobre a vela acesa, parte da aguardente que havia despejado na sua bocona avermelhada. O fogo da vela se assanhava e se transformava por alguns segundos em enormes labaredas, parecendo mais um vulcão. Tudo aquilo me deixou perplexo e quase arrependido por haver contratado os serviços espirituais do maluco do coronel. Mas a Raleigh valia aquele sacrifício.

Durante o retorno para cada uma de nossas casas, permaneci calado, mas Pai Salustiano resmungava e gesticulava como se falasse com alguém o tempo todo. Tudo era muito incompreensível para mim. A sua voz se tornara rouquenha e acompanhada de um estalar de língua esquisito. Afinal cheguei à porta de casa e apressei-me a entrar, nem mesmo me despedindo do macumbeiro. Quase não dormi naquela noite!

O dia amanheceu e a lembrança do estranho ritual se instalara na minha mente. Tomei um café apressado, no afã de experimentar eventuais efeitos que o despacho teria exercido sobre a minha bicicleta. Levei a bike até a porta de saída, passei a perna sobre o seu quadro, acomodei-me no selim e iniciei a pedalada, ladeira acima da minha rua. Cruz credo! A bicicleta subiu a ladeira numa rapidez disgramada, parecia que tinha um foguete no rabo; quebrou a direita, desceu a Ladeira do Papagaio, virou a esquerda, atravessou a pista da Vasco da Gama e tomou a direção do Parque Cruz Aguiar, tudo numa carreira desembestada! Afinal parou por ela mesma, sem me dar a chance de imprimir os seus freios, exatamente naquela mesma encruzilhada que arriei o trabalho. O lugar só era cinza e carvão, como se alguém houvesse armado ali uma fogueira. A mim me pareceu que o presente fora bem aceito, pois não havia qualquer remanescente entre os restos do pequeno incêndio. De repente uma catinga de enxofre empestiou a bifurcação das duas ruas…e uma risada, uma enorme gargalhada ecoou por todo o bairro. Arrepiado dos pés à cabeça, meti o pé no pedal e desgracei-me de volta à minha casa. O coração só faltava sair pela boca e eu só dizia “Ave Maria, Ave Maria, Ave Maria”. Apoiei o guidon da Raleigh no portão da entrada de serviço, sentei na beira do passeio e procurei arrumar as idéias. De repente me dei conta que de que Pai Salustiano era mesmo um retado!

criado por dimitrivianna    22:35:07 — Arquivado em: Artigos

O imaginário da derrota - 2ª parte

Para compreender melhor este artigo recomendamos a leitura da 1ª parte postada no Blog há alguns dias atrás. Este artigo será dividido em 04 partes. 

Autoria: Katia Rubo

No primeiro caso esse sistema abrange todos os esportes competitivos, que na acepção clássica do esporte moderno cabia aos amadores, mas que no presente momento é representado pelos atletas profissionais. A elite é formada pelos indivíduos selecionados pela ordem de excelência, separados esses por pequenas frações de tempo ou distância, que já não podem mais ser mensuradas a olho nu ou cronômetro manual. A necessidade de uso de equipamentos sempre mais precisos sofistica a prática esportiva e a competição, favorecendo a organização da incerteza imposta ao público espectador, afirmando uma condição de espetáculo de massa. Nesse sistema os rituais são esperados e se multiplicam para atender a necessidades de competidores e público, tornando-se uma liturgia de identificação. Portanto, incerteza e identificação são as condições básicas para o desenvolvimento da competição contra o outro. Isso quer dizer que pode não prevalecer a justiça, na medida que a melhor equipe pode não ser a vencedora por causa de um mau desempenho do atleta, por erro de arbitragem ou por falha de equipamento.

                                               

O segundo sistema, a competição contra si mesmo, compreende uma espécie de luta privada, íntima, onde o competidor é também seu juiz. Nesse sistema não há divisão de classes ou limite. Isso porque o limite de esforço desprendido para a realização de uma prova varia de indivíduo para indivíduo, impondo ritmos e realizações distintas aos diversos competidores. Isso quer dizer que se por um lado existe uma aparente igualdade entre os seres humanos, há uma desigualdade constitucional que leva uns à vitória e outros não. Nesse sistema a técnica essencialmente individual e privada de competição consigo mesmo demanda recursos de uma espécie de elevação individual, fincada grandemente na cultura ocidental contemporânea. Encontram-se nesse grupo as modalidades esportivas como as provas de longa distância no atletismo, as marchas, maratona, iron man, enduros e ski, desenvolvidas a partir dos anos 1970, como atividade de tempo livre; a musculação, as várias modalidades de ginástica e as atividades de resistência que não implicam necessariamente competição, e portanto, a vitória sobre alguém.
No contemporâneo, a superação de marcas é um feito grandioso, merecedor de ampla divulgação pelos meios de comunicação de massa para todo o mundo. Muitos recordes que foram conquistados no início do século XX e considerados imbatíveis têm sido superados, ao longo do tempo, por aquelas consideradas, nos primórdios dos Jogos Olímpicos da Era Moderna, como incapazes de realizar feito esportivos: as mulheres. Estas marcas são quebradas quase todos os meses em alguma prova, e em qualquer modalidade esportiva. Uma das grandes motivações de qualquer atleta que participa hoje de importantes competições nacionais ou internacionais está não somente na vitória, mas justamente na luta pela conquista do recorde.

Esta busca incessante pelo sucesso e pela superação dos recordes pressupõe, de maneira assertiva, uma evolução material da sociedade e física do atleta. Nos treinos diários o atleta busca a perfeição técnica, tendo em seu auxílio os estudos científicos sobre o movimento humano; já os fabricantes de materiais e equipamentos esportivos lançam no mercado produtos inovadores a intervalos cada vez menores. O mesmo se pode dizer sobre a evolução nas técnicas de construção de instalações esportivas. Sendo assim, o recorde é o resultado de alguns fatores que se combinam, num mesmo momento, a plenitude técnica do atleta e o aprimoramento dos recursos materiais que estão ao seu alcance. Ou seja, o conjunto de fatores físicos e mentais, aliados à técnica e à tecnologia, contribuem indefinidamente para a construção de uma situação vitoriosa.
Brohm (1993, 1995) avalia que essa lógica de valorização extrema do resultado esportivo é uma construção ideológica que circula por meio de impacto midiático, e que as instituições esportivas absorvem uma boa parte das tendências mortíferas e suicidárias dos indivíduos de uma sociedade em crise prolongada, uma crise que é ao mesmo tempo econômica, espiritual e ideológica. Essa violência suicidária que se manifesta de diversas maneiras advém de uma mesma matriz axiológica e praxeológica: a competição de todos contra todos, a busca infinita pelo recorde, a busca incessante da superação de limites, o culto do excesso, o fetichismo do progresso de performances e a idolatria do êxito a qualquer preço.
Do perder ao ser derrotado
A prática esportiva surge como a essência do espírito de superação de limites e este estímulo tem sido amplamente explorado para os mais variados fins, a depender do apelo que a imagem de um protagonista, como o atleta, exerce sobre a população. A exploração dessa imagem tanto pode estar relacionada com a venda e comercialização de inúmeros produtos como pode também estar associada à campanha de caráter pedagógico ou social. Mas para isso, no entender de grande parte dos dirigentes e empresários, o atleta tem que ser antes de tudo um vencedor, e conquistar essa condição não é tarefa assim tão fácil.
Cagigal (1996) afirma que os Jogos Olímpicos são a visão sintética, em grande e aparatosa escala, do esporte do mundo. Neles desponta grande parte dos ídolos esportivos consagrados por suas vitórias. Entretanto, o autor prossegue sua reflexão com uma dúvida: E todos aqueles que participam e não vencem são de fato derrotados? A resposta sugere que a agonística e a luta estão presentes nas mais variadas formas de competição e que a vitória pode não ser apenas a conquista do primeiro lugar.
Ideal da sociedade atual, o vencedor é lembrado e valorizado pela suplantação do outro, independentemente dos recursos utilizados para esse fim (Rubio, 2002). Ao derrotado restam a vergonha pelo objetivo perdido, a confusão com a incapacidade e a falta de reconhecimento pelo esforço realizado. Diante do resultado obtido e comparando-o com o desejado, é compreensível o sentimento de frustração, raiva ou talvez decepção do atleta quando ele não consegue atingir seu objetivo. Se a competição na atualidade remete à necessidade da vitória como afirmação de superioridade sobre o adversário, vale ressaltar que não se pode pensar em competição nem vitória sem a presença do oponente. Ainda que a atenção de atletas e técnicos esteja focada na superação de marcas e tempos, o que se vê é a necessidade imperiosa de suplantar aquele capaz de promover sua própria frustração, estado esse manifesto na situação da derrota.
Autores como Miah (2003), Proença, Constantino (1998), Rodriguéz (1987) e Mariovet (1998) defendem os benefícios do esporte no desenvolvimento do caráter e afirmam que os atletas aprendem a superar obstáculos, a cooperar com os companheiros, a desenvolver autocontrole e persistir diante de derrota, tornando-se por isso, em muitos casos, um referencial de projeção de identidade, principalmente entre jovens e adolescentes.

 

criado por dimitrivianna    18:23:38 — Arquivado em: Artigos

Posts mais antigos »
Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://mundodabike.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o serviço e siga participando do Terra Blog.