31.7.06

Dicas de Manutenção de Bikes - Suspensão !

 

Revisão de Suspensão Dianteira - Manitou Black Comp

(Se você tiver dúvidas, poderá perguntá-las através de "Comentários" deste "Post" para Guiné)

Manutenção de suspensão

Mostraremos o processo de lubrificação (abertura e fechamento) da suspensão Manitou, modelo: Black Comp 120mm; fabricação 2002.

Todos os passos servem para todos os modelos que forem hidra/coil. Já que a Manitou produz quase o mesmo sistema para todas.

Chaves e equipamentos necessários:

Allen – 2mm e 8mm;
Chave de boca 10mm, 20mm; 24mm e 27mm.
Pano para limpeza;
Copos descartáveis p/ retirada do óleo;
Papel ou jornal para não sujar o chão;
Lubrificantes (exemplo: wd-40) para limpeza rápida;
Chaves extras para auxílio de ataque: alicate de bico fino e chave de fenda fina.

  

Abertura

1º Passo – Desmontagem do "top cap" esquerdo.

Chaves: 2mm e 20mm.
Se for mola pneumática, primeiro retira o ar para facilitar a desmontagem.
Se não for, folga-se o lado esquerdo (lado da mola). Logo em seguida, retira a mola.

A chave 2mm é usada para folgar e retirar a tampa de regulagem da compressão. Depois usa a de 20mm para folgar o principal.

2º Passo – Desmontagem do "top cap" direito.

Chave: 27mm.
Desmontagem do lado direito (lado do óleo). Onde tem o pistão hidráulico. Retira o pistão e depois o fluxo do óleo.

O sistema das suspensões da Manitou não permite que o óleo fique em contato com as bengalas e hastes de metal, com isso o óleo sempre fica "novo".

3º Passo – Retirada da canela superior (Muita atenção)

Chave allen 8mm
Chave 10mm

A parte hidráulica (Allen 8mm) tem a rosca inversa para dentro. Ou seja, você apertará o parafuso e não retirá-lo.
Parte da mola (chave 10mm) rosca normal. Retirar o parafuso.

P.S. A foto da suspensão azul, representa um erro quando as pessoas tentam fazer a revisão sem experiência ou sem ler os manuais. Nela, o parafuso allen 8mm foi arrancado para fora ao invés de ser apertado.

 

4º Passo – Retirada da canela.

Não precisa bater ou puxar com força. O movimento é o mais leve possível. Com uma simples puxada elas deslizam e saem facilmente.

5º Passo – Retirada dos pistões (rod).

Chave específica (foto) ou 24mm.

Tanto o lado direito como o esquerdo são roscas normais. Folga e aperta normal. Retire-os.

A medida que você vai desmontando a suspensão, analise o uso de vida das peças:
Canelas externas e internas;
Lâminas;
Trincas nas peças;
Arruelas;
O-rings.

Toda revisão pode existir uma possível troca de peças minúsculas devido ao próprio uso, onde são encontrados em oficinas especializadas. Por isso, é sempre bom fazer revisão em lojas especializadas que tenham uma "sucata" rica para "salvamentos" de peças.

Nesta abertura foi notificada que um dos batedores (peça de borracha que ficam no final de curso como isolador) estragou. Justamente porque o proprietário da suspensão usou ela com pouco óleo.

  

Fechamento e lubrificação

Atenção na montagem para não trocar as posições dos pistões. Todo processo é inverso. Ao mesmo tempo que vai montando as peças, faz-se a limpeza e lubrificação. O aperto dos parafusos não precisa ser forte.

Coloca-se os batedores. Antes de botar as canelas, coloque a mola (lado esquerdo) para facilitar a montagem final.

Os o-rings são essenciais para não vazar óleo nas bengalas, então verifique se eles estão bem colocados. Antes de colocar os parafusos de fixação das bengalas, coloque um pingo de óleo mais grosso (20W) para isolar o contato e lubrificar as bengalas internas.
Inverta a suspensão para colocar dois PINGOS de óleo.

O parafuso inverso (chave Allen 8mm) apenas encoste no aperto. NÃO precisa forçar.
O parafuso "vedante" (chave 10mm) aperto simples.

O uso da graxa é moderada nas hastes e molas.

Colocação do óleo

Sempre deixem o retorno aberto antes de colocar o óleo.

A Manitou criou um sistema de instalação do óleo simples e prática. Com isso, qualquer um pode fazer a revisão em casa, seguindo as instruções corretas.

O nível do óleo é dosado com uma medição simples (régua fina ou trena), padrão universal em milímetros (mm).

O nível do óleo tem que está de 90mm a 100mm do óleo de dentro da bengala até superfície do "top cap". Vejam a foto para esclarecer alguma dúvida.

Com a tampa aberta, faz-se o movimento de funcionamento da suspensão para que o óleo entre no retorno e não fique com ar.

Depois disto, analise mais uma vez o nível do óleo e feche.

Para colocar a peça de ajuste de retorno externa, feixe antes o retorno e depois coloque.

Dicas importantes

Atenção para o tempo lubrificação da sua suspensão:

O piloto ou biker que freqüentemente usa suspensão tende a lubrificá-la de 3 em 3 meses.
Já o que passeia ou usa a bike em trilhas leves, pode lubrificar em 6 e 6 meses.

Esse tempo de lubrificação pode variar de acordo com o tipo de uso, mesmo sendo passeio. Por isso que é sempre bom fazer revisão na bike.

Quanto aos modelos e especificações:
Pistão Fluid Flow: garfo com 1 pistão (retorno);
Pistão TPC: garfo com trava e 2 pistões (retorno e compressão).

Fotos em destaque:

End Cap: segura toda pressão da parte hidráulica;
Peça azul: retentor que segura o óleo do retorno.
Retentor estragado porque a suspensão estava batendo o retorno (mau uso);
Retorno aberto e fechado;
Limpeza dos retentores.

Agradecimentos ao mecânico desta matéria

Gleidson Slompo de Oliveira é mecânico há mais de 10 anos. Atualmente ele trabalha na assistência técnica da Manitou: Vanguarda Sports e na oficina da Bikerspoint.

Gleidson é mecânico dos principais atletas brasileiros: Edivando Cruz, Alcides de Souza (Juninho) e Márcio Ravelli.

Valeu Gleidson! Parabéns!

criado por dimitrivianna    22:51:07 — Arquivado em: Ciclismo, Dicas mecânicas - Fale c/Guiné

27.7.06

Radicalize na Bike, não na Vida !

autoria : Dimitri Viana

Costumo dizer que na vida, qualquer tipo de radicalismo faz mal para a saúde, seja ele qual for. Ser radical implica em não ter ouvidos abertos e estar preso a idéias e conceitos definidos. E como dizia o velho Raul: “Prefiro ser uma metamorfose ambulante do que ter uma velha opinião formada sobre tudo”.
Muita gente acha que os radicais estão somente lá do outro lado do Oriente Médio. Sem dúvida, lá existe muito radicalismo e falta de diálogo, mas eu também vejo aqui, bem pertinho, no nosso quintal, o mesmo estilo ortodoxo de radicalismo. Basta a gente observar ao nosso redor e veremos que falta dialogo no nosso país.
No meio dos bikers então … existe também. Está cheio de xiitas de plantão. E o radical da bike tem conceitos tipo: só pedalo de manhã ! Outro, só pedalo de noite ! Outro, só pedalo com a minha turma … só uso shimano, etc. Nada que foge ao seu conceito, idéias, equipamentos, ele aceita . Acha que sabe de tudo. Mas sabemos que não sabe de nada.

Outra forma de radicalizar é insistir em algo insano. Atletas, por exemplo. Para eles o mais difícil muitas vezes, não são apenas os treinos ou competições e sim aprender a descansar, parar literalmente. O nosso corpo depois de uma seqüência de vários dias de treinos, começa a não ter rendimento e se não houver repouso, ele vai ficando cada vez mais cansado e pedindo cama. Se neste momento você radicalizar e achar que “tenho que treinar mais forte”, não ouvindo as mensagens dos batimentos do seu coração, você poderá ter sérias conseqüências e não chegar a lugar algum nas provas.
Muitas vezes por causa de conceitos de “araque”, acabamos perdendo a oportunidade de uma nova experiência na vida. E por causa deste radicalismo barato, podemos perder até de conhecer um novo amigo ou novo amor.
Eu sei que tôda e qualquer mudança exigem um pouco de sacrifício e coragem, mas quase sempre vale a pena.
Atenção ! Não podemos confundir a expressão "" radicalizar "", ou seja, aprontar todas no seu esporte, com ser Radical na vida. Por exemplo: radicalizar em cima da bike é muito legal, principalmente quando você curte e sabe o que está fazendo. A turma do Free Ride que o diga.

Reveja seus conceitos e de como você encara suas pedaladas. E tente não ser radical fora dela !

Este artigo é dedicado a todos os Ciclistas Libaneses !

criado por dimitrivianna    21:53:51 — Arquivado em: Artigos

Velho Dimi adverte

Velho Dimi adverte: A prática de esportes pode ser prejudicial à natureza ! 

A princípio você deve estar estranhando o título do meu artigo desta semana ! Confesso que também acho meio esquisito, talvez até sem sentido e estranho vindo de um esportista. Como pode esportes, radicais ou de aventura como o mountain bike, etc, prejudicar a natureza ? Deve então estar havendo um grande contra senso, já que a princípio a idéia de praticar esportes é exatamente, ao contrário, viver de perto o que a natureza tem de melhor a oferecer .
Neste meu momento “zen” em que eu escrevo e escuto um “mantra” no meu mp3, vou tentar expôr minha opinião de esportista e de amante da natureza e como um bom cão farejador de trilhas de bike e lugares bonitos.
Já fiz todo tipo de aventuras mundo afora, viagens de bike, trekings, passeios, etc. Até já atravessei o Saara, acredite ! E um objeto que eu encontrei nos lugares mais distantes da civilização foi a tal da garrafa PET. Já vi estas garrafas em picos de montanhas, matas, rios e claro, trilhas das mais diversas. Como todo mundo sabe o plástico demora algumas centenas de anos na natureza, mas até aí nenhuma novidade, pois já se comenta o dano que estas garrafas estão causando ao meio ambiente.

Mais recentemente tenho encontrado outros tipos de embalagens que me chamaram atenção. São embalagens mais específicas ligadas a práticas esportivas em passeios e competições. Embalagens de isotônicos, água mineral, e do querido Power Gel, reluzindo no meio do verde. Embalagens de doce de banana - vale lembrar que a banana é orgânica, mas a embalagem não. Freqüentando o mundo de competições percebo que não existe muita atenção dos esportistas e, principalmente dos organizadores, com relação a este assunto. Talvez por pura ignorância, já que a falta de educação em nosso país não perdoa nem os atletas, talvez por um descuido mesmo, ou até o pensamento: “Antes sujar a natureza do que minha camisa ou meu camelback, certo” ? Já dizia a lei de Gerson !
Atire-me o primeiro Gatorade aquele que nunca deixou um plástico numa trilha!

Já vi atletas respeitáveis fazendo esta ação danosa e voluntária.
Percebo que a preservação do meio ambiente é uma palavra fora do vocabulário de quem organiza estas provas na natureza, principalmente as de Mountain Bike. Parece até que estamos fazendo um grande favor em pedir para retirar o lixo quando, na verdade, é nossa obrigação como atletas, já que estamos usando a natureza em prol de nosso puro prazer.
Por isto afirmo: A prática de esportes pode ser prejudicial à natureza sim !
De que vale fazer passeios fantásticos, subir no podium ou até mesmo fazer o caminho de Santiago se no final do dia não conseguirmos fazer o caminho limpo de volta para a casa ? No señor, prefiero no comentar !
Se não for levada a sério esta questão por todos nós, vamos deixar um rastro de sujeira tão grande, que o caminho das trilhas vai ser indicado com embalagens de cereais pelo chão ou uma garrafinha de cor laranja com dizeres no rótulo: “Preserve a natureza apenas para cumprir tabela”.

Pense sobre isto no seu próprio passeio ou competição !

criado por dimitrivianna    16:55:06 — Arquivado em: Artigos

O último a sair - apague a luz e leve sua bike !

O ultimo a sair - Apague a luz e leve a sua bike!

Meu artigo esta semana é mais um desabafo ! Isto mesmo. Desabafo social !
Fica difícil guardar apenas comigo toda esta angústia e não expressar meu sentimento. Gostaria de estar falando esta semana sobre o Dia do Meio Ambiente ou algo ligado à temática da bike que é basicamente o assunto dos meus artigos. Porém a coisa está passando dos limites e não dá para tentar desviar o foco !

Estamos passando, creio eu, num dos momentos mais difíceis dos últimos 15 anos aqui no Brasil e que me faz lembrar muito o início dos anos 80.

Obviamente o momento é outro. Não temos aquela inflação miserável, etc, mas o clima é o mesmo e quem viveu naquela época sabe do que eu estou falando.
Antes me perguntavam por que eu continuo a morar no Brasil já que minha família mora na Europa. Eu sempre respondia que eu gosto muito da minha terra e não pensava em mudar, apesar dos nossos eternos problemas sociais e que ainda estava valendo a pena viver por aqui por conta da alegria de nossa gente, do jeito descontraído de nós baianos e da possibilidade de que as coisas melhorassem no futuro, etc.
Depois de ver o Congresso Nacional levar ponta pés esta semana, cheguei à conclusão que meus inquisidores estavam certos e começo a entender por que cada vez mais os brazucas estão indos embora do Brasil.

Tem tanto brasileiro na Europa que nas ruas das principais cidades você se sente na Avenida Sete. Claro ! Lá não tem aquele mesmo charme de nossa Avenida. Aquela nossa alegria, nossa maneira tranqüila de encarar a vida, o nosso ritmo, isto sem contar nossas belezas naturais que estão ficando cada vez mais ofuscadas por este mar de crise. Uma crise de caráter institucional de conceitos e o mais grave: de honestidade.
Estamos atolados até o pescoço em lama. Uma lama mais grossa que a de nossas trilhas de bike no inverno chuvoso.
O ato de vandalismo no Congresso, para mim, simboliza como estamos encarando nossas instituições públicas, nossos representantes.
Estamos vendo o congresso como um boteco bem vagabundo deste bem encardido mesmo, que não vale a pena tomar nem uma gelada.
A perda de valores e da cidadania está instalada e ninguém leva a sério mais nenhuma denúncia, que também nunca dão em nada. Já não dá ibope falar que fulano ou sicrano é ladrão. Também tem ladrão de tudo - do tipo de bicicleta a velocípede e andando de Ferrari então…

Estamos prestes a detonar o Brasil como uma bomba de 1000 no próximo São João porque alugar é vender e isto já fizeram filhote !

Vivemos numa grande farsa onde a democracia não existe de fato nem de direito e se você abrir a boca por isto ou aquilo você e vetado. Lhe botam na geladeira e se não fizer o jogo, você dança. Se não pagar propina você não entra no esquema. Se pagar, você é corrupto e claro, vão te pegar por que você é peixe pequeno. Se falar muito, você morre, se falar pouco, você é conivente e aí vai.

Pagamos mais impostos que os pobres camponeses da idade média, trabalhamos quase que a metade do ano para pagar desvios, propinas disfarçados de imposto cheio de siglas de A a Z.

Ainda não arrumei minhas malas, ainda não… Mas confesso que está dando vontade, mas para quem está começando agora, o aeroporto talvez seja uma solução.
Eu sei, estou sendo pessimista demais, mas será mesmo ?
Calma garoto ! Tem ainda nosso Futebol. A COPA está aí ! Acho até que o futebol ajuda a passar um pouco esta enxaqueca do Brasil, mas a COPA passa rapidinho e enxaqueca volta dobrada para a gente encarar as eleições e ter que votar neste monte de deputado canarinho, ou melhor, canalhinhas de verde, amarelo, azul, vermelho só depende de quanto você vai pagar por fora para ele pintar o sete !

Desculpe o desabafo, mais está demais. Prometo me calar e semana que vem voltar a falar de nossa paixão de duas rodas…

E não esqueçam o último a sair apague a luz e leve sua bike !!

criado por dimitrivianna    16:50:21 — Arquivado em: Artigos

Saia da Coleira !

Imagine um cãozinho. Isso mesmo, um cão… onde todos os dias o seu dono leva ele para passear andando até o parque mais próximo para fazer xixi, etc.
Mas ele somente só vai se for preso com uma coleira no pescoço a guiá-lo e protegê-lo de eventuais problemas. Segundo o dono, sem coleira não tem passeio.

Só que essa semana a coleira resolveu fazer greve !!! Por motivos de excessos ou de pulgas. Não sabemos exatamente…

Então o dono falou para o cãozinho:

- Olha Rex, por causa da greve da coleira não vai dar para eu lhe levar no parque, você vai ter que ficar em casa!

Greve da coleira ? Você está achando esse papo meio surreal…
Então vamos fazer a seguinte: inversão de papeis para a nossa realidade.

O Cão é você cidadão soteropolitano.
O Dono do Cão são as empresas de transporte de ônibus que nos conduzem pela cidade.
E a Coleira são os motoristas de ônibus.

Essa semana, mais uma vez estamos sofrendo com a greve dos motoristas e cobradores de ônibus na cidade do Salvador. Na total dependência do transporte público, a população fica refém das empresas de ônibus e grevistas. Sem falar nos transtornos e prejuízos para o comércio neste meio feriado não declarado.
Só nos resta assistir a sessão da tarde, ou ir à praia, para quem mora perto, ou ficar esperando notícias do fim da greve.
É meus caros ! Nesses momentos de greve é que notamos como estamos presos, limitados e literalmente proibidos de se locomover pela cidade.
Não quero discutir o mérito da questão de quem tem ou não tem razão para mais uma greve. Afinal, no fundo já sabemos onde sempre acaba toda a greve: nos nossos bolsos.
O que quero falar agora é que, mais do que nunca, precisamos nos libertar dessa dependência e que existem alternativas viáveis para se locomover em nossa cidade e a bicicleta é, sem dúvida, essa forma mais saudável a médio prazo.

Obviamente que eu não estou querendo que sua tia de 70 anos, diabética saia por aí pedalando de uma hora para outra, nem seu primo deficiente. Não estou querendo sugerir que toda a população não ande mais de ônibus, afinal os ônibus, assim como outros meios de transporte público da cidade, são essenciais para boa parte da população.

Porém precisamos buscar alguma alternativa de transporte para que você possa ao menos ter o direito de escolher.

Poderia passar aqui muito tempo dizendo das vantagens da bike, mas vou tentar citar apenas alguns exemplos.

 A bicicleta é um meio de transporte barato e de baixo custo de manutenção;
 Democrático e que está presente em todas as classes sociais;
 Extremamente saudável, porque o motor é apenas as suas pernas e seu coração e nada mais;
 Não polui o meio ambiente com gases e muito menos com ruídos de buzinas, etc;
 Não paga impostos tipo Ipva, pedágio, etc.

Então ? Por que não saímos todos nós amanhã mesmo com nossas bicicletas e damos uma banana para essa greve ?

 Não ! Porque andar de bicicleta em Salvador implica em um alto risco de vida para o ciclista;
 Não existe uma política municipal de apoio ao ciclista na cidade;
 Não existe uma campanha de educação para os ciclistas e motoristas saberem de seus direitos e deveres;
 Não existem ciclovias suficientes, não existem ciclofaixas em avenidas de riscos e movimentadas.

Somos vistos muitas vezes como loucos, excêntricos, às vezes vagabundos e o que é pior, muitas vezes não somos nem vistos e acabamos feridos e mortos no HGE, virando estatística.
Para transformar essa idéia em fato precisamos reivindicar nossos direitos para que os órgãos públicos entendam e compreendam a importância da bicicleta.

Vejam apenas alguns exemplos de medidas que precisam ser realizadas urgentemente para viabilizar essa idéia:

1. Aumentar a quantidade de ciclovias/ciclofaixas na cidade.
É preciso desmistificar essa idéia de que ciclovia é lugar apenas para passear no final de semana. Ciclovias são vias de transporte público e estão presentes em todas as grandes cidades na Europa e Ásia.
Até mesmo no Brasil já existem cidades como o Rio de Janeiro, Balneário Camboriu, Blumenau, algumas com mais de 150 km de ciclovias.
Construir ciclovias e também ciclofaixas é mais barato que construir viadutos, a área crítica do Iguatemi que o diga.

2. Regularizar o transporte de bicicleta, fazendo campanha de educação aos motoristas, pedestres, em escolas e ciclistas da cidade, assim como todo cidadão que tem direitos e deveres. Por exemplo, andar na contra mão de bicicleta é crime e em caso de acidente o ciclista pode até ser considerado culpado.

3. Estimular nas escolas, órgãos públicos, etc. o uso da bicicleta, com área especifica e segura para guardar as mesmas.

4. Obrigar, através de lei, que as empresas de médio e grande porte instalem banheiros/vestiários para que seus funcionários possam tomar banho após pedalar chegando no trabalho.

Nem tudo está perdido, recentemente foi formado um grupo denominado COMISSÃO DE CICLOATIVISTAS – CICLOBAHIA, composto de membros de várias áreas do segmento ciclístico, sendo de grupos de passeios, de competições, da federação, do comércio, etc.. Todos se uniram com o intuito de buscar projetos e cobrar do poder público, ações e melhorias para o ciclismo em nossa cidade.

Um trabalho de formiguinha e demorado, mas vai ajudar você a sair da posição de cãozinho na coleira, para a posição de dono dos seus próprios pedais, da sua própria locomoção !

criado por dimitrivianna    16:47:38 — Arquivado em: Artigos

Nossos Heróis de todos os dias !

Nossos Heróis de Todos os Dias !

Quem gosta de esporte, tem ou teve um herói do esporte na vida, de Pelé a Guga ao nosso Popó, aprendemos a admirar nossos ídolos esportivos que ficarão marcados para sempre.
Todos eles começaram de baixo e chegaram ao sucesso depois de se revelarem e ter tido apoio por alguém ou por alguma empresa.
O que a gente às vezes esquece é que o nosso próximo herói do esporte pode estar bem perto da gente e não damos conta disso.
Pessoas aparentemente comuns que passam despercebidas no nosso dia a dia. São corredores da Avenida Paralela, nadadores que treinam em piscinas sem aquecimento em clubes e ciclistas, claro ! Todos eles levam a vida no anonimato e nas pequenas notinhas de jornal.
Esta semana resolví dedicar o meu artigo a um destes heróis, mas precisamente ao atleta Benílio Pereira, ciclista do Mountain Bike.

Benílio

Quase todas as manhãs quando muitas vezes o sol nem apareceu, ele acorda para treinar em uma rotina incansável e concentrado em seus objetivos. Quem o conhece sabe que o forte de Benílio é a determinação, não é fácil treinar e conseguir resultados por conta própria, sem praticamente apoio e sem grandes patrocinadores, remando contra a maré, ou melhor, pedalando contra o vento, e ele está sempre no pódio.
Filho da Cidade de Mundo Novo, onde até para comprar pão na próxima esquina você tem que subir uma montanha. Daí que veio a sua habilidade natural para o mountain bike, deste herói do ciclismo baiano que merece nosso respeito pela sua coragem e também por ser um vencedor. Destacou-se logo cedo, e seguindo os passos do seu irmão também atleta, Leones, ganhando várias vezes o campeonato baiano e sendo o atual líder. Isso sem falar as boas colocações conseguidas no Iron Biker, no Brasileiro, etc.

Lembro-me que há seis meses atrás ele me chamou no canto e me disse daquele jeito - “ Gente Fina, vou ser campeão da Amateur, (a maior e mais importante prova de Mountain Bike do Brasil ) pode esperar !

Mesmo sabendo de sua força de vontade, confesso que não imaginava que ele chegasse lá e, ainda assim, o campeonato não terminou e o mesmo já está liderando com apenas duas provas. Mais uma vez ele está provando na raça que tem futuro e que os jogos do Pan Americano é um sonho que está cada vez mais próximo.

Agora o outro lado da moeda ! Apesar do apoio da Loja New World Bike, da Empresa Núcleo Sport Vídeo e da Scott, para o mesmo competir no eixo São Paulo e Minas Gerais, onde acontecem as principais provas de mountain bike no Brasil, terá que pagar do seu próprio bolso, a hospedagem, alimentação, etc. Além do mais, suas despesas com nutrição e treinamento é feito também com recursos próprios. Sabemos das dificuldades em conseguir apoio, patrocinador, etc, mas será que teremos que perder este atleta para outros estados ou países ? E somente assim saber valorizá-lo ?
Lembro-me bem que quando Lance Armstrong começou a pedalar vindo do triatlon, o ciclismo também era um esporte de pouca tradição nos Estados Unidos, ninguém queria investir e não foi fácil para ele conseguir patrocinadores, porém com as suas primeiras conquistas na Europa, todos se voltaram para o esporte e tudo mudou, talvez tenhamos o nosso próprio Lance e não estamos dando conta disso.
Nossos verdadeiros heróis do esporte estão aqui mesmo, pode até ser o seu vizinho, seu colega de trabalho, seu parente. Precisamos conhecê-los, valorizá-los e apóia-los para que o esporte possa crescer de verdade e que estas mesmas pessoas virem ídolos de sua gente e de sua terra.
Nossos verdadeiros heróis !

criado por dimitrivianna    16:42:09 — Arquivado em: Artigos

Solidariedade

Se o mundo todo fosse uma grande Competição de Bike

A primeira impressão que nós temos quando lembramos de competições esportivas, o que aparece rapidamente em nossa mente, são palavras como rivalidade, disputa, premiação e até mesmo brigas. Este tipo de comportamento competitivo é muito comum nos mais variados tipos de modalidades esportivas onde os líderes buscam a todo custo subir ao pódio e tem nesta, a única meta na prática do esporte.
É um comportamento natural do ser humano: o espírito competitivo desde velhos tempos da pedra lascada. Até aí, nada contra, pois já se foi o tempo onde as competições eram em arenas com gladiadores e leões e a torcida a espera do próximo corpo no chão.
Hoje geralmente as Competições são relativamente civilizadas e justas quando não aparece um espertinho para favorecer alguma equipe ou time, mas aí já é assunto para outra matéria.
O que a maioria das pessoas não sabe, é que existe dentro das competições, e agora falando especificamente das competições de Bike, um outro lado da moeda. São atletas que competem pelo simples prazer de competir e nada mais. E com isto deixam florescer um comportamento raríssimo nos dias de hoje: a Solidariedade. Quem já teve o prazer de correr estas provas, principalmente de longa distância, pôde sentir “in loco” este comportamento generalizado.
Recentemente estive pela terceira vez participando do Iron Bike, como todos sabem, e pude mais uma vez comprovar esta febre de Solidariedade entre os participantes. De repente, após a largada viramos uma grande irmandade de mais de mil pessoas, com vontade de ajudar o colega no que for necessário. Muitos inclusive, se sensibilizam a ponto de priorizar o atendimento a um acidentado, por exemplo, ou ajudar num conserto de uma corrente de uma pessoa, que ele nem se quer sabe o nome.
Eu já tive varias experiências neste sentido e neste ultimo Iron Bike, vivi alguns momentos desta febre. Em certo momento bateu um início de cãibra e logo à frente encontrei um ciclista sentado ao chão comendo uma banana. Perguntei a ele se tinha uma para me dar, já que a banana é uma grande fonte de potássio que ajuda a combater as câimbras. Ele disse que tinha acabado e mesmo estando se contorcendo de dor por causa de cãibras, no seu caso já tinha atingido todos os seus músculos das pernas e braços, dividiu comigo a única banana que tinha. Também por várias vezes, tentei animar atletas que queriam desistir, empurrando montanha acima alguns metros, convencendo a eles para seguir em frente. Outra cena comum é apoio moral. Parece que você conhece aquelas pessoas há anos e cria-se uma amizade instantânea e que fortalece o espírito de cada atleta. Se discute de tudo, elogia, critica a prova, acontecem verdadeiros debates durante as escaladas montanhas acima, mas no fundo o que todos querem é exercer a Solidariedade.

Como seria legal se esta Solidariedade fosse transferida para o nosso dia ! Infelizmente quando acaba a prova, muita destas pessoas guarda no armário este sentimento e até inconscientemente, volta a priorizar o Individualismo e a falta de camaradagem neste tal de Mundo Globalizado ! Esquecem até mesmo de agradecer a secretárias do Lar por ter lavado a roupa suja e encardida da ultima Competição.
Como diz John, talvez eu seja um sonhador e sonho que um dia um Mundo seja uma grande Competição de Bike. Ok ! Eu sei … a frase não era bem esta, mas o sentimento é o mesmo e isto eu garanto!

criado por dimitrivianna    16:39:25 — Arquivado em: Artigos

Uma bicicleta sozinha não faz verão !

Agora que a ressaca da copa passou, resolvi voltar a escrever, afinal durante a copa não dava para pensar em outro assunto e o jeito foi acompanhar o time Canastrinho dentro e fora do campo com os programas de TV, na sua grande maioria, mais preocupados com as fofocas, intrigas e amenidades do que com o futebol de verdade. Galvão Bueno que o diga….

Bicicleta só não faz Verão

Existe uma coisa muito importante nas questões de pedalar que ainda não falei, mas que vale a pena comentar. Não se trata, no caso em questão, de nada ligado a tecnologia, instruções, modelos de bikes, etc. Estou falando da boa e velha amizade e companheirismo, elementos básicos para suas pedaladas da vida e essencial para o seu bom desempenho nesse esporte.
Apesar de ser praticado individualmente ou no máximo em dois, no caso bicicleta “Tandem”, o ciclismo é um esporte sociável, todo mundo gosta de pedalar com amigos e colegas e durante estes pedais, expressar suas opiniões e desejos servindo às vezes até de divã terapêutico móvel. Tem gente que conversa mais que pedala, mas aí o velho Freud pode explicar…
É claro que pedalar sozinho tem o seu valor. A solidão serve de inspiração e concentração em passeios e treinamentos para atletas, mas o grande lance do ciclismo é que uma bicicleta só não faz verão ! Neste ponto todos nós concordamos !

Seguem abaixo, algumas regras básicas de solidariedade e respeito entre ciclistas, referentes à conduta e respeito ao seu colega, amigo ou aquele que está apenas ao seu lado, afinal somos todos irmãos sobre duas rodas:

1. Seja Britânico nos seus Compromissos (pontual)

Uma vez marcado o passeio com o seu colega ou turma não se atrase. Normalmente os encontros são sempre em lugares públicos, criando muita ansiedade para quem está aguardando, isso sem falar nos riscos eminentes de assaltos, etc. Será que vem ? Será que não ? É desagradável.
Caso esteja atrasado, avise para que sua turma possa decidir se pode lhe aguardar ou não.

2. Cumpra com o Acordo de Pedalar Juntos (compromisso)

Se você pretende pedalar com um colega em um passeio ou competição, deixe isto bem claro para não haver dúvidas. Já vi colegas abandonarem outros no meio de trilhas e competições mostrando uma total falta de companheirismo. Por isto deixe claro qual a estratégia, percurso e preocupe-se para que ninguém fique para trás.

3. Seja Solidário com o Grupo como um tôdo (solidário)

Durante passeios, principalmente em trilhas, toda água e comida que cada ciclista carrega pertence ao grupo, ou seja, se alguém precisar, por exemplo, dê sua água. Você deve cedê-la. O outro também fará o mesmo por você. O mesmo procedimento para as ferramentas, câmaras reservas, etc. Naquele momento não existe um dono, existe o grupo de ciclistas amigos compartilhados, portanto seja solidário.
Sempre vai aparecer um amigo para ajudar a trocar um pneu ou consertar o seu câmbio, pense nisso. O mínimo que você pode fazer é agradecer e ser solidário e às vezes um obrigado já é o bastante.

4. Respeite a diversidade do Grupo (respeito/humildade)

Se você estiver com a sua bike de ponta e neste passeio aparece uma pessoa com um bike simplizinha, trate-o da mesma maneira, não é sua bike bacana que vai lhe transformar em alguém mais interessante. Já vi ciclistas com bike bem simples pedalarem muito bem, além de serem excelentes companheiros. Uma coisa não tem nada a ver com outra. Não seja exclusivista.

5. Não saia do Objetivo do Grupo (respeito)

Muitos grupos se encontram para pedalar de verdade e realmente estão ali para isso. Para pouco papo e muito pedal. Depois até rola um guaraná, etc., mas durante é como se fala - vamos Socar a Bota ! Se o seu grupo ou amigo for deste estilo e você sabe disso, respeite e esteja preparado. Não adianta ficar reclamando que está longe, está ficando escuro, etc.
Porém, outros grupos tem o ciclismo como ponto de encontro para uma boa amizade. O pedal é apenas uma boa desculpa para uma conversa seguida de um acarajé, cerveja, etc. Aí o que vale é a pura e bela amizade. Cabe a você decidir e respeitar e também não vale reclamar que você não pedalou nada. Afinal o objetivo desta turma é outro. O pedal é somente um pretexto para fazer novos amigos.

6. Sinta-se responsável por seus Colegas (responsabilidade/solidariedade)

Se alguém não estiver legal por algum motivo ou tomou uma queda grave, não hesite em retornar para casa e ajudá-lo no que for possível, até mesmo empurrando a bike se necessário.
Você e seu grupo são responsáveis pelo bem estar de todos. Nunca deixe um ciclista passando mal sozinho. Se for uma prova de longa distância, por exemplo, tente buscar ajuda. Abandone a prova, mas nunca um colega .

Bem, aí estão algumas regras básicas. Claro que existem muitas outras, eu sei ! Espero que pelo menos ajude a refletir e mostrar que ter amigo é muito mais que apenas dar risadas pedalando. Se tiver alguma observação a fazer, por favor, escreva e quem sabe a gente acaba dando um pedal juntos. Mas pode deixar que o guaraná vai ser por minha conta !

criado por dimitrivianna    16:36:30 — Arquivado em: Artigos

Situação

Outro dia destes, eu estava na rua resolvendo aquelas coisas chatas de banco, contas, o cartão que bloqueou, etc. Aí apareceu um velho conhecido. Um cara legal, inteligente, com um bom português, todo descolado. Aquele cara que sabe de tudo. E o convidei para tomar uma água de côco.
Sabendo minha paixão pela bike, ele começou o papo me fazendo com uma pergunta ferina, destas que nem terapeuta faz, levantando a questão de como eu perdia meu tempo fazendo este esporte tão desagradável, aonde você não vê gente interresante (o que será gente interessante ?), sofre com o calor e chuva e o que tinha de bom em subir ladeiras, montanhas, planícies, etc ? Que era fora de sentido sentir tanta dor e fazer tanto esforço físico e botar o coração para trabalhar desta maneira nesta idade (como se eu fosse um idoso) já com 38. Qual o motivo de perder a praia ? As noitadas de Sábado?
Deixar de comer aquela feijoada de domingo e muitas vezes abrir mão de uma cervejinha na sexta feira para relaxar ? Além disto, falou que o nosso objetivo é o trabalho (será que eu sou um vagabundo que trabalha ?). Nisto sim você tem que jogar toda a sua energia. Só faltou falar que eu já passei da idade de ter um filho (será que passei ?).
O cidadão tinha o seu ponto de vista, todo detalhado, e ainda disse que se quiser malhar, uma academia já resolve, sem falar que lá tem muitas gatas (o cara é casado há 10 anos) … no mais tudo isto é besteira, desgaste à toa.
Parei um momento, e antes de pedir duas águas de côco numa barraquinha, perguntei a ele: - Talvez você prefira outra coisa ao invés da água de côco. E ele respondeu: - Na verdade queria uma Coca. Estou com uma azia danada de um acarajé que comi (não me lembro do último acarajé que comi, apesar de adorar esta iguaria)
Passou-se alguns segundos meio constrangedores e o cara estava aguardando uma resposta minha. Aí eu falei:

- Companheiro, você já pensou em fazer dança do ventre ? É muito bom. Lá tem mulher para chuchu. Não precisa fazer tanto esforço e ainda por cima você já tem um plus de sua barriga que tem tudo haver com o seu estilo. Mas concordo com você: sou louco mesmo. Sou louco pela vida. Neste ponto sou igual a Cazuza. Mas não deve ser do seu tempo.

criado por dimitrivianna    16:32:37 — Arquivado em: Artigos

Bike e suas Tribos

Depois de ouvir da minha querida mãe, que um dia me viu saindo para um treino e fez o seguinte comentário:
- Tá indo biclicletar ? Acabei de ver um colega seu na rua agora pouco. Vocês parecem todos iguais.
E de escutar muitas vezes, de amigos e conhecidos, que todo ciclista sobre duas rodas “é tudo a mesma coisa”, achei que estava na hora de mostrar a diversidade de tribos que existem no nosso mundo de bikers. Estas tribos diferem em estilo, classe social e perfil.
Vou apenas resumir um pouco, já que muitas delas e se diferenciam para cada região do Brasil. São impressões pessoais, podendo haver divergências de opinião, obviamente. Mas tem um ponto em que todos nós bikers concordamos: não somos todos iguais, apesar de termos a mesma paixão pela querida magrela. Cada tribo pensa, pedala e encara a vida de sua maneira.
Se você tiver alguma sugestão sobre outra tribo, por favor, envie para eu acrescentar na minha lista.
Divirtam-se!
A Tribo dos Papucos
Não me pergunte a origem do nome. Eu mesmo não sei, mas é como é denominada esta galera que anda nas vias e periferias da cidade.
Estilo
A mais numerosa tribo da cidade. Gostam de pedalar com bicicletas montadas da maneira mais louca possível, com guidões bem baixos ou bem altos, selins nada anatômicos e normalmente você os vê, freqüentemente no trânsito, passando pelos carros, quase batendo no seu retrovisor ou disputando um pega com um motorista de ônibus. Não sabem nada sobre técnica ou mecânica, mas acham que sabem tudo. Devemos perdoá-los, afinal, se não há educação para motoristas, muito menos para ciclistas.
Perfil
Andam em bandos ou em duplas, usam pneus slick (finos) e só pedalam em terrenos planos, já que não conseguem subir nenhuma ladeira com suas ”máquinas”. Alguns usam capacetes, mas a maioria usa boné. E pedalam sem camisa, é claro ! Dia de domingo, voltando da praia, são visitantes freqüentes do HGE e contribuem com suas imprudências para o número de estatísticas de acidentes com ciclistas na cidade. Dentro deste grupo tem um subgrupo de ciclistas mirins, no mesmo estilo com suas “bicicross”, uma versão brasileira, parecida com os ciclistas dos guetos de Nova York.
A Tribo dos Free Riders: Estilo Livre e Down Hill
Sabe aquela noite em que você está no ponto de ônibus, voltando para casa e, de repente, aparece do nada um grupo de ciclistas, pulando do meio fio e subindo no banco do passeio, parecendo astronautas ? Isto mesmo ! Estou falando dos free rides ou free style bikers. Em português: estilo livre de pedalar. Esta tribo é dividida em duas. Aqui na nossa cidade os free riders é a turma do down hill , por terem semelhanças e terem pessoas que praticam os dois estilos.
Estilo
Tribo extremamente habilidosa sobre duas rodas, é a que mais que chama atenção pela suas vestimentas. Composta de adolescentes e jovens de até 23 anos. Usam camisas de manga comprida, bermudas parecidas com a de skatistas e usam todo o tipo de parafernália para proteção: tornozeleiras, joelheiras, etc. Parece até que saíram de um filme de ficção.
Perfil
Pedalar da maneira mais radical possível, pular, saltar, cair de qualquer lugar, na cidade ou no campo, o que vale é a adrenalina rápida na veia. As bikes são equipadas para tal e só é preciso ter coragem e, isto não falta a esta turma. Nas trilhas de Down Hill o negocio é descer a toda velocidade. Já na hora de subir…
Os Free Riders não formam umaTribo muito numerosa e não gostam de pedal de longas distâncias, na verdade são malabaristas sobre duas rodas.
Também existe uma derivação do mesmo estilo para um grupo de coroas que vão para as trilhas radicalizar e para não sair da dieta, e após o pedal vão comer um churrasco, pois a barriga é um bem a ser preservado.
A tribo do Passeio
Talvez você esteja dentro desta tribo ou já esteve, afinal, quem nunca teve uma Caloi no fundo do quintal, no quarto de empregada ou largada na garagem ?
Estilo
Esta tribo gosta puramente de fazer passeios leves, seja na orla ou no parque, mas morrem de medo de pedalar na rua. A turma do passeio adora uma aventura controlada, nada de muito radical e que seja muito sofrimento, no máximo uma estradinha de terra na sombra. São, na sua grande maioria, pessoas de meia idade, empresários e profissionais liberais. Andam sozinhos ou, no máximo, em dupla.
Perfil
Gostam de pedalar sempre com a postura ereta para não empenar o chassi (a coluna). Usam capacete, mas não conseguem se imaginar calçando uma sapatilha ou um clipe, é muito stress, eles alegam. O ciclista de passeio dá mais importância à sensação de bem estar do que efetivamente pedalar.
Atenção: nunca convide um ciclista de passeio para uma trilha radical, mesmo que ele insista em dizer que está pronto para tal. No final você vai ter que, no mínimo, empurrá-lo montanha acima e nunca mais ele vai querer passear com você dando as mais diversas desculpas. Aprenda a respeitar o limite desta tribo.
A Tribo dos Atletas
Quem volta das farras, já com o dia amanhecendo, encontra estes ciclistas. Uma tribo quase invisível, mas que são os que mais pedalam, em media 450 km por semana, em trilhas ou em pistas como a Av.Paralela.
Estilo
A tribo dos competidores é literalmente apaixonada pela bike, com patrocínios ou não, respiram bike 24 horas por dia, todos os dias. Como animais raros não são vistos facilmente pela cidade porque treinam muito cedo ou treinam em academias ou fora da cidade. Tanto no Montain Bike, no Cross Country como no Speed (ciclismo de asfalto) esta turma “bota pra quebrar” e quanto mais longo e difícil o percurso, melhor.
Você conhece um ciclista de competição pela cadência ao pedalar e pela a velocidade imprimida. São discretos e como galos de brigas competem até com a vovó, se ela tentar passar na frente deles.
Perfil
Somente a turma desta tribo sacrifica qualquer coisa pelos treinos, motivo principal das reclamações das namoradas e dos amigos, principalmente nos finais de semana. A faixa etária é bem diversa. Tem de jovens a coroas de mais de 50 anos, verdadeiros atletas. Por incrível que pareça, também as classes sociais vão da baixa à mais alta, porque para o atleta o que vale é estar nas competições, nem que seja para apenas fazer número.
Usam equipamentos básicos: capacete e luva e, são movidos a power gel e isotônicos. Não queira fazer um passeio com esta tribo se você realmente não estiver preparado para tal. Os ciclistas de competição são movidos a desafios e quanto mais alto e mais técnico, melhor.
A turma dos Bike Caipiras
Seja levando um balde de leite, um saco de feijão ou indo para a missa, levando a mulher na garupa, sentada de lado, esta é a turma mais elegante que pedala nas estradas empoeiradas de nosso Brasil.
Estilo
Quem é do interior ou já foi em alguma roça já deve ter visto está tribo: é o ciclista caipira.
Paradoxalmente considero a mais elegante de todas as tribos sobre duas rodas: Com suas Monarks, Barra Circulares ou mesmo uma qualquer do Paraguai, o caipira tem estilo e leveza ao pedalar.
Perfil
A tribo caipira não tem cerimônia em sair da bike para empurrá-la ladeira acima, afinal, suas bicicletas em geral não têm marchas e são pesadas, estilo trator mesmo. Porém agüentam o tranco do campo. Pedalam por necessidade e não por lazer, geralmente sozinhos, mas não trocam o futebol do final de semana por nada e vão para o jogo de bike, claro.

criado por dimitrivianna    12:18:39 — Arquivado em: Artigos

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